Pelo Estudante NINJA, Artur Nicoceli

Foto: reprodução agemt

Corpus Christi ficou conhecido como o feriado em homenagem ao corpo de cristo, que possui o objetivo de celebrar o mistério da eucarística, o sacramento do corpo e o sangue de Jesus. A festividade conta com procissões que acontecem pelo Brasil inteiro, que ocorrem sempre 60 dias depois do domingo de páscoa.

Esse ano, a comemoração ocorreu do dia 20 a 23 de junho. No primeiro dia, a população evangélica, no estado de São Paulo, se organizou para celebrar mais uma vez, a Marcha com Jesus, em que muitos religiosos se uniram em prol de um momento religioso de esperança e fé. Ao mesmo tempo, muitos jovens se uniram também para celebrar o que acreditam na cidade de Americana.

Esses jovens, a partir de 17 anos, seguiram em caravana de diversos pontos de São Paulo para essa festividade sabendo que pela frente haveriam vitórias e derrotas. O diferencial é que eles não estavam se motivando por algum símbolo religioso e sim pelas equipes presentes nos Jogos Universitários de Comunicação e Artes (JUCA).

O campeonato tem o objetivo de juntar estudantes de universidades públicas e particulares, anualmente, para competirem em esportes. O evento conta com mais de mil atletas amadores e assim rompem as barreiras que existem nos esportes tradicionais com relação à intolerância e preconceito.

O diretor geral de esportes da LAACA (Liga das Atléticas Acadêmicas de Comunicação de Artes) responsável pela organização e realização do evento, Rodrigo Chamelette Sanzovo, afirma a necessidade do esporte e das
competições no dia-a-dia dos universitários. “Acredito que produzimos um evento que mexe muito com a emoção dos atletas, faz com que muita gente pratique esportes pela primeira vez, enfim, acho que o esporte transforma a vida nas universidades, seja pela saúde mental, seja por aprender a trabalhar em equipe”.

As atrações das festas do JUCA desse ano foram a drag Glória Groove, e o rapper Djonga. Ambos estão ocupando espaços de representatividade na militância LGBT e negra e assim o evento ressalta a importância do esporte como forma de militância política e social dando espaço para discursos de liberdade e inclusão.

Existe também uma política de universidades entrarem e saírem mediante cada evento anual, por exemplo, A atlética da Universidade Presbiteriana Mackenzie foi punida, ano passado, devido à escalação de jogadores irregulares e foi penalizada a não poder participar nos próximos três eventos, ao mesmo tempo em que foi substituída pela atlética de Comunicações da FIAM/FAAM.

O presidente da Galoco – atlética de comunicação da FIAM/FAAM, Lincoln Uehara, informou que a universidade não era um espaço com cultura de jogos, mesmo tendo em media 15/20 atléticas dentro das Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU). “Eu acredito que a maioria nem conhecia o JUCA, os que conheciam ficaram completamente extasiados, muito felizes, era gente perguntando o tempo todo sobre o evento, foi sensacional”.

Este ano, o evento contou com a presença das Universidades Anhembi Morumbi, Belas Artes, Cásper Líbero, ECA-USP, FIAM/FAAM, Metodista e PUC. Ao mesmo tempo em que existe a presença dos atletas para competir, também há os estudantes que apenas vão para curtir o evento e participar da torcida a favor de sua instituição de ensino.

Essa foi a primeira vez que o estudante do ultimo ano de jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo, Murilo Boker, foi ao evento, mesmo com vontade de ir nos anos anteriores de sua graduação. Este ano ele se juntou aos amigos para aproveitar este último ano de faculdade. “Eu iria novamente, o clima é fantástico, o pessoal animado desde o momento que a gente acorda até a hora de ir dormir. Mesmo o banho sendo frio e a gente dormindo muito pouco, vale a pena passar esses dias acordado conhecendo pessoas novas e torcendo pelos seus amigos”.

A LAACA dá a oportunidade de ex-estudantes das universidades também estarem presentes, mesmo não podendo mais jogar, e o Murilo Boker é um desses universitários que afirma que estará presente ano que vem, já formado, para torcer pela Metodista.

(Por Gabriel Elias, Guilherme Tedesco, Henrique Soto e Victor Félix)

Conheça outros colunistas e suas opiniões!

Rachel Daniel

O silêncio das igrejas sobre sexo é ensurdecedor

Movimento dos Pequenos Agricultores

 Guedes tropeça na saca de milho

NINJA

Veto à Praça Marielle Franco é mais um gesto autoritário do governador do Distrito Federal

Roger Cipó

Reflexões sobre o amor na luta contra o racismo

NINJA

E quando quem tá para servir, te persegue?

Daniel Zen

Violência simbólica e violência real

Daniel Zen

Dois absurdos ambientais em um único projeto de lei

Tainá de Paula

Ô glória: o Rio de Janeiro no fundo do poço

Daniel Zen

Liberais na economia, nazistas nos costumes

Rachel Daniel

Quando se demonizam os evangélicos...

Ana Claudino

O amor camarada sapatão

Cleidiana Ramos

O culto a São Lázaro faz lembrar dos corpos que se deseja esquecer

Gabriel RG

Cosplay nazista de Roberto Alvim rompe a cortina ideológica de toda a direita

Boaventura de Sousa Santos

Para uma nova Declaração Universal dos Direitos Humanos I

Valentine

A luta de classes no Brasil tem a ver com raça e gênero, sim! Parte 1