Foto: Dani Apone

Por Daniele Apone e Bárbara Panseri

Hoje, 5 de setembro, é dia da Amazônia, o bioma mais amado do mundo. Os estrangeiros mal sabem qual é a capital do Brasil, mas sabem que a maior parte deste bioma fica em nosso país. Desde que os cientistas compreenderam a importância da Amazônia para a regulação do clima de todo o planeta, nossa floresta virou tema de estudo da academia global, virou notícia da imprensa internacional e a grande causa de luta de muitas organizações da sociedade civil ao redor do mundo.

Celebridades de todos os cantos do globo estão fazendo cada vez mais ativismo pela manutenção da floresta em pé. Empresas internacionais têm boicotado os produtos responsáveis pelo desmatamento da floresta e cada vez mais recursos de capital privado tanto de empresas nacionais como internacionais têm feito impacto positivo pela nossa terra amazônica. A Natura, por exemplo, assumiu um compromisso ousado: ajudar a zerar o índice de desmatamento na Amazônia em cinco anos. Para isso, serão investidos cerca de US$ 800 milhões (R$ 4,3 bilhões) nos próximos dez anos.

Os povos originários de lá, nossos resilientes guardiões, estão circulando o Brasil e o mundo levando a mensagem de proteção de nossa casa e seus pedidos de ajuda para enfrentamento da Covid-19 tem ecoado por todo o mundo.

Por um lado, temos muito que celebrar neste dia 5 e reconhecer os indivíduos e organizações que estão em luta diária pela preservação da vida de todo o planeta. Um salve a todes que realizaram e realizam um impacto positivo. Por outro lado, as ameaças ao bioma amazônico nunca foram tão significativas como nesses últimos dois anos. Segundo dados do Imazon, houve crescimento de 79% no número de alertas de desmatamento entre os meses de agostos e dezembro 2018 em comparação com o mesmo período anterior. A área desmatada na Amazônia entre 2018 e 2019 foi de 3.647 km² e entre 2019 e 2020 aumentou para 6.059 km² (aumento de 66%).

Foto: Dani Apone

Após desmatar a área, é comum realizar a queimada, como forma de limpeza do terreno. Quando falamos das queimadas, os dados também nos chocam: conforme dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), entre 1º de janeiro e 16 de agosto de 2018, foram detectados 2.662 focos de queimadas no Amazonas; em 2019, foram 6.315 focos (alta de 147%); e em 2020, subiu para 7.098 focos (alta de 7%), neste mesmo período.

O dia em que o céu de São Paulo escureceu em plena tarde, evidenciamos com nossos próprios olhos a conexão do clima entre norte e sudeste. Para aqueles que só acreditam vendo, a evidência estava ali, a olho nu, na forma de uma fumaça preta cobrindo a cidade.

Para aqueles que ainda não acreditam na ciência e seguem com o discurso “mas eles destruíram as florestas deles” ou “vocês, ambientalistas, estão impedindo o progresso” só temos a lamentar pela pobreza de espírito e ignorância dessas almas. Os números, estudos, estatísticas e os negócios da nova economia que emergem à luz do urgente desenvolvimento sustentável estão aí. Só não conhece quem não quer ver. Estão na mídia, estão na academia, estão nas organizações de base comunitária. Os pontos luminosos, aqueles que estão empreendendo a nova era, são caminhos sem volta.

Um exemplo de uma nova economia que está nascendo é no estado do Amazonas a partir da Zona Franca de Manaus e Bioeconomia. Um modelo de desenvolvimento sustentável com estímulos aos investimentos, diversificação das atividades econômicas e dinamização do parque industrial, que integre a Zona Franca de Manaus e a vocação natural da região à inovação tecnológica e ao uso da biodiversidade amazônica – a Bioeconomia. Com investimentos públicos e privados de R$ 7,15 bilhões em infraestrutura, ao longo de dez anos, é possível criar 218 mil empregos diretos e indiretos. Precisamos focar na eleição de legítimos políticos nas próximas eleições e continuar a pressionar empresas realizem investimentos sociais por lá.

Neste dia de hoje, vamos celebrar todos os estudos (confira o estudo mencionado acima aqui), programas, projetos, organizações e indivíduos que estão em luta pela Amazônia. Esse texto foi escrito em memória e honra àqueles que já lutaram e se foram deste tempo, nosso caloroso agradecimento. E para nós que aqui estamos, que tenhamos luz e força para continuar e vencer.

Em breve, nenhuma só árvore será derrubada e nenhuma vida humana será violada. Se você quer fazer parte dessa história de vitória e celebrar o dia de hoje, comece a fazer algo agora. Seja voluntário de uma das centenas de organizações que atuam nessa causa, doe recursos financeiros para elas e planeje sua próxima viagem para fazer turismo sustentável e conhecer os encantos da maior floresta tropical do mundo.

Neste dia 5 de setembro, faça uma reza, sintonize-se com seus ancestrais, agradeça pela sua vida, pelo ar que você respira e celebre a maior biodiversidade de vida do mundo que existe e resistirá do Brasil para todo o mundo.

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