Em 1969 era preso nos Estados Unidos, Charles Manson, líder de uma seita de fanáticos homicidas e responsável pelo assassinato de dezenas de pessoas. Até o final dos seus dias, Manson, apesar de ter sido indiciado pelos seus próprios discípulos como instigador dos crimes, negou qualquer envolvimento e afirmou até o fim “não fui eu quem deu as facadas, não fui eu quem apertou o gatilho, não sou responsável pelos atos dos outros”. Porém, em 1972 Manson foi declarado culpado por ter sido responsável ideológico dos crimes cometidos pelos seus seguidores. As investigações posteriores demonstraram como Manson manipulava esses seguidores com discursos de ódio, ocupando a figura de um messias que tinha chegado ao mundo para purificá-lo da decadência moderna. Manson era conhecido por ser verborrágico e por falar “abertamente” sem rodeios e de forma “sincera”. Não obstante, estudos psiquiátricos feitos durante sua estadia na cadeia demonstraram que Manson era simplesmente um psicopata manipulador com ciência do seu poder de persuasão, e sem nenhum tipo de pudor em utilizar esse seu poder para causar estragos em uma sociedade que odiava profundamente desde que era um zé ninguém sem influenza nenhuma.

É claro que muitos irão achar que a comparação entre Charles Manson e o atual presidente do Brasil é forçada. E talvez assim seja. Porém, as declarações públicas de Jair Bolsonaro no dia 07/12/2022, celebradas no cercadinho da alvorada pelos seus seguidores fanáticos, tem todas as características de um líder de seita fanatizado e disposto a tudo para ir em frente com sua guerra delirante. Logo do vil assassinato de Marcelo Arruda, pai de quatro filhos que celebrava na intimidade, com sua família, seu aniversário de 50 anos. Logo que as câmeras mostram como seu algoz, um fanático alucinado, entra para semear a morte e espalhar terror entre os celebrantes, Bolsonaro, sem pudor nenhum afirma que houve violência por parte dos convidados que deram chutes na cabeça de quem acabava de invadir a festa para acometer um assassinato inexplicável.

Inexplicável é a palavra.

Como o Brasil acabou nas mãos de um desequilibrado sem um pingo de humanidade que nem o atual presidente? Como é possível que ainda hoje tenha gente tentando encaixar o discurso de que é uma guerra de extremos, quando de um lado temos o próprio satanás debochando de pessoas com Covid que pedem para entrar em uma UTI? Uma figura bizarra que dentro do próprio parlamento (sim, dentro do próprio parlamento) exaltou a figura de um torturador da ditadura militar?

Era comum dizer que cada vez que abria a boca, Charles Manson demonstrava seu poder de persuasão e sua demência psicopata, sua falta total de empatia pela humanidade. Em menos de um mês, Bolsonaro dá um “sai fora” para uma vice-governadora que o acompanha em uma manifestação, por medo de perder um pingo de palco. No mesmo mês ele fez inúmeros comentários sobre o que o seus seguidores devem fazer em caso dele perder as eleições, o suficientemente ambíguos para que  mentes com tendência à violência acreditem estar avaliadas para perpetrar atos de agressão contra quem eles  entendam que merecem ser punidos. Escândalos de corrupção que envolvem líderes religiosos alinhados com o governo, uma PEC que explicitamente tem fins eleitorais e que terá consequências calamitosas para o país em 2023, assassinatos, atos terroristas em comícios da oposição,  tiros na redação de jornais críticos ao governo. Não há registros recentes nem geograficamente próximos de um governo eleito pelo voto popular que tenha se alimentado tanto do terror e da violência. E nem sequer poderíamos dizer que o governo se vale da violência para governar, porque, o que esse governo faz? Há quatro anos que o Brasil navega sem rumo, com somente dois propósitos relativamente claros: armar as classes médias e vender o patrimônio nacional a preço de banana e sem uma fiscalização que evite que o dinheiro das privatizações não acabe nos cofres errados. Logo disso não houve um plano estratégico que estabeleça uma identidade institucional para o país.

É tudo tão baixo, estamos tão abaixo, que só pode ser o inferno. Isto é sem dúvidas o mais parecido a uma democracia infernal. Onde os que governam celebram a morte, a violência, a depredação da vida, da fauna, da flora. Onde os líderes religiosos sucumbem diante da opulência e da ostentação material, e exibem sua corrupção sem pudor nenhum. Diabólico não é o sexo, diabólica é a violência institucionalizada. Um golpe de estado só seria o corolário de talvez o pior momento do país logo após o retorno da democracia. Uma seita de fanáticos delirantes que dia a dia perdem ainda mais seus escrúpulos está no governo e não parecem ter pretensões de recuar. A única solução é política e requer muita coragem. Coragem para atuar politicamente em todos os planos da vida social, estrategicamente, com determinação e buscando a UNIÃO porque não iremos vencer essa força destrutiva sem ter os pés no chão, e utilizando o melhor que temos: a realidade. A realidade é a única que pode vencer a loucura. E hoje a realidade diz que existe um único caminho racional. Quem se gabe de representar a racionalidade não venha depois dizer que não foi avisado. Não dá mais para deixar o país nas mãos de um louco capaz de tudo.

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