Charge: Rafael

Os advogados encarregados da defesa do presidente Lula, Cristiano Zanin Martins e Valeska Teixeira Zanin Martins, merecem todas as homenagens do povo brasileiro. O trabalho árduo e a dedicação desses advogados possibilitou a declaração de suspeição de Moro pelo STF e o reconhecimento de que o presidente Lula não teve um julgamento justo.

Esse resultado transcende a demanda de Lula por justiça. É uma vitória da justiça e da democracia.

O STF, finalmente, reconheceu uma verdade já sabida por todos, mesmo os que apoiam a injustiça a que Lula foi submetido.

Com o resultado de ontem, a Suprema Corte finalmente assume que o ex-presidente Lula não teve um julgamento e que a intenção do juiz Moro, em conluio com Dellagnhol e os demais promotores da operação Lava-Jato era a condenação a qualquer custo para tirar o ex-presidente do processo eleitoral.

A democracia brasileira tem, assim, sua primeira grande vitória, desde o impeachment perpetrado sob o arbítrio e a farsa. Estão tentando nos impor uma democracia aparente e formal, sem grandeza, sem respeito à Constituição e aos princípios republicanos. Nesse arremedo de democracia foi dada autorização para perseguir e excluir a participação de alguns nos processos políticos e, até mesmo, de anular adversários, por meio de mecanismos de exceção dissimulados em aparências e ritos próprios da democracia.

Nossas elites econômicas e políticas e a grande imprensa, desde a preparação para o impeachment, estiveram comprometidas com essa degradação da democracia e com a degeneração do Estado, suas instituições, e de toda a esfera pública.

O longo e heróico trabalho de defesa do presidente Lula está dando grandes lições ao país.

O bom combate, a luta justa, não combinam com claudicação, com vacilação, pessimismo e incerteza. Não importa o tamanho das dificuldades. É vencer ou vencer!

Pelo contrário, a luta democrática exige compromisso com a verdade, competência, trabalho árduo, tenacidade, dignidade no exercício profissional, paciência e coragem. Muita coragem!

A democracia brasileira deve essa vitória gigantesca a esses guerreiros do direito, a esses dignos profissionais. Não tenho dúvida de que a conquista que eles proporcionaram terá um efeito positivo sobre toda a vida pública e sobre a institucionalidade brasileira abrindo caminho para a recuperação da grandeza e da dignidade desse país.

A desmoralização, a perda de sentido e significado do país e o amesquinhamento das instituições que sustentam a democracia é uma das marcas que caracterizam a guerra híbrida que esse país chamado Brasil está vivendo neste momento dramático da sua história.

Esse processo de desmoralização do país e das suas instituições, com a perda de confiança por parte dos brasileiros e brasileiras no futuro, assim como a desmoralização da vida pública fazem parte de uma ação premeditada, importante para inviabilizar a nossa democracia e até mesmo o próprio país.

Não é possível pensarmos em democracia se os cidadãos e cidadãs se entregam e não resistem à tirania e ao arbítrio e se as instituições, em vez de cumprirem sua missão, se deixam levar por projetos sem nenhuma legitimidade, que comprometem nossa soberania e buscam dar sustentação às desigualdades e injustiças sociais.

É inadmissível que as próprias instituições se comportem motivadas por objetivos contraditórios com a República e com a Constituição e se deixem prostituir, se corromper.

É inadmissível a submissão e mesmo a colaboração com o arbítrio, a sordidez e o estado de exceção, em clara contradição com o Estado democrático de direito e com a Nação.

Essa vitória não é só de Lula, do PT e dos que o apoiam.

É talvez a maior vitória do povo brasileiro desde que a nossa democracia foi agredida por um impeachment ilegítimo, que interrompeu o mais longo período democrático e o mais profícuo projeto de avanço social, com superação de mazelas históricas – uma das dimensões do desenvolvimento do Brasil.

Esta vitória jurídica terá repercussões políticas em toda a América Latina, agredida também pela mesma guerra híbrida, cujo objetivo é minar governos e lideranças legítimas que representam o projeto de soberania nacional, de regulação das suas economias para garantir o desenvolvimento nacional em favor do país e do seu povo e que vinham promovendo justiça social, com inclusão de todos e todas, e que representam o compromisso com os excluídos e deserdados.

Essa pequena vitória da justiça e da democracia cria um novo ânimo e permite ao país e a toda a região fazer planos para o futuro.

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