Quem são os motociclistas bolsonaristas? Com certeza você já viu um grupo vestindo uns coletes pretos de couro com adesivos e bordados, uns tiozões todos paramentados não tão em forma quanto suas motos Harley Davidson e outras mais modestas.

Tem famílias inteiras no rolê e também uns jovens desgarrados com motos comuns e uns nomes e símbolos, caveiras, raios, fogo, animais, abutre, águias, aranhas, dragões e outros bichos nas jaquetas.

Passam sempre de madrugada em Copacabana fazendo um barulho ensurdecedor (homens e suas próteses fálicas rs) e são uma versão meio senil e meio juvenil das gangs de motociclistas que o cinema consagrou nos anos 50.

Mas agora nem tão “selvagens” e nem “outsiders”. Os motociclistas na sua versão bolsonarista se dedicam até a caridade e filantropia pelo que li em suas páginas, campanhas por segurança no trânsito, e deve ter pessoas legais entre eles.

Mas em que país se faz uma manifestação pró-governo com o uso do Estado, com escolta de mil policiais e convocada pelo próprio Bolsonaro no meio de uma pandemia chegando em 450 mil mortos, apoiada por uma Federação de motociclistas com o presidente assumindo essa fantasia de um líder de uma gang de motoqueiros patriotas?

É um tapa na cara dos brasileiros e uma tentativa desesperada de afirmar que tudo está “normal”, que o governo tem popularidade e apoio nas ruas.

Mas é bizarro esse presidente que “passou a se sentir total com seu sonho de metal”. O ridículo de cada um que vai correr o mundo.

As “motociatas” são puxadas pelos motoclubes. E aqui no Rio foi a Federação de Motoclubes do Estado do Rio de Janeiro (FMCRJ) que puxou e que desde a eleição apoia Bolsonaro e entregou um ofício pedindo que ele isente os motociclistas nos pedágios rodoviários.

Depois do 1º ato em Brasilia com os motoqueiros, Bolsonaro declarou: “Eu já acertei com o Tarcísio [ministro da Infraestrutura] botar nas futuras concessões ali. A gente tira a moto fora”.

Pode ser até legítimo o pedido. Mas qual sua consequência e impacto? É assim que se faz a política de gestão das rodovias do Brasil?

Bom, não foi pequena a demonstração de apoio dos motoclubes do Rio a Bolsonaro. São um nicho, gueto, minoria, mas fazem barulho com seus canos de escapamento (ilegais) de altos decibéis. Bolsonaro vai dando existência política a esses e a vários grupos e nichos. Vai vendo o que ainda vai emergir até 2022!

Mas é isso! Bem vindos ao mundo dos motociclistas bolsonaristas, ou à versão motoqueira do tiozão do pavê.

 

View this post on Instagram

 

A post shared by Jean Wyllys (@jeanwyllys_real)


P.S. Seria bom, até pra tirar nossa má impressão, conhecer melhor esses motoclubes: quem são, onde vivem, o que comem e como viraram bolsonaristas!

Conheça outros colunistas e suas opiniões!

Design Ativista

Mais que mil caracteres

Márcio Santilli

Golpe em falso

Juan Manuel P. Domínguez

A direita dá um banho de sangue no Peru

NINJA Esporte Clube

Camisa da seleção tem seu pior momento: é símbolo de terrorismo

Design Ativista

Quando a moda é criada com a natureza, por mulheres, em suas comunidades

Uirá Porã

O início de uma era singular

Márcio Santilli

Militares precisam incorporar emergência climática a sua visão estratégica

Eduardo Sá

Folha Seca: a livraria que há 25 anos promove cultura e política no Centro do Rio de Janeiro

NINJA Esporte Clube

A indignação seletiva e omissão do futebol brasileiro com Daniel Alves

Márcio Santilli

Direita quer mutilar Frente Parlamentar Indígena

Célio Turino

Sobre os Pontos de Cultura e o conceito de Cultura Viva

Ivana Bentes

Olhar é um ato violento

Márcio Santilli

Marina no clima

Mariane Santana

Censurada, novamente, a fotógrafa Pamela Facco cobra judicialmente o Instagram mesmo após ter ganho caso em 2019 contra danos morais à sua conta