Quando convidamos Márcio Abreu para um diálogo, o primeiro propósito é que pudéssemos explorar sobre as experiências cênicas que têm transferido os palcos para os meios digitais. Afinal, que teatro é esse que dispensa o contato físico com o público? “Nós fomos impedidos”, reforça Márcio, posicionando seu lugar contra os discursos que se aproveitam de um momento frágil do país e do mundo para defenderem um “novo normal” nas artes cênicas. “Isso nos fragiliza”.

Márcio Abreu é dramaturgo, diretor, ator e coleciona prêmios e indicações nas artes cênicas à frente da Companhia Brasileira de Teatro, de Curitiba. Prêmios como a Bravo!, Shell, APCA. Não à toa, seus trabalhos têm conquistado crítica e públicos cada vez maiores para além da capital paranaense. Até a chegada do vírus da Covid-19 ao Brasil, a Companhia fazia em São Paulo sua temporada do espetáculo “Por Que Não Vivemos”, uma adaptação de texto de Tchechov. Também se preparava para uma nova estreia no semestre que já passou.

Hoje, contudo, em meio às mudanças de rumo, é possível ver o nome de Márcio Abreu em várias experiências que se lançam nas redes durante o nosso confinamento. Trabalhos como, por exemplo, os Ao Vivos que o SESC vem realizando, um deles trazendo a atriz Renata Sorrah às telinhas do computador para uma leitura cênica de uma mescla dos trabalhos feitos com Márcio: “Esta Criança”, “Krum”, “Preto”.

“A arte tem uma dimensão pública ou não é nada”. Márcio Abreu reforça a indissociabilidade entre arte e estética quando questionado sobre teatro e resistência, reforçando sobre uma arte que se produz diante de um contexto de opressões e retrocessos, como o que vivemos atualmente. Qual seria o papel do artista diante disso tudo e o que esperar do futuro? Confira abaixo a entrevista completa:

Foto: Divulgação / Nana Moraes

Nesses tempos de quarentena, a gente tem visto muitas experiências cênicas e festivais sendo preparados para exibição online, incluindo trabalhos com sua direção e dramaturgia. De imediato, como você poderia avaliar este momento? Será que estes tempos podem trazer ao teatro outros modos de relação com o público, uma nova experiência estética?

Nesse momento, o que eu percebo é que estamos todos diante de uma realidade que não se conhece, diante de uma profunda falta de perspectivas, vivendo com muita nitidez uma ruína de estruturas institucionais de democracia e de como se organizam os poderes e a circulação de bens materiais e imateriais. Tudo isso está frágil, está posto em questão, está ruindo. Então a partir disso e, dessa situação que ninguém sabe muito bem como lidar, começa a acontecer uma série de movimentos, muitos deles em relação a realizar atividades artísticas e culturais, a tentar encontrar vias de contato com o público mesmo à distância, todas elas muito legítimas de um modo geral.

Mas acho que vale a pena refletir um pouco sobre uma coisa que me pareceu um ponto de atenção. No início da quarentena, começou a haver uma certa euforia com esses meios virtuais como se eles fossem uma novidade. Eles não são novidade! Antes da gente ser impedido de realizar nossas atividades no teatro, por exemplo, na dança, na performance, nas artes vivas que dependem da presença do público, essas plataformas já eram utilizadas de outras formas. Eu mesmo fiz um processo de trabalho entre o Brasil e Alemanha com apresentações ao vivo, com cenas virtualmente distribuídas, por exemplo. Então isso não é novo. Pegar carona no discurso da novidade, toda essa ideia de novo normal e começar a proferir e defender esse lugar como sendo o lugar agora me parece muito complicado. Eu me oponho vivamente a isso e fiz muitas críticas, inclusive.

Isso não significa que eu me negue ou que eu me recuse a usar esses espaços e manifestar através deles, a tentar reinventar ou inventar novas maneiras de realizar coisas enquanto estamos impedidos de encontrar as pessoas e o público. Tenho feito algumas coisas, mas me oponho à euforia e aos discursos que se apropriam de um momento frágil para defender essas ideias de novo normal.

A arte tem dimensão pública ou não é nada.

Um dos motivos é que, evidentemente, a gente se torna, nós artistas que já somos alvo, nós nos fragilizamos e continuamos sendo alvo. Então as instituições, os meios de financiamento e de fomento, ficam fragilizados diante dessa ideia, porque é muito fácil dizer “bom, não precisa de dinheiro, fica em casa, faz com os meios que tem e é isso aí”. Então toda ideia de política cultural, de continuidade de políticas públicas para o fomento das artes fica fragilizado diante desses discursos. A gente tem que tomar muito cuidado com isso. A gente tem que entender a dimensão pública das nossas atividades. A arte tem dimensão pública ou não é nada. Tendo dimensão pública, a arte precisa de fomento e de política pública. É simples pensar isso. A questão é como que a gente cultiva essa consciência em uma sociedade que transforma os seus artistas em criminosos.

É muito grave o período em que a gente está vivendo, então eu tenho muito cuidado quando eu ocupo esses espaços virtuais nesse momento em que somos alvo, neste momento em que o país vive uma necropolítica.

Eu acho importante defender o discurso da provisoriedade desse momento. Não é que a gente vai voltar como era antes, mas como que a gente pode usar a provisoriedade deste momento para estabelecer paradigmas de vida coletiva e de implicação das dimensões públicas daquilo que a gente faz na sociedade de uma maneira mais vigorosa e potente do que estava antes.

Você fala muito sobre dramaturgia expandida e reforça o teatro na relação com o público, sobre encontro e presença, palavras que ganham outras dimensões quando se pede pra não sairmos de casa…

Sim, é claro que tudo que a gente faz, todos os movimentos do mundo ao longo da nossa história influenciam como a arte reage e o que a gente consegue materializar através das nossas ações artísticas. Então é evidente que um período como esse, em que a maioria de nós realmente faz o confinamento, e nós das artes vivas fomos impedidos inteiramente de realizar nossos trabalhos, nossas atividades, é óbvio que essa realidade, essa condição de agora, influencia e influenciará os nossos modos de fazer.

Mas isso também não é novo porque, como eu disse no início, todos os movimentos do mundo influenciam nesse fazer porque as artes vivas elas são necessariamente em conexão, em relação, em profundo vínculo com os movimentos do mundo. Então de algum modo há vasos comunicantes, uma coisa influencia a outra, uma instância se transforma a partir da outra e influencia a outra. É um vai e vem.

Então assim como o teatro muitas vezes ilumina as ideias e possibilidades de vida e de pensamento sobre as pessoas, o contrário também acontece. O que acontece na sociedade também influencia o teatro, sem falar dos modos de produção, como os modos de produção também são vinculados consciente ou inconscientemente aos modos de criação. Existe uma ética na estética. Essas duas instâncias são indissociáveis no meu ponto de vista, mesmo que inconscientemente. Essa é uma das dimensões políticas, aquilo que a gente pode pensar a respeito de produção artística: essa indissociabilidade entre ética e estética, entre modos de produção e modos de criação.

O que me parece fundamental colocar como questão agora e que já era algo muito presente no trabalho que venho fazendo nos últimos anos, é entender justamente a dramaturgia como campo expandido, em que a afirmação desse lugar como gerador de acontecimentos com texturas de real, mesmo que estruturas ficcionais, é uma afirmação de que a arte também é uma realidade. A arte não pode ser apartada de um contexto da vida social. Mesmo tendo a consciência de que historicamente a arte é um lugar de privilégio.

Como que a gente inverte essa curva? Como que a gente expande nas linguagens para expandir a presença das nossas ações na sociedade amplamente em muitos âmbitos. Então aí vem a pergunta: para quem a gente fala e para quem a gente quer falar? Todas as linguagens que eu venho pesquisando, produzindo em termos de dramaturgia, escrevendo, inscrevendo nas encenações – porque encenação e é uma forma de escrita -, os campos também indissociáveis entre dramaturgia e direção, tudo isso busca essa expansão que possa chegar nas pessoas. E é com as pessoas, para as pessoas, e quem, para quem, essa é a pergunta.

Existe um tom de resistência forte nessa agenda por parte dos grupos teatrais. Como vocês têm sobrevivido a esses tempos?

Sem dúvida, esse é um tempo de resistência. O que eu acho importante é que a gente, junto com essa necessidade fundamental de resistir a essas forças retrógradas, opressoras, assassinas, que nos oprime diariamente, é como afirmar modos de existência. Porque se a gente permanece apenas na chave da resistência, isso dura muito pouco. Então para continuar existindo a gente tem que nutrir os nossos novos modos singulares de existência. E como isso pode se dar nesse dia a dia duro, difícil, árduo, precarizante que a gente tem vivido?

Uma das coisas que tem ajudado a gente, por exemplo, na Companhia Brasileira de Teatro – e eu percebo com outras pessoas, outros parceiros artísticos e amigos – é se juntar. Mesmo à distância, saber que você não se acha sozinho. Eu percebo que existem muitos movimentos que estão agindo, que estão se fortalecendo, se apoiando nessa nutrição diária dos sentidos coletivos. A gente não resiste e não pode existir sozinhos. Isso parece óbvio mas não é. A gente está numa sociedade em que a dimensão do indivíduo do sujeito, que se afirma na perspectiva do individualismo, é tão devastadora que a gente quase perdeu a referência do que é ser em relação, do que é ser multidão.

Então caminhar em direção à ideia das multidões que se movem, criam movimentos, geram pensamento nos movimentos, na sociedade… isso eu percebo que muitas e muitos de nós do teatro, por termos a vivência e até a tecnologia da convivência no coletivo, temos usado com uma certa inteligência. E, claro, no âmbito da micropolítica acho que a gente vem agindo bastante. Isso nos tem ajudado a sobreviver nesse momento duro, e a inventar ações e possibilidades de gerar também trabalho nesse momento em que tudo foi retirado de nós.

 A gente não resiste e não pode existir sozinhos. Isso parece óbvio mas não é.

Claro, existem algumas ações fundamentais, poucas mas que são simbolicamente  e efetivamente importantes, como todas as ações que o SESC São Paulo vem fazendo no sentido de se juntar ao movimento dos artistas e reconhecer a importância. Mas isso é muito pouco. Existem também ações individuais, de grupos e coletivos que estão começando a se organizar e entrar em contato com o público gerando uma certa economia. Mas isso ainda é muito pouco e a gente precisa de ações mais robustas, com a consciência da importância desse setor para a sociedade como um todo, pra economia, mas também para o nosso sentido de existência e de humanidade.

Em Por Que Não Vivemos, você nos trouxe um Tchekhov que denuncia essa nossa imobilidade. Você acredita então que, especialmente no setor da cultura e do teatro, vivemos um espírito de proatividade diante de tudo o que está acontecendo?

Eu acho sim que uma das características da nossa sociedade nesses tempos em que vivemos, mesmo antes dessa pandemia, é uma certa apatia. A gente no Brasil foi capaz, por exemplo, de permitir a eleição dessa figura indigesta, inaceitável, obtusa, funesta, como Bolsonaro e uma série de outras pessoas. Nós somos corresponsáveis porque a gente faz parte disso. A gente permitiu, de algum modo, que essa circunstância se tornasse concreta, se materializasse.

Então essa paralisia, essa certa imobilidade que permite que isso venha à tona, por exemplo, revela aspectos da nossa história que a gente não conta, as histórias que a gente não foi capaz de contar do nosso país, as vozes que foram apagadas, os corpos que foram sistematicamente eliminados, as existências que foram recusadas ao longo de toda a história do Brasil. A gente vive, digamos, os estertores de uma história oficial que já não se sustenta mais.

Trecho do espetáculo Por Que Não Vivemos? / Foto: Nana Moraes

Eu acho, e tenho até um certo otimismo, que a gente está no último capítulo dessa história de hipocrisia, porque no fundo está tudo revelado. Caberá a nós fazer com que a consciência sobre a nossa verdadeira história, as nossas verdadeiras histórias, permaneçam iluminadas sempre. Cabe a nós carregar esses faróis, que iluminem as nossas verdadeiras histórias e cabe a nós contar, cabe a nós essas narrativas. en

Quando eu imagino o futuro, eu imagino a partir da ideia de que a gente lance mão das nossas histórias e das nossas narrativas. Essa imobilidade que a gente vê hoje e que está muito retratada na adaptação que eu fiz do Tcheckov, do Platonov, em Por Que Não Vivemos, e essa pergunta “por que não vivemos”, por que não vivemos como deveríamos ter vivido, por que não vivemos aquilo que temos a potencialidade de viver, por muitos motivos não vivemos. Essas perguntas são um chamamento e uma proposição a se colocar na vida em outra perspectiva, na perspectiva do movimento, do impulso, do cultivo, da cultivação da vida, da vida em relação, da vida em convivência, da vida também na perspectiva do outro, da vida em integração com planeta, da vida entendendo que todos somos seres vivos e não deveríamos estar em relação aos outros tendo o homem como centro.

Eu acho que o teatro, as artes vivas, informam, provocam, iluminam a sociedade e às vezes até antecipam e prevêem determinadas situações que a gente acaba vivendo depois. A gente deveria confiar muito nos nossos artistas.

E como você visualiza o futuro? “Onde foram parar as ideias?”, para parafrasear o diálogo com Renata Sorrah. Nós jogamos o trecho do espetãculo na Mídia NINJA e alguns leitores deram suas soluções para o futuro, imagino que o mesmo tenha acontecido durante o espetáculo. 

Sim, depois dessa experiência que eu fiz com a Renata, o Em Companhia no Sesc Ao Vivo, a gente tem recebido muitos retornos, muitos agradeceram essas provocações que a gente colocou ali e além de agradecidos e generosos, foram propositivos.

Renata Sorrah Em Companhia. Foto: Nana Moraes

Quando você me pergunta como eu visualizo o futuro, a única resposta que eu tenho é que eu não visualizo o futuro porque não existe futuro. Não há futuro para além daquilo que a gente possa criar, inventar. É a Rita Von Hunty quem diz isso: não haverá século 22. Isso é profundamente tchekhoviano, né? Tchekhov diz: daqui a 200 anos os que virão depois de nós… Eu tenho esse compromisso, a gente precisa trabalhar sim na vida para os que virão depois de nós.

Se a gente quiser futuro nós precisamos devir futuros, o futuro precisa ser o que a gente faz agora. As nossas ações nos tornam em devires do futuro. Então, qual é o meu devir futuro, meu devir amanhã, é a ação que eu faço hoje, é como meu corpo se inscreve no agora e isso propõe possibilidades de futuro. Esse é o compromisso: o futuro é o que a gente faz agora para que o amanhã exista e não precisa ser o amanhã que parece longínquo, como o século que vem, mas o amanhã imediato. A gente está ameaçado inclusive neste amanhã imediato. Muitos de nós artistas não sabem como comer amanhã, como pagar os seus aluguéis amanhã, como criar meios de produzir, de se manifestar através da sua arte amanhã. A urgência de inventar o futuro é também de inventar um futuro imediato, não só um futuro longínquo, o futuro distante.

É esse devir que está e que deveria estar em nós e que a gente pode fomentar nas nossas próprias existências. É a única possibilidade de futuro na minha opinião, porque ele não existe. Esse futuro romântico, esse futuro também objetivo, cronológico, foi retirado da gente. Não existe mais, acabou. Então qual é o futuro que se inventa? É sendo devir, tornando-se um devir futuro ou encontrando em nós, em cada uma ecada um de nós esse devir futuro.

O que podemos esperar da Cia Brasileira de Teatro para os próximos dias?

Nós estamos vivos. Estamos na mira. Estamos sim sendo impedidos, atacados e no foco do extermínio como todas e todos nós artistas mesmo comprometidos com o país e com o outro, com o sentido coletivo e com a dimensão pública do que a gente faz e com as possibilidades de transformação do mundo.

Todos nós estamos no alvo de extermínio, mas a gente está vivo. A gente está se encontrando virtualmente, a gente está produzindo coisas. Uma semana antes da quarentena a gente estava na primeira residência de criação da peça nova que se chama “Sem Palavras” e que no seu título já anuncia, de uma certa maneira, a falência dos discursos de poder, assim como o estupor diante do horror. Mas também há a necessidade de inventar novas palavras ou novas formas de vibrar conhecimento e sentido pro mundo, quase que como a invenção de outras línguas e linguagens.

A gente continua trabalhando de algum modo. no início da quarentena foi mais difícil mas a gente tem conseguido manter uma certa regularidade de criação de encontro. Essa peça deveria ter estreado em São Paulo no dia 3 de julho, era pra gente estar em cartaz agora em São Paulo. Mas a gente tem esperança estrear essa peça até o fim do ano de algum modo. O “Por Que Não Vivemos” estava em cartaz em São Paulo, no (Teatro) Cacilda Becker e teve sua temporada interrompida. Assim que for possível a gente retorna com a temporada em São Paulo e também viajaremos para Recife para outros lugares.

A gente também tem organizado ações formativas. Realizamos essa ação com Renata (Sorrah) e deve realizar algumas outras. Estou dando um curso on-line chamado Dramaturgias do Hoje e do Amanhã. Estamos na segunda turma e vai até o dia 10 de setembro. Estamos tentando, buscando, inventando se mantendo ativos, conectados e sabendo que a gente está numa batalha que faz parte de uma guerra maior. A consciência de que a gente está, de certa maneira, numa guerra é importante para que a gente não fraqueje, para que a gente saiba da nossa função como artistas, para que a gente não abra mão do combate nesse lugar, que é o lugar da criação e da partilha.

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