O Governo Bolsonaro acaba de cometer mais um atentado contra a Educação Pública que afetará, diretamente, o Estado do Acre: o anúncio de um corte linear no orçamento da Universidade Federal do Acre (UFAC) vai retirar R$ 8,8 milhões da instituição, prejudicando o funcionamento do Colégio de Aplicação; o pagamento das bolsas e auxílios de Assistência Estudantil, de Iniciação Científica (PIBIC) e de Monitoria; o funcionamento do Restaurante Universitário (RU), bem como de todas as ações de ensino, pesquisa e extensão.

Os cortes também comprometem as despesas correntes do dia-a-dia, responsáveis pelo funcionamento das instalações físicas da Universidade, tais como o pagamento de energia, água, telefone, limpeza, vigilância, manutenção predial dentre outras necessidades, que já haviam sido penalizadas no ano passado com o bloqueio de R$ 15 milhões no orçamento.

Depois do contingenciamento realizado em 2019 e do desastre na realização da última edição do Enem, ambos sob a batuta do ex-ministro Abraham Weintraub, nem mesmo o novo ministro Milton Ribeiro foi capaz de reverter mais uma medida danosa aos professores, servidores de apoio e alunos, demonstrando, mais uma vez, o desmazelo desse governo para com a Rede Federal de Educação Básica e Ensino Superior.

Na realidade, a questão causa prejuízos bem maiores e abrangentes do que os descritos acima. Segundo reportagem do jornal Folha de São Paulo e conforme proposta de orçamento encaminhada pelo Governo Federal ao Congresso Nacional, em 2021 o ministério da Defesa terá um orçamento maior do que o da Educação em R$ 5,8 bilhões. Nada a se estranhar, em se tratando de um governo que viu aprovar o novo Fundo Nacional de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) sem que uma única palavra a esse respeito fosse dita por seus ministros da Educação que, por sua vez, se sucedem uns aos outros de forma mais veloz do que os espetos se sucedem às mesas em um rodízio de churrasco.

De se estranhar mesmo é o alinhamento político, ideológico e partidário de certos pré-candidatos à prefeitura de Rio Branco – que já ocuparam os cargos de reitor e de pró-reitora da UFAC – com esse governo que não dá a mínima para a Educação. A coerência, nesse caso, passou longe. 

Aliás, sobre coerência, devo dizer que ela é diferente de orgulho, soberba ou teimosia. É preciso sim fazer autocrítica, reconhecer e corrigir erros e até mudar de opinião, desde que seja para melhorar. Mas, não tem cargo, poder, dinheiro ou conveniência política que me faça trocar minhas convicções pelas ideias da moda ou da ocasião. Ao contrário disso, ficar “pirangando” da esquerda para direita, de um partido para outro, conforme os ventos da política lhe soprem em uma das faces de sua cara, em busca de melhores condições para se eleger… Ah, isso aí já tem outro nome: é sem-vergonhice mesmo!

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