Sinto tantas dores
Dores do corpo, dores da alma
Que nem correndo a mente se acalma
Nem fingindo a gente enxerga as flores

Entre as epistemologias do Norte e do Sul
Na sociologia das emergências
E na ecologia dos saberes
A linha abissal que nos separa, aos seres
É sempre maior, não nos dignifica

Do corpo que sofre
Ao que se jubila
Há o moribundo, que se martiriza
E há quem “corazone”, sua suficiência íntima

São tantos tons incolores
Tantos insípidos sabores
Que contra a opressão que grita
E o sofrimento que não se aplaca
Só nos resta a luta

Nov/Dez de 2020

*Uma homenagem a Boaventura de Sousa Santos

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