Há poucas dias, o maior ideólogo e líder da nova onda da extrema direita, Steve Bannon, foi preso por fraudar milhões de dólares destinados à construção do muro que ia impedir o passo de imigrantes ilegais mexicanos pela fronteira com o sul dos Estados Unidos. Se faz necessário assinalar o paradoxo encontrado nessa situação. O muro foi construído a partir de um consenso social estabelecido com o cidadão norte americano que partiria da premissa de que os mexicanos estariam corrompendo a sociedade norte americana, que seriam os responsáveis pela poluição de uma sociedade pura, um dos tantos discursos controversos montados desde a equipe de comunicação de Donald Trump, dirigida por Steve Bannon. Ao longo da história, setores conservadores da sociedade usufruíram do gatilho da “luta contra a corrupção” na busca de sensibilizar e conseguir apoio das classes populares. Porém, todas as experiências da direita neoliberal no poder, em qualquer lugar do mundo, deixaram como resultado estados devastados e empobrecidos, sociedades desiguais, endividadas e com setores afundados na miséria.

Mas a história mostra, com muitos exemplos, que o desenvolvimento do capitalismo está associado à constituição de laços de corrupção entre os grupos políticos que comandam os estados-nação e os grupos privados que detêm o poder econômico. O pesquisador Eric Williams revelou que o comércio de escravos do Novo Mundo foi fundamental para o processo de acumulação primitiva do capitalismo na Inglaterra e que sua alta lucratividade ampliou a corrupção no sistema político britânico por meio da compra de assentos no sistema político britânico, parlamento e concessão de títulos de nobreza a comerciantes de escravos. A era pré revolucionária na França do século XVIII também era signada por inúmeros casos de corrupção contra uma classe nobre em decadência, incapaz de ter sensibilidade com o povo que sustentava os luxos

Da própria posição neoliberal, o fenômeno da corrupção se apresenta a nós como uma prática muito difícil de definir, como algo muito difuso e relativo quando se trata de querer defini-lo, é abordado com grandes nuances ideológicas, apologéticas, exclusivas, propagandistas e de controle. Seu objetivo é o desmantelamento do estado regulador, e a legitimação das práticas de dominação burguesas.

Associadas às estratégias expansionistas do imperialismo estadunidense, as práticas corruptas generalizaram-se nos diversos segmentos do setor público daquele país. Congressistas, presidentes da república e membros das forças armadas eram frequentemente recompensados ​​financeiramente por empresas.

O poder corruptor do dinheiro também está presente nas estratégias de evasão cambial que se disseminaram pelo planeta nas últimas décadas, ampliando a economia subterrânea que desvia dinheiro para “paraísos fiscais” ou “off-shores”. Os casos recentes de esquemas de evasão dos “papéis do Panamá”, “vazamentos suíços / HSBC” e “papéis do Paraíso” são reveladores da participação das elites de países europeus e latino-americanos com essas práticas nocivas.

Nunca devemos esquecer quem são os que detêm o verdadeiro poder: o poder bancário e financeiro, os poderes militares, os poderes de opinião, os meios de comunicação de massa. As grandes potências nunca descansam. Quando experimentam momentos que são contrários a eles ou os afetam, eles pressionam por uma mudança. Quando retorna, a direita o faz com mais força porque é capaz de neutralizar a potência existente. Não lhes resulta difícil então, impor as pautas que uma comunidade deve seguir “segurança jurídica e luta contra corrupção”. Entendendo que segurança jurídica é algo que somente preocupa a quem possui grandes proporções de capital, para o resto da população, as pautas que imperam são as que dão prioridade a políticas de inclusão e redistribuição de renda, e essas pautas nunca podem ser eclipsadas por uma “luta contra a corrupção”. Luta contra corrupção (Uma luta universal e permanente que não pode ter condicionantes ideológicos) foi tradicionalmente utilizada pela direita como argumento para desmontar os mecanismos que permitem ao estado regular a atividade económica privada e conciliá-la com os interesses gerais da população.

A Censura e o jornalista Marcelo Tas

Costuma-se argumentar que, quaisquer que sejam as desvantagens do capitalismo, em termos de garantir uma distribuição justa dos bens produzidos pela humanidade ou alcançar um máximo de bem-estar ou segurança para o maior número de pessoas humanas, constitui, em qualquer caso, uma vantagem deste sistema é garantir a máxima liberdade de expressão como nenhum outro; E isso, diga-se, não por causa das peculiaridades contingentes dos responsáveis ​​pela gestão dos assuntos culturais, mas pela própria natureza do sistema – com o qual essa vantagem ocorreria não só sobre certas sociedades socialistas que, devido às atitudes de seus líderes, sujeitaram a liberdade de expressão a restrições arbitrárias, mas em quaisquer sociedades coletivistas, ou seja, em quaisquer sociedades em que os mecanismos de mercado e a iniciativa privada que caracterizam a sociedade capitalista não estejam em vigor.

Isto é uma verdadeira falácia.

A censura é um elemento inerente ao capitalismo. Considerando que a comunicação é uma mercancia, você precisa comunicar tudo aquilo que não atente contra os interesses do capital. Onde você vê jornalistas em massa criticando as consequências sinistras da desregulação financeira? Onde se percebe uma crítica profunda e sólida contra o acúmulo de capital simbólico e a criação de verdadeiros empórios da comunicação como a Rede Globo, Record ou SBT? Quem faz humor com a figura do garimpeiro? Quem ironiza com a cobiça dos empresários, com a violência do machismo patriarcal? Quem cria esse tipo de humor no Brasil?

Violência institucional? Você precisa chegar em qualquer favela do país ou da latinoamérica para ver a truculência com que são tratados os moradores das periferias. A violência opressora dos estado nação burgueses contras as massas trabalhadoras e os movimentos sociais é algo que nunca devemos deixar de divulgar. A censura e a invisibilização das trans, dos negros, do feminismo, dos movimentos sem terra e sem teto.

A censura nas mídias capitalistas, por ser mais sutil e tácita, é mais difícil de perceber, mas está aí na frente dos olhos de todo aquele disposto a fazer as leituras pertinentes. É preciso uma militância cultural sem fôlego porque a direita não descansa. O capital, como elemento de opressão que atenta contra a realização humana, é como um vírus que se multiplica a toda hora e que precisa ser combatido. E seus agentes precisam ser desmascarados se queremos articular vitórias significativas na batalha pela emancipação dos oprimidos.

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