“O nosso país não lança bombas contra outros povos nem envia milhares de aviões para bombardear cidades. O nosso país não possui armas nucleares, nem armas químicas, ou biológicas. Os cientistas que temos no nosso país foram educados com a ideia de salvar vidas. Viva a irmandade dos nosso povos, viva a humanidade. Obrigado. Hasta la victória, siempre!”. Discurso de Fidel Castro.

Nos últimos anos assistimos com grande preocupação ao retrocesso em áreas importantes como a paz, a autodeterminação e a soberania das nações, o cuidado com o meio ambiente, os direitos humanos, a justiça social e a busca pela equidade econômica.

Devido à globalização neoliberal, praticamente todos os sistemas de saúde do continente americano e do mundo passaram por reformas significativas, colocando em prática processos que aumentaram a desigualdade em relação ao acesso de condições dignas de saúde.

Porém, a onda neoliberal do século XXI não implicou mudanças substanciais na política de saúde em Cuba, cujos pilares estão definidos desde a reforma dos anos 1970. A abordagem da “saúde para todos” permaneceu inalterada, consolidada ao longo da segunda metade do século XX até o presente.

Cuba conseguiu manter, mesmo em circunstâncias difíceis, uma ampla cobertura de saúde e um controle de situações epidemiológicas complicadas, como as que aconteceram nos anos 1990 com a dengue e o aumento das taxas de tuberculose. Além disso, nessas circunstâncias complexas, continuou a melhorar seus indicadores de mortalidade e de expectativa de vida.

No entanto, tudo isso não impediu que o país seja o alvo principal dos maiores ataques da narrativa neoliberal dentro do continente americano. O modelo político cubano de partido único deu argumento suficiente para centrar na ilha e no seu modelo socialista, toda a fúria do conservadorismo americano.

Indiferentes ao bloqueio econômico a que padece há mais de 50 anos, algo que prejudica de forma notória seu desenvolvimento, o modelo cubano é utilizado como exemplo do “fracasso socialista”, como se a realização humana estivesse univocamente vinculada aos logros tecnológicos e à acumulação desigual de riqueza.

Cuba tem médicos atuando em mais de 60 países, chegando a mais de 30.000 profissionais a finais de 2019. A partir de diferentes convênios com os diferentes países envolvidos, essa política internacionalista de solidariedade tem sido bem importante para a economia da ilha.

Cuba possui 8,2 médicos para cada 1.000 habitantes, uma das taxas mais altas do mundo, segundo o Banco Mundial.

“Todos temos medo. Mas há uma tarefa revolucionária a cumprir, o medo é controlado e deixado de lado”, disse o dr. Leonardo Fernández, 68, especialista em medicina interna e terapia intensiva, recém chegado na Itália para atender casos de coronavírus.

“Para mim, essa colaboração constitui um desafio e ainda mais para a medicina cubana. Vamos cumprir uma tarefa honrosa, baseada no princípio da solidariedade”, disse o dr. Graciliano Díaz, 64 anos também em solo italiano.

Em 2018 Cuba retirou seus 11.000 médicos do programa “Mais Médicos”, humilhados pelas declarações do presidente Jair Boslonaro, com apoio dos seus seguidores. O “Mais Médicos” foi lançado em 8 de julho de 2013 pelo governo da então presidente Dilma Rousseff e chegou a contar com mais de 18.000 médicos atendendo mais de 4.000 municípios em todo o Brasil. Hoje, o Brasil de Bolsonaro (único país latino-americano que votou a favor do bloqueio em 2019) pede ajuda a esses mesmos médicos cubanos, já que não é capaz de atender sua própria demanda em meio à crise do coronavírus.

Executivos da empresa Biocubafarma, que produz e comercializa os medicamentos fabricados em Cuba, apontaram que o “interferon alfa 2B humano“, desenvolvido em 1986 por uma equipe de pesquisadores do Centro de Engenharia Genética e Biotecnologia (CIGB), tem sido muito eficaz no tratamento do surto de coronavírus que surgiu em Wuhan.

Cuba está desenvolvendo um antiviral que está salvando a vida de milhares de pessoas no mundo.

No meio do caos, o improviso e o pânico generalizado pela propagação do Covid-19, Cuba autorizou o navio de cruzeiro britânico MS Braemar, com cinco casos confirmados do novo coronavírus, a atracar na ilha, de onde seus passageiros serão repatriados de avião para o Reino Unido.

O chefe da diplomacia cubana especificou que “juntamente com as autoridades britânicas, foi organizado que, uma vez que os viajantes cheguem à Cuba, eles retornam de forma segura e imediata ao Reino Unido por via aérea”. O barco tinha sido impedido de atracar em vários países da região (capitalistas) da região.

“Somos coerentes com nossa convicção de solidariedade com a humanidade”, acrescentou Díaz-Canel em sua conta no Twitter com as hashtags #SomosCuba e #SomosContinuidad.

Cuba, que tem casos confirmados de novos coronavírus, multiplica as ações de prevenção e de vigilância. Hoje são centenas de profissionais da saúde atendendo pessoas na Itália e em vários países da América Latina.

O governo suspendeu os principais eventos culturais e esportivos, mas até agora evitou enviar trabalhadores e estudantes para casa. Ante a multiplicação de casos de coronavirus dentro da ilha, Cuba anunciou o fechamento de suas fronteiras, exceto a entrada de residentes no exterior, permitindo a saída de turistas estrangeiros que permanecem na ilha.

O boomerang cubano voltou e acertou a nuca do discurso neoliberal norte-americano, mostrando sua fragilidade, sua hipocrisia e sua enorme falta de humanidade.

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