.

Vendo as primeiras imagens do pronunciamento de Jair Bolsonaro depois da vitória nas eleições nos damos conta que o Bozo será o nosso primeiro Meme Presidente! A literalidade do seu discurso contamina também as imagens, literais. O clichê no seu sentido puro.

Bolsonaro de olhos fechados e Magno Malta, o pastor ruralista, parlamentar derrotado nas urnas, de mãos dadas em uma roda de reza, com Alexandre Frota, educador-pornô, ao fundo, evocando Deus, a pátria e a moral.

Misto de reza e exorcismo, já que “os tentáculos da esquerda jamais seriam arrancados sem as mãos de Deus”, oraram fervorosamente e agradeceram! O Senhor ganhou as eleições para esses “homens de bem” e o Estado brasileiro jamais será laico com tão poderoso cabo eleitoral!

Antes da reza, a fala do Bozo veio ladeada pela presença de Hélio Negão, o militar Deputado Federal pelo PSL, que virou Hélio Bolsonaro, um negro com a camisa amarela onde se lê ‘esta é a cor do Brasil” e que decorou o set das lives de Bolsonaro, sempre ao seu lado. Um personagem que sempre entra mudo e sai calado nos pronunciamentos do Bozo. E que tem uma clara função na memética. É o seu “personal negro” que o blindaria da acusação de racismo. Está lá como um signo, vivo e estático.

Na lógica do clichê, basta Bolsonaro colocar um negro ao seu lado, ou uma mulher ou uma indígena e suas declarações ofensivas seriam “neutralizadas”. Simples e simplório. A comunicação por “clichês” e literalidade. Ninguém está sendo “manipulado” ali, trata-se de uma negociação em que todos estão felizes em ocupar esses lugares.

É isso. A estética na nova era passa por Black Mirror, Mad Max, Terra em Transe e Zorra Total. Uma memética que remixa a cultura de massas e os tipos caricaturais. O capitão Bolsonaro será um Presidente que terá que concorrer com Inês Brasil, Carreta Furacão, Gretchen, Nazaré e outros clássicos da memética brazuca. É uma caricatura, eis sua eficácia!

Jair Bolsonaro é o triunfo dos memes na política! O Brasil produziu uma incrível fábrica de fake news e memes nestas eleições. E ao final, elegeram um meme!

Os memes nos próximos anos virão prontos diretamente da Esplanada, teremos uma memética de Estado, vinda do planalto central do país!

Também tivemos uma memética da resistência, da alegria e do humor na política, extraordinária! Mas é perturbador ter uma figura tão “literal” e francamente tosca representando o Brasil e os brasileiros, um país e povo tão lindamente complexos!. Fomos reduzidos a uma cartilha e conteúdos daquela matéria primária que era OSPB, regredimos para as aulas simplórias e cafonas (geralmente dadas pelos professores mais opacos) de Moral e Cívica.

Mas a memética tem que ser levada a sério! Vamos precisar de escolas de memes para a resistência e para as novas lutas. Aqui um pouco sobre os memes, e sua força na comunicação e na política. #Eleições2018#JairBolsonaro

Conheça outros colunistas e suas opiniões!

Liana Cirne Lins

Assédio nas escolas

Juan Manuel P. Domínguez

“As mulheres estão sub-representadas na política”. Entrevista com Gleisi Hoffmann.

Renata Souza

Maio e a luta negra por liberdade

Ivana Bentes

Vômito Triunfal

Daniel Zen

Breves conclusões sobre a reunião ministerial de 22/04/2020

Juca Ferreira

Às margens do rubicão

Sâmia Bomfim

A esquerda paulista e a urgência de um novo tempo

Erika Hilton

Pandemia e LGBTs: os impactos sobre a vida dos mais vulneráveis

Juliana Cardoso

Violência contra as mulheres, feriadão e lockdown ou...

Boaventura de Sousa Santos

Requiem pela democracia

Movimento dos Pequenos Agricultores

Se não plantar agora, a fome virá em seguida

Tulio Ribeiro

Vingança! Viva o Rei Messias!

Luiz Henrique Eloy

Terras indígenas na pauta do Supremo: Teoria do indigenato versus marco temporal

Talles Lopes

É pior do que parece…

Felipe Milanez

Reunião revela a grande “oportunidade” do genocídio indígena