Na quarta-feira, 08/07, o Facebook derrubou uma rede de contas ligadas ao clã Bolsonaro e a parlamentares, tanto do PSL quanto do futuro partido Aliança pelo Brasil. Segundo reportagem do portal de notícias UOL e do jornal Folha de São Paulo, as remoções ocorreram porque estas páginas empregavam ações proibidas pela plataforma, tais como o uso de contas falsas, o envio de spam ou adoção de ferramentas artificiais para ampliar a presença online.

Figuras ligadas aos filhos de Jair Bolsonaro (sem partido), um assessor especial do presidente da República, Tércio Arnaud Tomaz e mais cinco assessores de deputados bolsonaristas estariam diretamente envolvidos. Contas falsas, perfis duplicados, personagens fictícios (que fingiam ser jornalistas), páginas que simulavam ser veículos de mídia, manipulação de informações, ataques, ofensas e ameaças a adversários, opositores e a rivais políticos faziam parte da rotina dessa “tchurma”.

O esquema também era usado para difundir informações falsas, atacar o STF, o Congresso Nacional e para disseminar a visão de que a pandemia de Covid-19 não seria uma ameaça séria à saúde pública do nosso povo. Há fortes indícios de que faziam isso a partir de um esquema muito bem estruturado e financiado com recursos públicos, operado por funcionários públicos, em dependências de repartições públicas, no horário de expediente.

A ação do Facebook corrobora com as apurações havidas no âmbito da CPMI das Fake News, do Congresso Nacional e dos correspondentes inquéritos em tramitação perante o STF e o TSE. O que o Facebook fez, portanto, foi apenas descortinar parte da estrutura do denominado “Gabinete do Ódio”, colaborando assim como referidas investigações.

A ação ocorreu apenas um dia depois da “re-aparição” pública do presidente Bolsonaro. Calado havia mais de 15 dias, desde a prisão de Queiroz, eis que ressurge o presidente, alegando estar, supostamente, acometido de Covid-19, desviando a atenção sobre o que de fato importa: os inquéritos sobre fantasmas, rachadinhas, fakenews, envolvimento com milícias, com o assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes e com a compra de votos do Centrão, dentre outras malandragens.

A prática repete o padrão estabelecido desde janeiro de 2019: Bolsonaro lança uma isca – para levantar a tal cortina de fumaça – e a geral morde. Começa, assim, o debate sobre futilidades, piadas, memes, lacrações e congêneres. Com isso, ele ganha mais tempo pra ir escapando das ciladas em que ele mesmo se mete. No caso, o anúncio de que estaria doente aconteceu no mesmo dia do depoimento do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), o filho 01, no âmbito do inquérito que apura a prática de rachadinhas. Ou seja: Bolsonaro é um verdadeiro diversionista. E faz isso como ninguém.

In fact, não desejo que ele esteja doente. E se de fato estiver – como ele afirma estar – desejo melhoras, que se recupere logo. Porém, o mais provável é que o presidente já tenha contraído o novo coronavírus há mais tempo. E o que ele quer agora? Dizer que tomou cloroquina e foi curado; que tem histórico de atleta, que vai vencer a “gripezinha”; que se compadeçam e tenham empatia por ele; que é enviado pelos céus para salvar o Brasil etc… Haja paciência!

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