Não podemos mais esperar por programas sérios contra a gravidez na adolescência

Não podemos mais esperar por programas sérios contra a gravidez na adolescência

Entenda por que o projeto da “Semana Escolhi Esperar” é uma tragédia anunciada para crianças e adolescentes

Na próxima quinta-feira, 17/06, acontece em São Paulo a segunda votação do projeto de Lei (PL) 813/2019, “Escolhi Esperar.” Trata-se de uma proposta equivocada para enfrentar o problema da gravidez precoce. A proposição apresenta como solução para a questão a abstinência sexual como política pública.

O vereador que protocolou o PL na casa é Rinaldi Digili, recém-filiado ao PSL, um bolsonarista orgulhoso em suas redes sociais. Como todo falso defensor da família, a visão do proponente e dos que defendem a proposta é de que a sociedade está corrompida pelo feminismo, pelas pessoas LGBTQIA+, o sexo banalizado. Desta forma, crianças e adolescentes acabariam fazendo sexo porque são estimuladas a fazê-lo. Para eles, as diretrizes e políticas existentes para tratar a questão da saúde e sexualidade de adolescentes falham, uma vez que a gravidez precoce ainda ocorre no país.

Você que me lê, deve ter pensado, assim como eu, “Mas e a violência sexual contra crianças e adolescentes?”

Eles ignoram essa realidade. E repetem sem parar que o projeto não é sobre violência sexual. De acordo! Não é mesmo, mas deveria ser.

Entretanto, a moral e visão de mundo desta gente são muito peculiar. Eles se veem como salvadores de uma juventude “perdida” em baile funk mas não estão preocupados com o fato de que a cada uma hora, quatros crianças (meninas e meninos) sejam abusados sexualmente no Brasil. E não se importam em saber que esta violência seja uma das causas da gravidez precoce no país.

O abuso sexual e a pedofilia no Brasil são problemas gravíssimos, esforços para sua mensuração e enfrentamento estão sempre aquém da realidade camuflada e subnotificada. Ainda assim, é possível notar uma correlação entre os abusos e gravidez na adolescência.

De acordo com estudo do Ministério da Saúde, das notificações de estupro praticado contra crianças e adolescentes, entre 2011 e 2016, cerca de 20% resultou em um ou mais nascidos vivos. Em quase 70% dos casos, o agressor era conhecido ou familiar da criança (entre 10 e 14 anos), enquanto entre adolescentes (15 a 19 anos) o mesmo ocorreu em quase 40% dos casos.

Assim como ignoram um dado fundamental da nossa realidade, negam as evidências científicas a respeito da eficácia da abstinência sexual como foco da educação sexual para adolescentes.

A Sociedade Brasileira de Pediatria corrobora a posição da Sociedade de Saúde e Medicina do Adolescente norte-americana sobre a necessidade de se adotar uma abordagem compreensiva da sexualidade adolescente, que inclua respeito à diversidade cultural, sexual e de gênero, ao direito de receber informações seguras sobre sexo, sensibilidade de profissionais de saúde e educadores, oportunidades para o conhecimento de métodos de proteção à saúde e prevenção da gravidez, como nos informam pesquisadoras brasileiras.

Se eles ignoram a ciência o que esperar de diretrizes e políticas já existentes?

No âmbito federal, existem três documentos que fornecem diretrizes para o cuidado da saúde sexual de adolescentes e jovens no Brasil – e em nenhum a educação para abstinência sexual é adotada como política – todos desconhecidos pelo proponente e pelos apoiadores do projeto.

Além disso, na cidade de São Paulo, dois programas no âmbito da Secretaria Municipal de Saúde abordam a questão. Mas lamentavelmente não é com aperfeiçoar a política, verificar sua eficácia, efetividade ou eficiência que eles estão preocupados.

Quem se beneficiará com esta política?

O nome do projeto é uma alusão explícita a uma campanha de origem religiosa promovida por um casal de pastores que tem como proposito “fortalecer aqueles que escolheram se preservar sexualmente até o casamento e disseminar os princípios eternos nas áreas afetiva e sexual”.

Apesar de negar qualquer relação com a campanha, nas duas audiências públicas realizadas para discutir o projeto, o vereador Digilio convidou para defender a proposta nada menos que um dos consultores científicos da campanha, o senhor Thiago De Melo Costa Pereira.

O projeto de Lei prevê que Unidades Básicas de Saúde, escolas publicas ou privadas possam celebrar parcerias com organizações não governamentais e entidades afins para implementação dos objetivos da proposta. No site da campanha, pode-se facilmente levantar que atualmente 1500 adolescente são atendidos por projetos, mas a meta é chegar em 50.000!

Além de ferir a laicidade do estado, garantida pelo art. 19 da Constituição Federal o projeto, de forma ainda mais evidente, fere o art. 37 que versa sobre a impessoalidade da Administração Pública, como precisamente apontaram o Núcleo Especializado de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulheres – Nudem e o Núcleo Especializada da Infância e Juventude, ambos da Defensoria Pública de São Paulo, em Nota Técnica divulgada na última semana.

Além desta alusão mais do que explícita a uma campanha promovida por entidade de direito privado, merece nota o fato de que o projeto foi protocolado na Câmara Municipal de São Paulo em 2019, mesmo ano em que a ministra Damares propôs uma campanha nacional de promoção da abstinência sexual como forma de enfrentar a gravidez na adolescência e a transmissão de IST/HIV.

Para a ministra Damares, ensinar métodos contraceptivos para essa população “normaliza o sexo adolescente”, tendo em vista que nem todos iniciaram a vida sexual.  De acordo com nota técnica do Ministério da Damares, o sexo na adolescência leva a “comportamentos antissociais ou delinquentes” e “afastamento dos pais, escola e fé”.

Mesmo diante desses fatos, o projeto conta, até o momento, com apoio da maioria dos vereadores de Casa.

Não é difícil entender o cenário, ainda que seja impossível aceitar a realidade.

A Câmara Municipal de São Paulo sempre esteve mais à direita no espectro ideológico. E nesse momento, reflete exatamente a aliança entre liberais e fundamentalistas que levou ao golpe da presidenta Dilma e a eleição de Bolsonaro.

Então, o troca-troca de apoios é explícito. Numa tarde, a base governista aprova a privatização da cidade, na outra, aprova um projeto como o Escolhi Esperar.

Não é novidade que a direita tenha incorporado a disputa em torno de pautas morais, para atrair atenção de eleitores conservadores nos costumes. Tampouco é recente o uso de moral e dogmas religiosos como diretriz para pautar políticas públicas ou negar direitos em nosso país.

Com aproximação das eleições e aumento da rejeição ao governo Bolsonaro, pela condução do país nessa pandemia, resta a ultra direita bolsonarista apostar todas as fichas nesse discurso difuso e confuso sobre defesa da família contra a desintegração do tecido social.

Com a morte de Bruno Covas, a cidade de São Paulo está nas mãos do ultraconservador, Ricardo Nunes, que à época das discussões do Plano Municipal de Educação, em São Paulo, ocupava a tribuna para falar de “ideologia de gênero” e desintegração da família.

Não atoa, o vereador Digilio manifestou com muito orgulho ter apoio da Casa Civil para a proposição desse projeto. Deve ter saído de lá também o apoio financeiro, leia-se dinheiro dos nossos impostos, para a Motociata da Morte, no dia 12 de junho, promovida pelo genocida que nos desgoverna.

A votação deve agitar o centro da cidade, dentro e fora da Câmara. Nós feministas estamos articuladas para não aprovação deste projeto em plenário, enquanto o movimento feminista, organizações sindicais e partidos prometem estar em frente a Câmara manifestando-se contra o projeto.

Live coding e o mundo do DevRel

Live coding e o mundo do DevRel

Entenda como as pessoas produzem conteúdo gratuito de tecnologia para conquistar vagas na área de TI

O mundo da Live Coding é fantástico e tem muitas comunidades e pessoas envolvidas, por isso será escrita em duas partes.

Se você é uma pessoa que ama desenvolver soluções, quer entrar na área de TI ou quer entender um pouco mais sobre desenvolvimento da carreira, então venha comigo! Quero te mostrar que existe o devrel, o advocate, o tech community manager e especialista dentro da área de TI.

Developer Relations ou DevRel

Algumas empresas produtoras de tecnologia têm uma área focada em todo esse universo de dividir conteúdo e se relacionar com comunidades. Essa área é a de Developer Relations.

Eddie Zaneski, gerente de relações com desenvolvedores da DigitalOcean em um artigo da Forbes cita que os pilares dessa área são os 3 C’s: código, conteúdo e comunidade.

Pois o dia a dia de uma pessoa que atua com DevRel (seja qual for o papel dela) se baseia em entender o que a comunidade fala, produzir conteúdo técnico (tutorial, hands on, webinar ou até mesmo hackathons) e retornar o feedback de forma qualificada da comunidade sobre aquela tecnologia abordada. Porém, para esse profissional ser respeitado e conseguir executar seu trabalho com maestria, ele tem que ser uma pessoa com um profundo conhecimento técnico e também sobre as regras implícitas na comunidade ao qual ele representa e atua.

Trazendo alguns nomenclaturas muito comuns temos:

DevRel: é o nome da área em questão, porém algumas empresas têm usado como cargo, por essa ser uma área ainda pouco conhecida.

Developer Advocate: é normalmente um desenvolvedor experiente que possui um grande conhecimento e relacionamento com comunidades e entra para área com um foco em atuação mais precisas (feedbacks qualificados, organização de grandes eventos e POC com empresas utilizadoras de suas tecnologias). Ele sempre “advoga” em prol de uma tecnologia ou produto.

Tech Community Manager: Normalmente uma pessoa desenvolvedora que estudou sobre marketing digital e entende muito sobre a utilização de redes sociais. Em suas atividades estão criação de conteúdos como Blog Post, interação em fóruns, twitter, linkedin e as redes sociais da empresa.

Encontramos um conteúdo muito amplo e bem esclarecedor sobre essa temática no livro “The Business Value of Developer Relations” escrito por Mary Thengvall, diretora de Developer Relations da Camunda, uma citação muito comum que ela fala é:

“There’s a phrase that I always go back to,” she says, “To the community I represent the company, to the company I represent the community, and I must have both of their interests in mind at all times.”

Traduzido:

“Para a comunidade eu represento a empresa, para a empresa eu represento a comunidade e devo ter os interesses de ambos em mente o tempo todo”

Ao nosso ver, esse é o grande pulo do gato para saber fazer o relacionamento com o desenvolvedor de forma correta. Pois hoje essa área vem crescendo muito e por não ser tão conhecida no Brasil existem várias formas de abordagem, quanto às atividades exercidas. Acreditamos que ela continuará crescendo e se consolidando e auxiliando no caminho de dar mais voz aos desenvolvedores.

Esse ecossistema no Brasil tem se desenvolvido cada dia mais, e é aqui que entra a LIVE CODING. Uma maneira onde as comunidades estão dando “a mão ou o código” para ajudar diversas pessoas a desenvolverem suas habilidades e se conectarem com diversas oportunidades que os DevRels, acabam trazendo. Essa forma é muito diferente de uma seleção de RH e por isso o ecossistema como um todo e todos os envolvidos são importantes no processo.

E é aqui que te apresento histórias de pessoas incríveis.

Uma jornada do herói no desenvolvimento

Daniel Reis ou Danielhe4rt tem 21 anos, veio do interior de São Paulo e iniciou seus estudos de programação aos 11 anos de forma autodidata, mas foi aos 13 anos que, por influência do seu professor e mentor apelidado de “sorriso_srs”, ele começou a estudar a linguagem PHP, linguagem hoje de que se tornou especialista. Com 15 anos, conseguiu o seu primeiro freelancer junto ao seu professor, realizando uma automatização para o jogo de navegador Tribal Wars usando a biblioteca jQuery. Quando estava no ensino técnico, um ano após seu primeiro freelancer, conseguiu mais um, mas agora se tratava de criar programas para realizar operações simples dentro de um sistema para os seus colegas de classe. Foram diversos projetos, visto que a turma estava dividida em grupos e cada um precisava entregar um.

Antes de completar 17 anos, seu mentor e professor faleceu de forma muito precoce, e prometeu para si mesmo que levaria consigo a cultura do ensinar sem cobrar, um dia.  Em 2016, foi convidado a participar de uma startup que deu muito errado por diversos motivos, depois foi convidado para fazer parte de outra, mas em Curitiba, e essa deu mais errado ainda. Por fim, com todos esses problemas, teve que voltar para a casa dos pais e foi fazer faculdade de Análise e Desenvolvimento de Sistemas na FATEC Cruzeiro – SP.

No ano seguinte, recebeu o convite de uma terceira startup (mais tarde se arrependeria muito de ter aceitado), trancou a faculdade para trabalhar com eles. Após uma semana, tendo perdido o semestre e percebido a farsa em que havia se metido, conheceu uma pessoa que o ofereceu uma vaga de emprego em São Paulo, fazendo-o sair do interior do estado e ir para a capital trabalhar como desenvolvedor Full-Stack na empresa W1 Finance por quase 2 anos. Após esse período, mudou de emprego para trabalhar como programador back-end na empresa Fabapp por 11 meses, trocou para a i9XP para trabalhar como full-stack engineer por 10 meses, onde agora, por fim, está trabalhando como programador back-end da Leroy Merlin.

Lives de código com até 5 mil pessoas

https://www.twitch.tv/danielhe4rt

Daniel descobriu o mundo da live coding em julho de 2018, o intuito era estudar mais a fundo alguns temas de programação para implementar um novo ecossistema dentro da empresa onde trabalhava. A partir da live, ele conseguiria ter mais foco e aprender junto com outras pessoas. Os meses se passaram e, em setembro, ele resolveu fundar a He4rt Developers junto de alguns amigos que fez durante as suas lives. A proposta inicial era ter um lugar para que ele pudesse conversar e trocar conhecimento com as pessoas que participavam da sua live. Aos poucos e de forma orgânica, a comunidade foi se desenvolvendo e a proposta dela se tornar um local onde as pessoas poderiam aprender e ensinar foi sendo desenvolvido e tornando-se o que é hoje.

As lives também evoluíram e tiveram diversas modificações em seu conteúdo, apesar do Daniel ainda estudar e usar a live para aprender sobre diversos assuntos, ele também busca criar conteúdos dos mais iniciais aos mais avançados para que as pessoas que o assistem consigam aprender e presenciar como um programador com certa experiência desenvolve programas e sistemas, desmistificando alguns mitos da programação.

Por que não cobrar?

Daniel segue a filosofia do seu mentor, adotou esse modo de pensar e ensinar para si, como se ele tivesse retribuindo o que lhe foi feito.

“Luto por criar um espaço em que possa criar e distribuir conhecimento de qualidade sobre programação para o maior número de pessoas que puder. Demonstrando que todo mundo pode vir a se tornar um desenvolvedor ou desenvolvedora e que não é necessário que as pessoas paguem rios de dinheiro para isso.”

Seu desejo é conseguir fazer parcerias e angariar patrocinadores que façam com que seu canal torne-se autossuficiente monetariamente. Dessa forma, conseguirá se dedicar a ensinar e produzir conteúdo gratuito para a comunidade.

O que é a He4rt Developers?

A He4rt é uma comunidade de programadores criada por Daniel Reis, mais conhecido como Danielhe4rt, que tem como objetivo desenvolver e disponibilizar material gratuito de programação e um espaço para que as pessoas consigam expor as suas dúvidas e elas serem sanadas por outros programadores. A filosofia da comunidade é que tudo ali é feito pela comunidade e para a comunidade, dessa forma, é criado um ambiente na plataforma Discord para que os membros possam aprender uns com os outros, fazer amizades e formar times para desenvolverem juntos projetos para praticar ou para realizar algum trabalho contratado.

Treta, na rede

Daniel é muito conhecido por suas tretas, ele “treta” sobre tudo. Entenda:

Treta 1 – Bolha Dev das redes sociais

“Entendo que as pessoas jogam muitas regras sobre o que um iniciante deve fazer, mesmo sem saber o que a pessoa de fato quer e isso bagunça toda a trajetória do indivíduo iniciante por achismos de rede social. Eu simplesmente NÃO consigo ver essa galerinha ganhar engajamento falando inverdades sobre como é a trilha de um desenvolvedor iniciante, sendo que muitos deles NUNCA tiraram um tempinho para ajudar algum dos que ficam perguntando N vezes nas redes sociais. Ajudo iniciantes praticamente TODO SANTO DIA, então eu entendo qual é a frustração dessa turma. Onde eles sentem que tudo que é mostrado nas redes sociais eles DEVERIAM saber, mesmo sendo coisas ABSURDAS onde nem mesmo quem fala sabe sobre algo.

Algo bem comum é espalhar que linguagem X é melhor que linguagem Y e eu faço questão de pedir argumentos sobre. Toda vez que um iniciante chega falando acerca disso pra mim e vejo que NÃO existe NENHUM tipo de fundamentação em volta dessas falas e isso ecoa muito para as pessoas iniciantes… Eu mesmo já fui uma dessas pessoas que só falava e não sabia argumentar, pois via sempre outras pessoas dando hate sem motivo. É nosso trabalho instruir essas pessoas, fazê-las argumentarem sobre esses assuntos para que elas possam aprimorar e entender por elas mesmas, e não depender do tiozão cansado do Twitter”.

Treta 2 – Cursos com custos abusivos

“Um dos viewers do canal, em certo dia, chegou me perguntando o que eu achava sobre a empresa de cursos que vamos chamar de CodeCode (nome fictício). Eu nunca tinha visto antes, mas abri o site deles em live para ver como era, e eu critiquei algumas grades que não falavam muito sobre o curso e como os layouts do site eram zoados etc. Eis que durante a live, me chega um número desconhecido mandando mensagem no whatsapp comercial falando que queria me processar, tentando ganhar pelo medo e quando viu que não iria rolar, tentou me contratar pra fazer cursos para sua empresa, onde também não rolou”.

Uma ideia muito errada das pessoas é que eu tenho algo contra funcionários dessas empresas que vendem cursos a preços abusivos, mas o problema de fato é com as EMPRESAS. O trabalho exercido pelo criador de conteúdo é um trabalho como qualquer outro, para pagar as contas e dar continuidade a sua carreira. Eu mesmo, utilizo da plataforma Laracasts, que custa U$ 15,00 mensalmente para poder estudar quando preciso e esse preço está ENCAIXADO na minha realidade, que infelizmente não é a de todos os brasileiros.

Hoje, no meu canal, já foram sorteados/resgatados 660 cursos variados da Udemy, que sempre estão num preço acessível de R$ 25,00 ou até menos. A Udemy é uma plataforma que democratiza o conhecimento e deixa a um preço acessível TODA SEMANA e nós damos sempre prioridade a entregar cursos de lá para os nossos viewers e incentivar criadores de conteúdo a continuarem produzindo.

Treta 3 – DanielaHe4rt

Um certo dia, uma pessoa chegou me convidando para participar de um Podcast onde ele queria entender mais sobre minha trajetória, e eu nunca tinha participado de um, mesmo após N convites e decidi ir nesse, já que a pessoa estava começando na Twitch, queria dar essa moral pro nosso amigo. Eis que um dos membros da He4rt viu que ele estava online na Twitch, testando seu Overlay e esqueceu a live ligada e estava passando de live em live comentando sobre outros canais e tirando sarro, ao mesmo tempo, que queria convidá-los para o podcast.

Todo o conteúdo foi clipado e apresentado no canal, porém de um jeito diferenciado. Minutos antes de começar a live, uma pessoa que morava comigo estava se maquiando e testando uma peruca nova que ela tinha comprado. Ela tinha uma reserva e eu pedi para que ela colocasse a peruca em mim e fizesse um delineado. Eu não sei o que se passou na minha cabeça, achei que seria engraçado.

Foi a pior coisa que eu fiz. Não entendia o impacto disso na vida das mulheres e pessoas LGBTQI+. Vi que rolou uma revolta no meio da comunidade tech e fui “cancelado” no meio por uma fala que encaixou muito mal com o contexto, onde encaixei a piadoca padrão dos desenvolvedores, inclusive de muito mal gosto, onde nos assemelhamos a garotes de programa.
Após esse incidente, algumas minas que acompanham o meu canal me chamaram no privado para falar que se sentiram incomodadas e explicaram o motivo e claramente eu entendi e pedi desculpas. Fui atrás de entender um pouco mais sobre o contexto da turma LGBTQI+, onde pessoas me indicaram para conversar com uma psicóloga transexual e ela me deu uma surra de realidade. Depois disso, eu fiquei mais atento para poder educar meu chat nesses pontos de que eu não tinha plena visão anteriormente.

Fuskinha – comunidade DEVHOUSE
Discord

Falamos com o Fuskinha e poucos o conhecem como Pedro Henrique, com 6 anos de experiência, atuou como Dev e como instrutor Java. Para ele fazer live coding guarda o propósito em compartilhar experiência, conhecer as dificuldades de outras pessoas e poder ajudá-las, pois segundo ele uma das melhores formas de se aprender é ensinando. Agora com a DevHouse (um ambiente de compartilhamento de conhecimento das mais variadas stacks) ele pode ajudar de forma mais efetiva a comunidade tirando dúvidas com seu conteúdo além de fortalecer o networking. Consciente do processo evolutivo de carreira, ele espera compartilhar suas experiências, e mostrar que cometemos erros nos mais diversos níveis de senioridade, mas o que aquece mesmo o seu coração é quando ele recebe um feedback de alguma das pessoas que ele ajudou.

Caio Emidio – Em1Dio COMUNIDADE HUB

https://www.twitch.tv/em1dio

Acesse o discord:ahub.tech/discord

Bacharel em Ciência da Computação pela PUC Paraná, esse apaixonado por música e compartilhamento de conhecimento está desde 2019 atuando em Dublin, na Irlanda, e em janeiro deste ano entrou para o mundo da Twitch.

Ele nos contou que foi amor à primeira vista, quando estava no Brasil já era apaixonado por comunidades e por contribuir. Em 2020, em conjunto com amigos, fundou a comunidade Ukecode (www.ukecode.org, que anda meio pausada atualmente, mas promete voltar) onde participavam de muitos hackathons e fizeram projetos maravilhosos juntos, pois para ele a união da comunidade é uma das coisas mais lindas que tem, e como através da comunidade se discutem boas práticas de código, revisão do código, parcerias em projetos e collabs. O grande diferencial do seu canal é que um dos objetivos é retornar para projetos de pessoas da comunidade todo o dinheiro arrecadado. Em 2021 co-fundou a HUB. Uma comunidade que reúne pessoas com vários níveis de conhecimentos em canais únicos, dando mais praticidade e engajamento com a comunidade.

Pokemao

https://www.twitch.tv/pokemaobr

Esse matemático com MBA em SOA é um evangelista de PHP, atuando durante 3 anos como Community Manager se apaixonou cada vez mais por comunidades, tanto que desde agosto de 2019 ser streamer na Twitch, tem sido seu trabalho .

Seus live coding têm foco em conteúdo educativo e de entretenimento, com um conteúdo bem diversificado e diário, ele faz entrevistas (!chamaeu), ensina programar funcionalidades novas para seu bot, e alguns dias até joga com seu público. Sendo sua própria comunidade uma vez que ele tem 5,9 mil seguidores em seu canal na Twitch, 1,43 mil inscritos em seu canal no Youtube e 6,9 seguidores no Twitter, dividir conteúdo não só é seu propósito, mas seu trabalho.

Já apresentou stand-ups em eventos como: Campus Party, Intercon, PHP Experience, JS Experience, Capiconf, PHP Community Summit, TDC,  Full Stack Experience, Internorte, PHPeste, Darkmira Tour, Vus.JS Summit, RubyConf e muitos outros.

Isabella Herman, comunidade He4rt Developers

Isa e Viniccius fazendo ao vivo o “Pair programming” que é quando duas pessoas desenvolvem projetos ao mesmo tempo. https://www.twitch.tv/isabellaherman

Isabella Herman com seus 22 anos já sabe o que quer, desenvolve games e é dona de uma didática maravilhosa, super aberta a entender todos os pontos de vista dentro da comunidade tech, e fazer live coding na Twitch se tornou uma paixão.

Na sua visão live coding é a melhor forma de se conectar com seu público, sem códigos prontos e perfeitos, onde podemos mostrar nossos erros e acertos e contamos muitas vezes com ajuda do público que nos assiste.

Ver como a comunidade é unida, e muitas vezes pegam os seus projetos apoiando como se fossem deles, sem mencionar todas as mensagens que ela recebe sobre como tem inspirado pessoas ao redor do Brasil, a conhecerem e se apaixonarem pela área de jogos tem deixado os dias da Isa muito melhor.

Seu grande foco é inspirar os outros de forma “real”. Sendo um ser humano que erra, que não tem uma realidade ideal como grande parte dos tech influencers tentam vender na internet, para que as pessoas possam ver que independente da realidade delas elas também podem iniciar na área de TI.

Patricia, comunidade Feministech

https://www.twitch.tv/pachicodes

Patricia ou PachiCodes como é conhecida na Twitch é do time de DevRel da Newrelic, como ela conta em no artigo DevRel: O básico. Sua entrada na área foi por acaso mas ela se apaixonou por esse mundo de relacionamento com as Comunidades. Hoje ela está à frente do engajamento pelo Twitter da empresa, fazendo conexões verdadeiras com os desenvolvedores, porém foi em 2020 que ela se deu conta desse mundo relativamente novo de Developer Relations. “Eu já fazia DevRel sem saber o que fazia”, disse.

Ativa na Twitch desde 2019, vem dividindo sua jornada como desenvolvedora e em junho de 2020 formou o Live Coder Girls, que agora Feministech, uma comunidade para mulheres, pessoas que se identificam no feminino e pessoas não-binárias onde dividem conteúdo através das lives

Leona, comunidade Feministech

https://www.twitch.tv/leonadev

Leona é uma desenvolvedora Java Script não-binária e seu início no mundo da Twitch foi com a singela expectativa de compartilhar conhecimento com algumas pessoas conhecidas, porém ela acabou sendo abraçada pelo público de forma tão carinhosa que se surpreendeu.

Foi aí que surgiu o convite para participar do Feministech, como mulheres e pessoas não-binárias sempre foram sua fonte de inspiração, ela topou esse convite com o propósito de ajudar a inspirar as pessoas a se libertarem e viverem como realmente se identificam e lutar pelo espaço, e onde querem estar independente de julgamentos.

Amandita, comunidade Feministech

https://www.twitch.tv/amanditadev

Amanda aos 24 anos é dona de uma experiência muito grande. Desde os 9 anos, ela estuda desenvolvimento focado em games, sua paixão pelo mundo da tecnologia só aumentou conforme ela ia estudando.

Nos últimos dois anos ela migrou para área de design, o que fortaleceu seu desejo por se tornar uma desenvolvedora Front End. Seu início na Twitch foi com o foco em retro games mas sempre trazendo conteúdo e discussões sobre a indústria com o intuito de ajudar outras pessoas  que estejam iniciando na tecnologia.

No início do ano migrou o canal para focar em live coding, contribuindo para comunidade com seu conhecimento em desenvolvimento e jogos .

Como uma mulher trans, bissexual, ela quer ajudar pessoas que estejam se questionando sobre diversidade, sobre seu espaço e possibilidades na indústria, além de poder contribuir de alguma forma com o desenvolvimento delas.

Na próxima coluna na parte 2, você irá conhecer quem está gerando conteúdo gratuito, links e github, muito vídeo, vagas de empresas e mais histórias que poderá te inspirar nessa trilha de dev.

Até mais!

As bombas que não mataram. O que fazer sob regime fascista?

As bombas que não mataram. O que fazer sob regime fascista?

Sobre a Juliana Paes e o que fazer em tempos de fascismo.

Em 1937, como parte da ajuda de Hitler ao conservador Francisco Franco para derrotar o Governo Republicano durante a Guerra Civil Espanhola, a temível equipe de aviação alemã chamada “Lutwaffe” bombardeou várias cidades espanholas.

Andres Delgado escreveu em 2017 para a revista “Ultimo Round” que em uma cidade do País Vasco, houve uma bomba que atingiu a terra, mas nunca explodiu. A bomba foi embutida no meio da praça central da pequena cidade. Os moradores surpresos e assustados não ousaram movê-la, muito menos desarmá-la. Lá permaneceu por anos durante o governo de Franco como um símbolo de morte, do poder do regime e do castigo de quem se revelou.

Um dia de primavera, pela manhã, Julen se cansou dos detalhes da paisagem que arruinava a praça, procurou por ferramentas e decidiu desmontar e remover o dispositivo. Nas primeiras horas trabalhou sozinho, ao meio dia já contava com a ajuda dos amigos. (Porque se há algo pelo que morrer, que seja com os amigos). No meio da tarde, todas as pessoas da cidade já estavam na praça, na expectativa e colaborando como podiam.

Ao anoitecer, eles a desarmaram, entraram em uma carroça e decidiram que iam levá-la para a cidade vizinha, onde ficava a sede municipal da região. Mas o interessante da história foi o que encontraram dentro da ponta da bomba. Lá, junto com cabos e pedaços de metal, eles encontraram um papel manuscrito que continha apenas algumas palavras. Achavam que poderia indicar o local onde foi feito, seus componentes ou algumas instruções de uso, mas mesmo assim despertou a curiosidade das pessoas.

Claramente não estava em vasco, espanhol ou inglês. Aparentemente era alemão. Na aldeia, só havia uma pessoa que conseguia decifrar a escrita: Mirentxu, que quando criança, por causa do trabalho do pai, havia passado alguns anos em Hamburgo. Mirentxu estava como era natural, na praça. Ela foi solicitada e assumiu o papel.  Demorou não mais de meio minuto em ordenar as palavras e a gramática na sua jovem mente. Finalmente, para cortar o suspense, disse olhando para todos os seus vizinhos (que ao mesmo tempo a olhavam em silêncio): “No papel está escrito o seguinte: Saudações de um operário alemão que não mata inocentes”.

Ninguém saiu da praça nas horas seguintes. Eles discutiram, conjeturaram e interpretaram o manuscrito de mil maneiras.

Por fim, antes da meia noite, o povo decidiu por unanimidade que a bomba não iria embora, até mesmo voltaria ao seu lugar.  A partir daquele momento, a bomba na praça passou a simbolizar a resistência, o fim do medo e o poder de um povo com consciência de classe. Tudo isso como um presente de um trabalhador alemão que, em meio à ditadura nazista, arriscou a pele e deixou claro que nem o medo nem o regime seriam capazes de torná-lo um monstro a mais.

Histórias como essa da pequena cidade dentro do país vasco nos ensinam algo bem simples: sob regimes de violência e morte não existe neutralidade, se você faz parte de um regime de morte, você o sabota desde dentro. Não se trata de bandeiras políticas, se trata de empatia com os outros, de leituras sobre o lugar dos outros. Lembre bem disso: se você faz parte de um regime de morte, sabote-o desde dentro, que a história irá lhe retribuir com o melhor prêmio reservado a um ser humano: a imortalidade junto aos que lutaram do lado certo da história.

E @ palhaç@ o que é… uma figura que se posiciona! A posição do riso na rede, um manifesto!

E @ palhaç@ o que é… uma figura que se posiciona! A posição do riso na rede, um manifesto!

Falarei… sobre delírios aqui, porém os verdadeiros! Contumaz no início dessa coluna um desabafo à classe artística, que pode fazer parte de uma velha guarda, ou até alguns jovens que não se posicionam mesmo com muito poder de milhões em audiência, que se publicam através das redes, as e os artistas que migraram da televisão, influenciadores digitais, instagramers, comediantes de twitch.tv, Youtubers! Chamo a todes! Uni-vos, pelas redes. Assim como Tiktokers e Kpoppers se movimentaram contra o comício do velho presidente de topete e ex-apresentador de reality show (tomem cuidado com esse perfil, que estes gatunos tão querendo aparecer nas urnas em 2022). PRECISAMOS nos organizar!  O cerco está fechado tal qual a cabeça de agulha, não há mais, mas… temos que nos manifestar na medida do seguro e possível! Do impossível talvez, pois pensem só a condição desta sinopse que segue e vejam se vocês atuariam neste filme…

“… Era uma vez… Em um reino, desolado por uma grade aniquilação, perto do cinto do mundo, nos trópicos, se uniram em uma alucinante peripécia… Uma conselheira real do príncipe que vê símbolos fálicos em instituição de pesquisa sanitária da coroa, um nobre conselheiro do rei em assuntos culturais, que assusta armado, em tom jocoso, pessoas pelo corredor do palácio, um ex-senhor feudal de província, que receita em discurso sem camisa, solda elétrica, contra a Epidemia, que assola os moradores do reino, uma atriz, acompanhada por várias outres da classe artística, representantes da elite feudal, está achando o papo de morrer… pesado demais, e que vive citando puns de palhaços em seus discursos, além de gritar que as flâmulas do castelo nunca serão vermelhas, e balbuciar coisas como ‘pra frente covil, covil, salve a seleção!’ uma família real para lá de controversa, que vai de donos de manufaturas de doces, que recebe saquinhos de ouro rachados entre seus vassalos, e herdeiros com obsessões sobre armas, e que confabulam teorias sobre sociedades imaginárias de dragões vermelhos e mandam punir quem discorda destes frenesis.

Acompanhados por uma legião de lemingues de bigodes suntuosos, com motos e capacetes pontudos, conduzindo uma caravana delirante para o abismo, espalhando deliberadamente a ideia que um elixir mágico que vai protegê-los do Surto Epidêmico que assola o reino, baseados nas palavras de um conselheiro extravagante escondido em um bunker em outro reinado, e embalado por ritos de guerra como ‘É só uma Pestezinha’, e ‘Não somos Maricas!’ E tudo termina num dilúvio, de onde descerá a pouco um cara vestido de presidente, em cima de uma Banana Boat e jogará bananas em alguns jornalistas, e uma claquete pada dará risada deste show de horrores, dentro de um cercadinho  e de um picadeiro com bufões nada engraçados.”

… Essa trupe do barulho promete altas aventuras na condução do reino na Sessão da Tarde de hoje!

Enfim… não sei se vocês compartilham deste mesmo sentimento, mas eu queria que isso, que parece um roteiro muito ruim de comédia, nunca tivesse saído do papel, que estivesse em uma pilha empoeirada de um produtor de filmes de baixo orçamento em Hollywood, mas excepcionalmente, diante de muitas figurinhas fatalistas do ZAPI, de gatinhos com cara de choro, e frases como “daqui pra frente só pra trás”. Os algoritmos nos levam apenas a notícias de que as coisas estão indo para uma condução pior, como se diz por ai “Estamos Lascados”! Lógicos, os algoritmos só serão lúcidos em relação à lógica de novidades, se você partilhar de ideias que no mínimo entendem que a circunferência da terra vai para todos os lados e é esférica, caso contrário você partilha de pensamentos anacrônicos e está sendo conduzido em uma onda de notícias fraudulentas. Me desculpe, talvez, você esteja em um mundo paralelo dentro da Matrix (ou melhor na matrix mesmo sendo enganade).

Para quem entendeu o que está acontecendo, estamos vivendo um réquiem dos anos 90, somado à réquiem da ditadura, somado a costumes pudicos dos anos 40, em um anúncio de cigarro de Marlboro falso… e o Bufão de péssima qualidade que estava apenas nos churrascos e na TV, arquitetando o caos de referências ruins e estereótipos, está com o nosso leme nas mãos. Lembro que o nosso humor como nação, no geral, era bem peculiar quando eu era criança nos anos 80. Ríamos sob anestesia, nas novelas, programas da tarde, tínhamos figuras estereotipadas, que reforçam violências e preconceitos, lá no tempo do sushi erótico, nas banheiras dos domingos na TV, no tempo em que não se discutiam direitos na grande mídia, quando se construía um humor muito prejudicial que escancarou os anos noventa, e que reflete nos memes, e figurinhas na lógica atual da “zueira never end”, inclusive refletiu nas urnas de 2018.

Afinal a nova vibe “atitude coringa” é mais sobre dor, ódio contido, do que sobre ser palhaço. É uma onda angustiante, nonsense, estilo piscinas de Nutella, cenas esvaziadas, deste plano moderno volátil. O riso está ficando escasso e, junto a eles, os palhaços reais estão indo.

Porém, dentre alguns alívios cômicos e conscientes que podemos desfrutar em pequenos relâmpagos de prazer nas redes, temos a categoria das/ dos artistas de humor, que trafegam nos trazendo momentos de refresco nesta tragédia sem graça que se vive hoje, ou seja a estética “memeira” pode ser muito bem usada.

Tenho quase certeza que estes artistas, nessa vivência virtual, fizeram você dar tanta, mas tanta risada, que lhe faltou o ar. E que em pausa pensamos, é sobre exatamente o direito a dar risada, até esse ponto, do que estamos falando… nos roubam muito mais a cada dia, vidas, direito a respirar, direito ao pão, direto ao sustento, direito ao riso. Por isso, ao resistir com nosso riso, falamos também sobre a falta de ar que estamos vendo acontecer diante de nossos olhos a cada leito fechado e descaso, a cada remendo que se faz, em cada LIVE caçoando de forma necrófila de pessoas morrendo sem ar. Estamos em um embate estético, tanto numa crise artística, como da qualidade do riso do público. O problema aqui não é como se ri mais do que se ri, e é essa a batalha.

Além disso, é sobre o investimento de oxigênio para Manaus vir de doações de artistas, e de muitos humoristas, esses sim se posicionando com este ato. É sobre estarmos entre, entender o que é sério e correto pelo humor, e repelir o absurdo do discurso oficial. Estamos falando de uma mãe que vem até o jornal falar para todo o país sobre conhecer a cara de quem matou seu filho, e que não devemos sofrer com sua morte e que sim, que ele queria que resistíssemos com nosso sorriso. Estamos falando de respeito a muitas mães e parentes, de todas as pessoas que devem ser lembradas, com vidas ceifadas de uma hora para outra.

Perdemos quase 500 mil pessoas sem ar, sem riso, como um sopro venenoso, de 15 a 15 dias, nesta chiste nada engraçada que se tornou o país, estamos AGORA, nos compêndios do humor mundial, em uma página bem empoeirada, naquelas revistas de anedotas sexistas, preconceituosas de posto de estrada, só que ela é binária… só que a piada ruim corre rápido, mais rápido pelas redes, que a piada que precisa parar para entender, corre com a perna de um meme, se espalha como brincadeira e vira veneno. Precisamos começar a entender dessas coisas de construir um teatro de arena no espaço virtual, de espalhar memes e figurinhas com nossas caras, de se tornar novamente maiores que uma piada muito ruim, tomar conta da tecnologia de redes, com a tecnologia de riso! Gerar conteúdo sobre o riso também é se posicionar, sabemos que a maioria de nós não pode doar muitos bens ou quantias, mas temos uma tecnologia escassa e linda nas mãos, a capacidade de fazer rir, e isso espalhado nas redes também é uma posição, precisamos trocar o KKK, por o rsrsrsr o hahahaha o quaquaquaquaqua, na esfera semântica! Urgente!

Afinal, a profissão do humor e o resgate da sanidade através do legitimo sorriso, que faz pensar, está em perigo. Temos que armar uma arena de manifestos para salvar o que nos restou de sã no nosso ridículo de ser palhaços, uma comitiva de circo que corre de comunidade virtual a comunidade virtual avisando sobre a nudez do rei! Sabemos como sabemos, do desmonte que se há… que às vezes não temos como clowns, artistas, músicos, tirar dinheiro para o sustento, porém tiramos leite de pedra, força de levantar-se novamente, pois o ódio e as piadas que davam “vergonha alheia” estão tomando conta de tudo, conta de nossas vidas, deixando isso virar instituição! Independente das camadas jurídicas e de crime que envolvem, pois envolvem e muito, estou falando aqui de algo muito mais sutil, estou falando da coisa que se tornou grande da reviravolta, onde a galera do fundão, os trolls dos memes viraram, REIS, e suas bundas estão sob a nossa cabeça, momento do qual, a cada dia se faz a certeza do Greg: Estamos diante de um bufão! Montado em um unicórnio inflável feito de saquinho de ódio e fake news. Estamos diante do tipo de persona do humor que de longe se assemelha ao elenco do filme Pink Flamingo, mas que contribui com o humor escatológico, harmonizado com delírios narcísicos sem graça de homens frustrados, que gastam mais tempo com problemas para eles “essenciais” de cunho erétil, do que com saúde pública… e o que se faz com isso?

Abraçando árvores virtuais? Em uma seita de positividade tóxica, vomitando – Gratiluz, profetizando “e tudo bem também”? Sabemos que está tudo pesado, e que a prática da violência não é o caminho, mas precisamos agir de forma a se orientar a criar grupos de ajuda a entender melhor como uma, um, ume artista, pode usar melhor as plataformas, para burlar os algoritmos, criar sistemas de proteção que caminhem de forma paralela com ele, criando uma rede de proteção de conteúdos bons, de humor que traz ao menos respeito.

A capacidade de rir é uma tecnologia que pode ser adaptada pelo corpo e pelo tempo histórico, em 40 ríamos de filmes de palhaço com Fellini, e Charlie Chaplin, com sua escancarada esquete “O Grande Ditador” (totalmente recente) em meio aos absurdos da violência nazista. Na década de 60 riamos das paródias acidas construídas pelas Drags de Dzi Croquetes em plena linha dura militar do golpe. Nos anos 70 tínhamos o começo da Grande Família, parodiando a própria vida, mais pra frente com as grandes sacadas da saudosa Fernanda Young e seu incríveis roteiros. Ademais, hoje temos inúmeras e muito grandes iniciativas de humor, muitas mesmos, mas precisamos ajudar as menores, as que não têm facilidades com plataformas. Não vou citar aqui nomes, quero que vocês citem nos comentários, com qual artistas ativista você dá risada? O que posso afirmar é que temos muitos recursos do riso, e formas de se fazer rir, boas e vigentes no mundo de bits, e esses não estão escassos como a capacidade de gerir um país em estado de calamidade.

Temos que resgatar a tecnologia do riso, e sua capacidade de manifesto! Podemos notar a capacidade tecnológica do riso, o ato de rir libera serotonina neurotransmissor relacionado ao bem viver, protege o coração contra infarto, trombose e acidente vascular. Podemos de forma lúdica ou não, estender aos profissionais de saúde mental os chamados Doutores da Alegria, projeto de 1991, e que deve ser defendido e apoiado, e muitas vezes não é enxergado.

Eu tenho formação em Clown pela Oficina do Riso. Ao fazer rir, nós apenas assumimos o nosso ridículo, revelamos a parte que ninguém quer ver da pífia e volátil concretude do normal. Porém, aqui na peça: “a piada que parece pronta que também é um país”… Sabemos que tudo pode ter começado com o respaldo dos intelectuais conservadores, jogam um livrinho sem graça nenhuma, falando que o politicamente correto está afetando a construção social ( não adianta vir se redimir agora não, você sabe quem você é e o que o seu discurso provocou), dando voz a lunáticos, que depois sustentam chamadas sérias do tipo “uma decisão difícil”. O tirar barato aqui saiu muito caro… porque os bebezões da quinta série de adultos se sentiram ameaçados em suas redomas de privilégios, pela sociedade que, diferente deles, evoluiu no panteão dos direitos humanos, e juntos … tomados, digamos …. pelo palco de Pânico, se põe em uma situação de “vítima”. Eo que se dá, temos que impor incisivamente, nosso parecer técnico no quesito humor. Precisamos nos manifestar, vir a público e colocar um crivo, um limite nesses maiores abandonados que correm de moto em um sonho infantil Easy Rider, fazendo cosplay de besta do apocalipse conduzidos pelo mestre do terror, falta equipe técnica também no quesito limites do humor, neste executivo.

Para nossa sorte, existem ainda ótimos palhaços ( e por favor, campo progressista não usem nossas personas e nem nossos narizes de forma leviana). Os bons palhaços usam o riso de forma resistente, mostram a felicidade de se estar de pé, sendo o acalanto, nos stories e feeds, e junto a estes que estão aqui lá do lado dos que partiram, que está agora junto com Piolin, e muitos outras potências do humor que percorreram o país, está nesse panteão dos deuses do riso. Nosso grande Paulo Gustavo, um representante de muitas pautas, se foi iluminar o Orum, com todas suas personas, com sua Dona Hermínia, falando para a gente que é sim possível fazer um humor com qualidade, incluindo e unindo pautas importantes. Mesmo assim fazendo todes rirem, ele se vai deixa um companheiro, dois filhos, e uma família chamada Brasil … muda e por instantes da notícia… sem sorriso!

Mas sempre a resistir! Não podemos sucumbir a certas dores, temos muito a honrar quando viramos para a plateia e arrumamos nossos narizes. Honrar os que já nos deixaram, garantir que o texto da Mãe ser uma Peça nunca pode ser um drama e sempre uma comédia. Prometam para Ele, também prometo a meu avô Nardão, que fazia peças de palhaço no púlpito da igreja para as crianças da comunidade da zona norte, quando não havia missas. Prometemos, para todes que estão e já se foram, vamos usar nosso gás de riso para provocar uma revolução! Eu clamo pelo Manifesto do Riso consciente nas redes, usem suas plataformas de audiência para tornar as pessoas lúcidas, esta é a hora, precisamos criar esta onda de risos! Gratidão, respeitável público! E para você que ainda quer atuar no filme da sinopse acima, só te falo uma coisa… não passarão!

E nesse info-inferno de Dante, nós aqui da COLUNINJASTECH, não queimaremos na parte mais quente do hardware, reservada aos que optam pela neutralidade em tempos de crise, vemos aqui a reação, do 29M, provando que, se saímos nas ruas sem vacinas para protestar, é que alguma coisa está mais perigosa que o próprio vírus. Te dou uma bitoca no seu nariz (depois da pandemia lógico) e  pirulito gigante do seriado Chaves se você acertar, aqui nós temos posições obvias, sem medo! Não sei a data que a coluna será publicada, mas que venha o 19J, pois se posicionar é uma questão de respeito!

 

O golpe tava aí. Caiu quem quis…

O golpe tava aí. Caiu quem quis…

O Brasil acima de tudo. Deus acima de todos. O slogan é praticamente infalível. Apesar de vivermos sob a égide de um Estado laico, quem em um país de maioria cristã, a não ser os ateus convictos, poderia questioná-lo com maior veemência? Que brasileiro, de direita ou de esquerda, seria contra a sua própria pátria?

Apropriar-se, em discurso, dos valores morais que são mais caros a maioria absoluta das pessoas (a crença em sua divindade, o amor à sua família e o respeito à sua pátria), bem como usurpar os símbolos nacionais é uma receita de sucesso. Funcionou no nazismo de Hitler, no fascismo de Mussolini e continua funcionando em todos os regimes totalitário-nacionalistas e/ou fundamentalista-religiosos.

Porém, trata-se apenas de charlatanismo político. Afinal, não há respeito à família por parte daquele que já se casou três vezes, abandonando as esposas para trocá-las por novinhas, tão logo a idade lhes roube a jovialidade.

Da mesma forma, não há respeito a Deus por parte daquele que desdenha e debocha do sofrimento alheio, que se omitiu em adotar as providências adequadas para evitar a morte de, ao menos, parte das mais de 470 mil vítimas da pandemia de covid-19.

Não há respeito à pátria por quem desrespeita a Constituição da República, incitando a população a atentar contra os membros das instituições democráticas ou tentando apoderar-se das Forças Armadas como se fossem suas. É como na conhecida e multicitada frase do literato inglês Samuel Johnson: “o patriotismo é o último refúgio do canalha.”

Além de apropriar-se de valores universais, o bolsonarismo finge, diuturnamente, se importar com a corrupção. Balela: o envolvimento do presidente e de sua matilha com milicianos e suas milícias, os funcionários fantasmas, as rachadinhas, os milhões de reais lavados com a compra de imóveis e em lojas de chocolate, a nova regra do teto salarial, o orçamento paralelo e as emendas parlamentares extra-orçamentárias provam que a corrupção só incomoda se for aquela praticada por seus adversários. Se for praticada por aliados, pode.

O charlatanismo político e o estelionato eleitoral, ambos praticados por Bolsonaro, apenas comprovam o que, de há muito, já se sabe: não se governa apenas com discursos, bravatas ou contendas. É necessário competência político-administrativa e técnico-gerencial para produzir bons resultados de governo.

Infelizmente, parte significativa da população ainda escolhe seus candidatos por critérios que não dizem respeito, diretamente, àquilo que de fato importa. Acabam escolhendo o mais bonito, o mais charmoso, o mais simpático, o amigão, o “100% popular”, com maior estrutura de campanha, mais dinheiro… Esquecem que eleições para cargos político-eletivos não são concurso para Miss Simpatia.

Popularidade, charme, simpatia e sucesso eleitoral nunca foram sinônimos de sucesso na gestão. O presidente Jair Bolsonaro, o governador Gladson Cameli e o prefeito Tião Bocalom são a prova disso: apesar de fenômenos nas urnas, nenhum dos três consegue apresentar resultados minimamente decentes de gestão. Isso porque nenhum dos três tem capacidade para tal. Não se prepararam para isso, nem sob o ponto de vista acadêmico e nem sob o prisma da experiência de vida. Sem querer ofender, mas, são apenas boçais, ignorantes, carentes de qualquer habilidade ou competência que lhes credencie a atuar como bons gestores. O golpe tava aí, caiu quem quis…

Como uma lei matemática pode ajudar a descobrir robôs bolsonaristas?

Como uma lei matemática pode ajudar a descobrir robôs bolsonaristas?

Uma simples regra de estatística, muito utilizada pelos governos do mundo para desvendar fraudes e até pela ciência para prever erupções de vulcões, a lei de Benford é um método rápido e fácil para determinar se um conjunto de dados é suspeito de ter sido manipulado.

Ela surgiu por acaso, há aproximadamente 133 anos pelo astrônomo Simon Newcomb (Nova Escócia, 1835  – 1909).

Simon estava despretensiosamente folheando um livro antigo de logaritmos numa biblioteca quando notou um certo padrão nos exemplares ali presentes. No começo todos tinham páginas desgastadas e as últimas folhas super conservadas.

Dessa observação ele deu início aos estudos. No começo não ganhou notoriedade, até que em 1938, o engenheiro e físico americano Frank Benford (Pensilvânia, 1883 –  1948)  provou que a teoria de Newcomb fazia muito sentido e prosseguiu com as pesquisas.

Mas o que seria a lei de Newcomb Benford, afinal?

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LEI DE NEWCOMB BENFORD

Imagine que você tem um monte de números aleatórios entre 1 e 999.999.

A lei diz que, em uma lista de números, existe um padrão de ocorrência dos primeiros dígitos, ou seja, nos números antes da vírgula.

Se analisarmos esses dados numéricos, provavelmente, segundo a lei de Benford, serão encontrados cerca de 30% de números que começam com 117% que começam com 2, 12% que começam com 3, e assim por diante, sempre diminuindo até o 9.

Incrível, não?

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Como nessa tabela:

Esse padrão vai formar um gráfico, com uma curva decrescente de forma logarítmica!

Como uma cientista norte-americana encontrou bots russos no Twitter com essa ferramenta?

Foto: Canal YouTube Jen Golbeck

A cientista da computação e pesquisadora de mídias sociais Jennifer Golbeck (Crystal Lake, IIIinois, 1976) teve a brilhante  ideia de aplicar essa ferramenta nas redes sociais.

Ela diz que dá para detectar irregularidades nas finanças com essa regra, mas também é possível encontrar fraudes nas redes sociais.

Ele fez uma correlação com os dados dos usuários analisados e seus seguidores. Os resultados foram surpreendentes! 

Você pode ler o artigo completo da Jennifer nesse link

Jennifer aplicou a lei matemática nas principais mídias sociais: Twitter, Pinterest, Facebook e a extinta Google +.

Mas a que mais chamou a atenção foi o Twitter:

Dentro dos 50 mil dados de usuários, apenas 170 não seguiam a lei de Benford.

“Como tínhamos dados públicos para o Twitter, pudemos investigar essas contas com baixas correlações. Quase todas as 170 pareciam estar envolvidas em atividades suspeitas. Algumas contas eram spam, mas a maioria fazia parte de uma rede de bots russos que postavam trechos aleatórios de obras literárias”.

Sim, ela conseguiu identificar Bots com essa ferramenta, isso é muito importante!

Para quem não sabe, bots são aplicações autônomas que rodam na Internet enquanto desempenham algum tipo de tarefa pré-determinada. Eles podem ser inofensivos para os usuários em geral, mas também podem ser usados de forma abusiva por criminosos, como propagar fake news.

Como essa ferramenta pode nos ajudar

Como muitos sabem, aqui no Brasil bots são utilizados de forma criminosa pela milícia.

Após 2018, ficou claro que as redes sociais exercem grande influência no cenário político brasileiro.

Podemos citar os bots Bolsonaristas que propagam fake news e sempre colocam em evidência alguma hashtag absurda, desde as eleições de 2018 até os dias de hoje.

Muitas vezes até com erros de português.

Um levantamento feito pela plataforma Bot Sentinel, que analisa publicações nas redes feitas por robôs, apontou um aumento de 3.441% nas interações em favor do presidente no mês de março de 2021.

Não é difícil encontrar matérias comprovando que a maioria dos seguidores desse genocida são fakes.

E eles continuam muito ativos. Recentemente robôs bolsonaristas tentaram derrubar um discurso feito pelo ex-presidente Lula.

MAS NEM TUDO SÃO FLORES…

A lei Benford não é muito eficaz em alguns casos, como por exemplo, desvendar fraudes nas eleições, como diz o estudos de Michelle Brown (Reino Unido, 1969), da Universidade Georgetown. Ao aplicar a ferramenta nos dados de votos de uma assembleia nos EUA, ela notou dados inconsistentes, pois as distribuições de números são mais complexas. Você pode ler os estudos da Michelle aqui.

Outro estudo feito por professores da Universidade de Oregon e do Instituto de Tecnologia da Califórnia, nos EUA , disponível nesse link, reforça os estudos de Brown.

No Brasil, pelo menos quatro pesquisadores demonstraram que essa teoria se torna inútil para desvendar fraudes nas eleições. 

Importante ressaltar isso, pois em 2018 durante as eleições, houve uma  “Operação Antifraude” feita pelo bolsonarista Hugo César Hoeschl. Ele queria provar a todo custo que o primeiro turno foi fraudado na época, como você pode ler nessa matéria.

Nada surpreendente! Como grande maioria dos admiradores do mito, ele não preza muito pela ciência, mas quando utilizam de alguma ferramenta, agem de má fé. Aqui no Brasil ou você defende a ciência ou o Bolsonaro, os dois não dá!

via GIFER

A ciência pode ser uma grande aliada para derrubar esse crime cibernético cometido pelos milicianos, que infelizmente estão no poder.

Nós sabemos onde isso nos levou, por isso é de extrema importância utilizar todas as formas possíveis e imagináveis para derrotar a milícia e o Bolsonaro que faz parte dela, com toda sua família.

Estamos pagando muito caro, fake news fez a cabeça de muita gente, algumas foram convencidas pelo desespero, pela falta de informação, é muito triste ver para onde tudo isso nos levou.

Agora não dá mais, precisamos mudar esse cenário apocalíptico, lutar com todas as forças e utilizar todas as armas disponíveis, a ciência é uma delas. E #forabolsonarogenocida.

Foi lindo ver o Brasil todo se manifestando no dia 29, encheu nosso coração de esperança novamente. Seguimos lutando.

Como transformar um presídio em universidade

Como transformar um presídio em universidade

Uma nova Ribeirão das Neves começará com o fim da Penitenciária José Maria Alkimin e a implantação do campus da UEMG

Por Leninha Souza

“Se os governantes não construírem escolas, em 20 anos faltará dinheiro para construir presídios”, máximas como essas fizeram de Darcy Ribeiro, político, antropólogo, escritor, um dos mais críticos intelectuais do Brasil. É de Darcy também a frase de que a crise na educação não é uma crise, mas um projeto e de que precisamos reconhecer na universidade, na universidade necessária, o nervo ético de uma nova sociedade.

É inspirada nessas verdades, tão atuais sobre a realidade brasileira, que tenho buscado no parlamento encontrar formas efetivas de apoiar a educação em nosso estado, buscando fortalecer as nossas instituições de ensino e pesquisa, lutando pela garantia dos direitos dos servidores da educação e agora, de forma muito pontual, apresentei, no último dia 24 de maio, Requerimento com pedidos de providências junto ao Governo do Estado para acelerar a desativação da Penitenciária José Maria Alkimin (PJMA) e a implantação no local do Campus da Universidade Estadual de Minas Gerais (UEMG) e Escola Técnica de Ensino Médio e Profissionalizante da Fundação Educacional Caio Martins – FUCAM, na cidade de Ribeirão das Neves. O cerne dessa movimentação é atender à necessidade de ampliação do acesso e permanência no ensino superior de moradores de Ribeirão das Neves e Região, gerando impactos positivos na grande BH, em especial na região conhecida como vetor norte.

Nossa orientação ao Governo do Estado é que seja concedido à UEMG o seu primeiro campus efetivamente próprio e que sejam ofertados cursos superiores de acordo com as demandas levantadas pelas instituições públicas locais, movimentos sociais, Terceiro Setor, associações comunitárias e organizações da sociedade civil. Recomendamos também que a Escola Estadual César Lombroso, instalada dentro do referido complexo prisional, seja incorporada à nova Proposta de Inclusão de Escolas Estaduais à Fundação Educacional Caio Martins (FUCAM) para que nesse local seja ofertada a formação em nível médio e possível oferecimento de cursos profissionalizantes, conforme demanda apresentada pela comunidade de Ribeirão das Neves-MG.

A UEMG é a terceira Universidade Pública do Estado, ficando atrás, em números de alunos matriculados apenas da Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG e da Universidade Federal de Uberlândia – UFU, embora cumpra um papel fundamental na formação de profissionais com seus 119 cursos, a UEMG ainda não possui Campus próprio, funciona em prédios alugados ou cedidos por outras instituições. Nós entendemos que a implantação do Campus em Ribeirão das Neves trará benefícios incalculáveis do ponto de vista social, educacional e inclusive de Segurança Pública, corroborando o que Darcy Ribeiro preconizava, que o investimento em educação, era, em última instância, uma ação efetiva de combate à criminalidade.

As adequações necessárias às edificações da antiga Penitenciária de Ribeirão das Neves trarão à cidade e à sua gente uma nova perspectiva. Essa iniciativa soma-se à trajetória de lutas dos movimentos e instituições da cidade que buscam interromper um longo e perverso caminho de acúmulo, desde a década de 1940, de abrigar sete unidades prisionais. Para os pesquisadores do Centro de Estudo Pesquisa e Intervenção Ribeirão das Neves, CEPI- Neves. O número excessivo de prisões e um contingente de mais de 10% das pessoas em privação de liberdade do estado de MG num único município, tem trazido prejuízos incalculáveis ao desenvolvimento social, cultural e econômico da cidade, comprometendo o presente e o futuro da população, sobretudo, dos segmentos de mulheres e jovens da cidade.

É nesse movimento de olhar para o retrovisor, aprender com os erros e corrigir a rota que seguimos, buscando, com o enfrentamento responsável, consciente e consistente, ser uma oposição construtiva, capaz de se colocar por meio do diálogo e da construção de um futuro fundamentado na autonomia cidadã, na formação de novas gerações livres e com perspectivas de futuro e esse caminho se trilha com a educação pública e de qualidade!

A deputada Leninha Souza é vice-presidenta Estadual do PT, vice-lider do Bloco Democracia e Luta da ALMG e vice-presidenta da Comissão de Direitos Humanos*

Amazônia sem defesa

Amazônia sem defesa

Casa de liderança indígena incendiada por garimpeiros ilegais na aldeia Fazenda Tapajós, em Jacareacanga (PA). Crédito: acervo pessoal

São muitos os sinais de deterioração social, política e econômica que se espalham pelo país. O meio milhão de mortos pela gestão criminosa da pandemia é o mais gritante, mas há uma profusão de armas nas mãos de milícias, produção acelerada de indigentes, devastação ambiental em escala, massacres policiais em favelas e múltiplas ameaças aos direitos e às vidas dos indígenas e comunidades tradicionais.

Bolsonaro odeia os indígenas. Jurou não demarcar um centímetro de terra para eles e o seu governo desconsidera a identidade indígena dos que vivem em cidades ou em terras não demarcadas. Acha que os povos originários são “iguais” a nós, no sentido de que não devem manter culturas próprias e nem devem dispor de um plano específico para sobreviverem à pandemia, mas estar sujeitos à contaminação e à morte como o resto do “rebanho”.

Já as terras demarcadas, se não puderem ser “desdemarcadas”, devem ser ocupadas, desmatadas e exploradas por ruralistas, mineradores legais e ilegais, madeireiros, petroleiros, barrageiros e empreiteiros, enquanto as almas indígenas vão sendo contaminadas por pentecostais anti-Cristo. Um genocídio e etnocídio, com usurpação material e espiritual total.

Porém a política anti-indígena está ficando ainda pior. O governo insiste e persiste, teimosamente, na sua sanha assassina, na medida em que se desgasta, perde apoios e forças para manter ministros e políticas contra a saúde, contra o mundo e contra o meio ambiente. Esmera-se em violentar os pobres, os doentes e as minorias, os que não têm defesas, como os quilombolas e os indígenas.

Chegou-se ao ponto do presidente da Funai, que deveria defender os índios e os seus direitos, solicitar à Polícia Federal (PF) que investigue e intime lideranças indígenas, como a Sônia Guajajara e o Almir Suruí, que haviam denunciado o caráter genocida da política anti-indígena e da atuação do próprio presidente.

Guerra na selva

Há três semanas, a violência descambou. Garimpeiros armados, que ocupam e exploram ilegalmente a Terra Indígena Yanomami (RR), atacaram a aldeia de Palimiú, obrigando os índios a fugirem para o mato. Após o ataque, duas crianças foram encontradas mortas, boiando no Rio Uraricoera. No dia seguinte, mesmo com a chegada de policiais federais, a comunidade voltou a ser atacada. Espantosamente, a PF deixou a área, sem explicações, com os índios ainda sob ameaça. Em seguida, o Exército também chegou a ir ao local, mas igualmente retirou-se. Na sequência, mais uma vez ocorreram novas ofensivas dos invasores.

Policiais federais na aldeia Palimiú, Terra Indígena Yanomami (RR), em 11/5/2021. Foto: PF

A violência garimpeira também se agrava na região do Rio Tapajós. A sede da Associação de Mulheres Indígenas Munduruku-Wakomborum, em Jacareacanga, sudoeste do Pará, já havia sido queimada no final de março. Na semana passada, após uma equipe da PF, Ibama, Força Nacional e Fundação Naciona do Índio (Funai) iniciar uma operação contra o garimpo ilegal nas terras Munduruku, garimpeiros armados atacaram a aldeia Fazenda Tapajós, queimando duas casas de lideranças indígenas que se opõe à presença dos invasores nas suas terras. Em seguida, as forças policiais repetiram o mesmo roteiro e deixaram a região sem muitas explicações. 

Está evidente que há uma guerra surda entre a PF e o Exército por trás do abandono precoce de posições por parte da primeira, devido à ausência do segundo, que deveria oferecer retaguarda logística para as operações de desintrusão, determinadas pelo STF, para as terras Yanomami e Munduruku. O Exército alega que não tem orçamento para bancar seu deslocamento, mas o Congresso já aprovou uma Medida Provisória para transferir recursos do Ibama para o Exército.

Nesta semana, oito garimpeiros encapuzados, armados com fuzis, atacaram e saquearam uma base do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) na Estação Ecológica de Maracá (RR), no mesmo Rio Uraricoera, ameaçando de morte alguns funcionários, que fugiram para a floresta. Está cada vez mais evidente que as empresas de garimpo estão sendo comandadas pelo crime organizado, que está se financiando com o roubo de ouro em terras indígenas.

Canteiro de garimpo ilegal na região do Rio Uraricoera. Foto: Divulgação

Síndrome assassina

Tudo é muito louco nessas histórias. Enquanto indígenas, servidores públicos e até agentes federais são caçados na selva por quadrilhas garimpeiras ligadas ao crime organizado, o Exército espera, burocraticamente, pela liberação de diárias. Imaginem se o território não estivesse sendo saqueado e destruído, inclusive na faixa de fronteira, com brasileiros sendo violentados. Enquanto centenas de militares ocupam indevidamente funções civis nesse governo, suas funções precípuas de defesa vão sendo gravemente negligenciadas.

Ainda mais louca foi a visita de Bolsonaro à região de São Gabriel da Cachoeira, no noroeste do Amazonas. Pôs os pés, pela primeira vez, em terras indígenas. Primeiro, na terra Balaio, onde inaugurou uma pequena ponte de madeira. Depois, na Yanomami, onde há um batalhão de fronteira próximo à aldeia de Maturacá. O objetivo da viagem foi fazer proselitismo da garimpagem em territórios indígenas. O presidente, que pouco se importa com as vítimas da pandemia, importa-se, menos ainda, com a caça aos índios.

A satisfação presidencial só não foi maior porque as duas principais organizações yanomami locais, a Associação Yanomami do Rio Cauaburis e Afluentes (Ayrca), e a Kumirayoma (associação de mulheres), entregaram a Bolsonaro documentos escritos, respaldados por falas de vários líderes tradicionais, contra a presença de garimpeiros na área. Com a maior cara de pau, ele respondeu que respeitaria a posição dos Yanomami, mas liberaria a mineração predatória em outras áreas, ignorando a vedação constitucional existente ao garimpo praticado por não indígenas nessas áreas.

São Gabriel está distante do Uraricoera e do Tapajós, mas a investida do presidente, concomitante ao agravamento da violência garimpeira, e ignorando-o totalmente, revela como a barbárie é a política desse governo.

Da participação à pertença

Da participação à pertença

Um fantasma assombra o mundo: o regresso da extrema-direita. Trata-se de um movimento global com ritmos nacionais muito diferentes. Tem muitas semelhanças com o que aconteceu nas décadas de 1920 e 1930, mas também tem diferenças. Analiso umas e outras com a crença de que a história só se repete se deixarmos que tal aconteça. Estamos perante movimentos que emergem no bojo de crises sociais por vir e que explodem quando as crises rebentam. Nos anos de 1920, foi a Primeira Guerra Mundial e a crise financeira que se seguiu, a qual viria a explodir em 1929. Hoje, trata-se da crise de acumulação do capital em face das concessões que teve de fazer ao povo trabalhador depois da Segunda Guerra Mundial para poder competir politicamente e com paz social com a opção socialista do bloco soviético. A reacção começou na periferia do sistema (golpes de estado no Brasil em 1964 e no Chile em 1973) e transformou-se num programa global quando em 1975 a Comissão Trilateral declarou que a democracia estava sobrecarregada com excesso de direitos. Foi o ataque aos direitos económicos e sociais, à social-democracia, um ataque em que viriam a colaborar os próprios partidos socialistas, com a terceira via de Tony Blair. Depois do ataque às Torres Gémeas (2001) e da crise financeira (2008) começou o ataque aos direitos cívicos e políticos. Estavam criadas as condições para a emergência da extrema-direita.

A crise pandêmica e período de pandemia intermitente em que vamos entrar pode ser o detonador da explosão da extrema-direita. Para a evitar só há uma solução: impedir que a crise social se agrave, o que não foi possível nos anos 1930. Hoje, os EUA de Biden iniciaram com um vasto programa de reconstituição dos rendimentos e de investimento público em contraciclo, contra tudo o que pregaram durante o período áureo do neoliberalismo. A UE, pateticamente, parece mais presa ao neoliberalismo que os EUA e sempre refém do capital financeiro internacional. A Alemanha cumpre na Europa o papel que os EUA cumprem a nível mundial: exporta o neoliberalismo mas neste momento não o segue internamente. É uma questão em aberto saber em que medida os programas de recuperação e resiliência conseguirão conter a grave crise social que se aproxima e que tem neste momento três pontos de ruptura: Colômbia, Brasil e Índia. Portugal teria condições privilegiadas de evitar o pior se soubesse agir como a Alemanha e os países nórdicos: servir-se da Europa como patrão sem servir a Europa como empregado.

A segunda semelhança/diferença diz respeito à relação entre democracia e extrema-direita. A semelhança é que a extrema direita se serve da democracia com o único objetivo de a destruir. Fá-lo por muitas vias. A principal é promover uma lógica de pertença, seja ela nacionalista ou racista, contra a lógica de participação que é própria da democracia. A diferença é radical e, por isso, invisível.  Participamos numa realidade contribuindo para a construir, enquanto pertencemos a uma realidade já plenamente construída (nação, raça, etnia, casta), seja a construção real ou inventada. A pertença confere uma segurança a quem pertence na mesma proporção em que exclui quem a ela não pertence. Em períodos de crise, esta segurança é preciosa. As escolhas em que assentam a participação e a pertença são muito diferentes. Na participação escolhe-se entre; na pertença escolhe-se contra. O objectivo é chegar ao poder democraticamente para depois não o exercer democraticamente. Como, por agora, o objectivo ainda não foi atingido, a extrema direita alicia facilmente as forças de direita democrática a quem oferece o trampolim da chegada ao poder. A direita confia em poder domesticar a extrema-direita e esta, em subvertê-la. Foi assim na Alemanha na década de 1920; é uma questão em aberto o que pode hoje acontecer noutros países. Em Portugal, os intelectuais de direita, interessados ou não na promoção da extrema-direita, seguem todos a mesma linha discursiva: estamos a dar demasiada atenção à extrema-direita e isso favorece-a. Exactamente como na Alemanha no final da década de 1920.

A terceira semelhança/diferença diz respeito ao combate ideológico. Este combate tem quatro frentes: o discurso do ódio visando quem não pertence (seja judeu, cigano, negro, homossexual, comunista, de esquerda e, finalmente, democrata); a infiltração dos meios de comunicação; a substituição da política pela moral; aliciamento de estratos sociais descontentes e emergentes. Com diferenças, todas as frentes estão a ser accionadas. Em Portugal, o discurso do ódio teve um afloramento chocante durante os debates presidenciais e deu para entender que a comunicação social pública estava infiltrada. Essa suspeita converteu-se em realidade com o que se passou recentemente na agência pública de notícias, Lusa. Em notícia publicada, um jornalista identificou como “preta” uma deputada suplente do Partido Socialista. Em Portugal, o termo “preto” é um termo racista, altamente ofensivo. O substituto do discurso do ódio é a dramatização de todos os erros da governação, sobretudo se esta for de esquerda. Comparativamente, o governo português tem um dos melhores desempenhos na condução da pandemia e os portugueses entenderam isso cooperando civicamente com as políticas. No entanto, quem seguir os noticiários mais mediáticos (incluindo os da televisão pública) só vê notícias de fracassos grosseiros, uma dramatização que visa sustentar a ideia veiculada pela extrema-direita da “doença da democracia” e dos “cravos pretos”, que podem justificar “governos de salvação nacional”. Hoje, a extrema-direita dispõe das redes sociais, um poderoso instrumento, sobretudo porque o modelo de negócio que lhes subjaz não lhes permite intervir senão em casos extremos. Hoje, o discurso antipolítico e moralista é a luta contra a corrupção e, sobretudo nalguns países, o conservadorismo evangélico ou católico. Ambos os discursos são projectos globais e têm origem na extrema-direita norte-americana. Hoje, um dos grupos emergentes são as mulheres. Com vista às eleições autárquicas, o partido de extrema-direita (Chega) recruta nas redes sociais “mulheres dinâmicas e inteligentes”.

A quarta semelhança/diferença diz respeito à reinvenção do passado. Consiste em converter vitórias em derrotas e derrotas em vitórias. Na Alemanha, a paz possível depois da Primeira Guerra Mundial foi convertida em humilhação nacional; a derrota, em algo que só não foi evitado devido à fraqueza dos governantes democráticos. Hoje, em Portugal, os intelectuais da direita aproveitam subliminarmente o resvalamento da participação para a pertença para elogiar o colonial-fascismo salazarista porque devolveu o orgulho nacional aos portugueses, deu mais qualidade à direcção política e, sobretudo, não foi corrupto. Nada disto tem de ser verdade para ser eficaz.  É surpreendente (mas com precedentes históricos) que alguns desses intelectuais se esqueçam activamente de eles próprios terem sido excluídos da pertença à sociedade fascista precisamente por quererem exercer participação política. Por sua vez, o fim do colonialismo, a vitória fundadora da democracia portuguesa, é transformado numa derrota humilhante. Daqui a converter a revolução do 25 de Abril de 1974 num acto terrorista vai um passo.

Para travar a deriva da participação em pertença, a história poderia ensinar alguma coisa se quiséssemos aprender. Eis um elenco realista de propostas. O agravamento das desigualdades e da crise social tem de ser evitado a todo o custo com políticas de coesão eficazes. Os serviços públicos têm de ser refinanciados e repensados, sobretudo nas áreas da saúde e da educação. A corrupção tem de ser eficazmente combatida. A oposição de direita democrática deve perder a ilusão de poder domesticar a extrema-direita. Os partidos socialistas que controlam governos de esquerda (em Portugal, PS) devem ajudar os outros partidos à sua esquerda (em Portugal, Partido Comunista e Bloco de esquerda) a poderem investir na participação, pois são estes serão as primeiras vítimas da deriva da pertença (as vítimas seguintes serão os socialistas). Por sua vez, os partidos à esquerda dos partidos socialistas devem assumir que o seu adversário principal é a direita e a extrema-direita, e não os socialistas. A comunicação social pública tem de ser escrupulosa em liquidar o ovo da serpente onde ele é chocado. Se a preguiça democrática acometer o sindicato dos jornalistas ou a entidade reguladora para a comunicação social, resta esperar que a comunidade dos PALOPs suspenda a autorização da Lusa de operar nos seus países até que o jornalista racista seja demitido. Se o não for, será em breve multiplicado por muitos.

Descaso com a educação dos povos da floresta

Descaso com a educação dos povos da floresta

A nova secretária de Estado de Educação, Cultura e Esportes do Acre, professora Socorro Neri, tem um desafio gigantesco pela frente: recobrar a credibilidade e o prestígio que a secretaria sempre teve junto à população, sobretudo, perante à comunidade escolar. Mesmo dentre aqueles que faziam oposição aos governos do Partido dos Trabalhadores e da antiga Frente Popular do Acre (FPA), sempre havia um respeito solene quando as críticas eram dirigidas à pasta da Educação. Isso porque, a despeito dos problemas, até os adversários reconheciam os avanços, o empenho, a dedicação e o trabalho de excelência que ali era desempenhado.

Em dois anos e meio da administração de Gladson Cameli, a situação mudou. Dentre os escândalos de corrupção em processo de investigação (desvios na compra de merenda escolar, computadores e cestas básicas) e os que ainda não estão sendo apurados (aquisição de livros didáticos e de sistema de aulas remotas/ambiente virtual de aprendizagem) a Secretaria de Estado de Educação, Cultura e Esportes do Acre (SEE/AC) passou de exemplo de boas práticas de gestão para referência do que não deve ser feito.

Além dos supostos casos de corrupção, tenho me pronunciado, com frequência, na tribuna da Assembleia Legislativa (ALEAC), sobre os problemas na gestão que se acumulam: atraso de quase 5 meses no pagamento de terceirizados; suspensão do pagamento de bolsa aos profissionais das Escolas de Tempo Integral; suspensão do pagamento de aulas complementares; suspensão no pagamento de 13° e férias proporcionais aos professores provisórios; não convocação dos aprovados no último concurso público; truculência na implantação do modelo de Escolas Vocacionadas, parte integrante do Novo Ensino Médio; não regulamentação da função de assessoramento pedagógico; assédio moral aos diretores de escolas, com insinuações de que estes adotariam práticas ilegais na solicitação de contratação e posterior lotação de professores provisórios; não pagamento do prêmio VDP na data combinada; não pagamento das parcelas do Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE), dentre diversas outras situações, todas elas já foram objeto de meus discursos na tribuna virtual das sessões on-line da ALEAC.

Em recente visita ao município de Xapuri, pude constatar que os problemas se avolumam, no cotidiano da gestão educacional, de forma ainda mais assustadora. Vejamos:

A suspensão das aulas presenciais, em virtude da pandemia, não deveria significar que as Escolas deveriam interromper suas atividades, por completo. Mas, em Xapuri, as Escolas Públicas Estaduais Rurais estão de portas fechadas desde que as aulas presenciais foram suspensas. O transporte escolar da Zona Rural parou totalmente, não oferecendo, em nenhum dia da semana, uma única alternativa sequer de funcionamento, de modo que alunos sem acesso à internet pudessem retirar e entregar suas atividades impressas. Junto a isso, a SEE/AC cancelou o auxílio para que professores e alunos pudessem fazer a travessia de catraia ou balsa, do primeiro para o segundo distrito da cidade, já que todos ainda aguardam pelo cumprimento da promessa de construção da tão sonhada ponte. O núcleo da SEE/AC não deu nenhum apoio ou suporte à realização do planejamento pedagógico das escolas, como era de costume. Os jovens e crianças estão desistindo de estudar.

Na Escola Estadual Madre Gabriela Nardi, por exemplo, faltam equipamentos como condicionadores de ar e ventiladores. Uma prometida reforma não aconteceu. Não há pessoal de apoio administrativo para dar conta das tarefas da secretaria escolar. Na Escola Estadual Divina Providência não se tem notícia de quando irão receber as parcelas do PDDE. A escola, maior e mais antiga do município, conta com apenas 1 (um) servidor (terceirizado) para limpeza e conservação. Antes, havia 6 (seis), depois esse número foi reduzido para 3 (três) e, agora, para apenas 1 (um) posto de trabalho.

Na Comunidade Simitumba, localizada no interior da Reserva Extrativista Chico Mendes, o ensino à distância não funciona, porque não há sinal de internet. Diante da suspensão do transporte escolar, os materiais impressos não são entregues. As crianças não estão aprendendo, muitos concluíram o ciclo de alfabetização sem saber ler e escrever.

Professores de disciplinas que possuem um único encontro semanal por turma (tais como Artes, Religião e Educação Física, por exemplo) estão assumindo regência de classe on-line em mais de 20 turmas quando o limite, em nossos governos, era de 12 turmas. Profissionais que antes eram lotados em, no máximo, 2 (duas) escolas agora têm de enfrentar o deslocamento e o planejamento em até 4 escolas, para preencher suas cargas horárias. Não bastasse esse regime de trabalho escorchante, para evitar a convocação de professores efetivos ou a contratação de professores provisórios, a SEE/AC está atribuindo até 20h/aula complementares para seus professores, quando o correto seriam 10h/aula ou, no máximo, 12h/aula complementares, conforme ocorria quando estávamos à frente do governo.

Em meio a toda essa balbúrdia, uma situação específica me chamou a atenção: como estamos atuando em regime de ensino remoto emergencial, a SEE/AC lotou 3 (três) professores, que moram na capital Rio Branco, em escolas de Xapuri. Os professores nunca pisaram nas escolas onde estão lotados.

Não se trata, portanto, apenas de investigar os supostos casos de corrupção, como pretendia fazer a nossa natimorta CPI da Educação.Também não se trata apenas de ausência de reajuste salarial ou de reposição de perdas inflacionárias, pelo que lutam os trabalhadores em greve. O problema é bem mais complexo. Estamos falando de um atrapalho generalizado, que tomou conta da gestão e parece ter se enraizado nos Núcleos de Representação da SEE/AC nos municípios do interior do Estado. É má-gestão, incompetência, ineficiência, inoperância, desídia e irresponsabilidade. As consequências desse descaso serão sentidas no futuro, em uma geração de jovens com severos déficits de aprendizagem. Isso se refletirá na economia, na cultura, na política e na sociedade de um modo geral. Uma verdadeira bomba de mil megatons.

Todos ligados e interagindo com a CPI da Pandemia

Todos ligados e interagindo com a CPI da Pandemia

A CPI da Pandemia completou um mês de trabalhos e já podemos enumerar alguns avanços no combate à pandemia do novo coronavírus que devasta o Brasil. Entre eles – e talvez inédito – seja a estreita relação criada entre a sociedade civil brasileira e o parlamento propiciada pelas redes sociais e plataformas de streaming na internet, o que permite acompanhar, em tempo real e via diferentes fontes, os depoimentos e debates ocorridos no âmbito da comissão.

A “Casa do Povo” parece, enfim, democratizar o acesso ao ambiente em que os rumos da nação são debatidos, ainda que dependente de mediação virtual e pequenos luxos como acesso à internet ou tv por assinatura. O importante é que a população brasileira acompanha atenta os trabalhos e interage com os personagens da CPI durante as sessões, fazendo uso intenso das ferramentas disponíveis e trocando informações sobre as temáticas em debate. Várias vezes os senadores usaram e citaram as fontes de perguntas feitas por internautas.

O grande interesse manifestado pela CPI da Pandemia é uma evidência da devastação causada pelo coronavírus entre nós. Afinal, quem não viu alguém próximo sucumbir à covid-19? Qual família não chorou a morte de ao menos um ente querido? Quantas milhões de pessoas não convivem diariamente com o temor de se contaminarem? Os efeitos devastadores da pandemia na economia, saúde pública e imaginário coletivo persistem. Castigam o Brasil e seu povo.

Ao interesse popular se junta a curiosidade com o funcionamento de uma comissão parlamentar de inquérito, fomentando a educação política cidadã e o civismo. Não aquele caricato e ufanista, artifício da política demagógica e populista, mas sim a sensação de pertencimento e protagonismo social, responsável pela autodeterminação individual e coletiva. O reconhecimento de que a nação vai mal e que estamos todos sujeitos a padecer com a sua ruína.

A simbiose entre a CPI da Pandemia e a sociedade civil traz benefícios mútuos ao abastecer a comunidade virtual – e real – com um fluxo contínuo de informações e dados sobre a pandemia do novo coronavírus no Brasil, sua cadeia de eventos e as consequências do espalhamento sem controle da covid-19 pelo país. Esta espécie de inteligência coletiva, além de contribuir com os trabalhos, é sinal da maturidade popular com o agravamento da crise sanitária.

E é neste contexto que a CPI avança em suas investigações. A negligência no enfrentamento da pandemia é flagrante. Porém, mais que isso, começa a ficar delineada a estratégia adotada pelo governo federal: a aposta na imunidade de rebanho mediante a exposição em massa da população brasileira ao novo coronavírus. A inexistência de campanhas de conscientização para o distanciamento e cuidados pessoais, o desestímulo ao uso das máscaras, a promoção de aglomerações e, principalmente, o atraso na aquisição de vacinas, demonstram claramente que essa escolha foi consciente e acabou por potencializar os casos e as mortes pela pandemia.

O drama vivido pelas populações indígenas e quilombolas também guarda indícios de negligência deliberada do governo federal, com o acréscimo do recrudescimento da violência contra estes povos oriunda da exploração ilegal dos recursos naturais por garimpeiros, madeireiros e outros criminosos ambientais. A morte ronda as reservas, seja devida ao novo coronavírus, seja à sistêmica beligerância contra os povos originários.

A CPI da Pandemia ainda possui uma extensa agenda de trabalhos. Temos ciência da urgência das investigações e o grande interesse popular demonstrado pelo acompanhamento das sessões indica que a ansiedade não é só nossa. São expectativas legítimas de um povo angustiado, desprovido de perspectivas e que deposita nos trabalhos desta comissão a esperança de reconstrução do Brasil. É responsabilidade histórica do parlamento reerguer a nação.

Melinda French Gates sem Bill: um debate sobre representatividade feminina em tecnologia

Melinda French Gates sem Bill: um debate sobre representatividade feminina em tecnologia

 

Melinda Gates. Foto: Divulgação

Como podemos convocar um momento de elevação para os seres humanos – e especialmente para as mulheres? Porque quando você eleva as mulheres, você eleva a humanidade.

E como podemos criar um momento de elevação nos corações humanos de modo que todos queiramos elevar as mulheres? Porque às vezes tudo o que é necessário para levantar as mulheres é parar de puxá-las para baixo”.

Tradução própria de The Moment of Lift: How Empowering Women

Changes the World, livro de Melinda Gates

Melinda e Bill Gates anunciaram recentemente o divórcio. Separações fazem parte da vida, mas até quando formadores de opinião, imprensa, influenciadores, produtores de conteúdo continuarão a perpetuar a máxima do “por trás de um grande homem existe uma grande mulher”? Até quando detalhes da vulnerabilidade feminina e de uma família desfeita, associada à partilha de 146 bilhões de dólares, a informações biográficas de exaltação masculina (desde aspectos relacionados à sexualidade e profissional) levam o mundo para a frente, em diversos sentidos? As distrações promovidas neste tipo de abordagem são propositais para desviar-nos de algo mais fundamental: até mesmo uma norte-americana branca, com carreiras acadêmica e empresarial brilhantes, sofrem ainda hoje as marcas do patriarcado. São séculos de exclusão deliberada de histórias de mulheres em tecnologia, biografias apagadas ou minimizadas.

Melinda French Gates foi mais que uma esposa, uma filantropa, mãe. Formada como Cientista da Computação e Economista na Duke University (onde também cursou MBA em Negócios), é a quinta mulher mais poderosa do mundo e a segunda nos EUA, atrás da vice-presidente Kamala Harris, de acordo com a Forbes (lista The World’s 100 Most Powerful Women). Em 2016, o presidente Obama condecorou-a com a Medalha da Liberdade, principal honraria civil dos Estados Unidos. Bill Gates abandonou a Universidade de Harvard para fundar a Microsoft nos anos 70.

Inconformada com a cobertura nacional e internacional, em função da importância para a história das mulheres em tecnologia de Melinda French Gates, a destacar possíveis detalhes sórdidos da vida pessoal do empresário e também filantropo (inclusive assédio moral e sexual de funcionárias na Microsoft), realizei uma busca sobre ela pela Web para analisar como ao longo dos anos tem sido apresentada ao público. A maioria dos vídeos que encontrei a associava ao marido, inclusive, com a temática: “o dia em que Melinda conheceu Bill”. Não! O dia em que Bill conheceu Melinda! Certamente, Melinda foi fundamental para a potência de hardware e software que a empresa se tornou no planeta. A partir do trabalho social de impacto mundial, de seu engajamento em torno da causa mulheres em tecnologia e do lançamento de seu livro, a executiva fez sua estrela brilhar e se destacar, enquanto a de seu marido parecia reduzida em virtude de uma eminente aposentadoria. Mas quem foi Melinda French Gates?

Nascida Melinda Anne French em 1964, cresceu no Texas. Seu pai foi um dos engenheiros espaciais que trabalhou na missão Apollo, enquanto sua mãe foi dona de casa. Aos 14 anos ganhou dos pais um Apple II, um dos primeiros computadores pessoais a serem lançados. Melinda iniciou estudos de programação computacional e de games. Anos depois ela se formou e realizou um mestrado em Ciência da Computação na Duke University.

Já formada, foi convidada para trabalhar na IBM – sonho de muitos cientistas da computação – e optou por ingressar em uma pequena empresa de software chamada Microsoft em 1987. A cientista foi a pessoa mais jovem na empresa a ser contratada e única mulher dos dez novos funcionários com formação em negócios. Como Gerente de Marketing e desenvolvedora de produtos tecnológicos assinou o lançamento de programas que você certamente já ouviu falar: Microsoft Cinemania, Publisher, Encarta, Word e Expedia.com. Promovida à Gerente Geral, deixou a posição em 1996, para focar nos três filhos, família construída com o marido Bill.

Uma viagem do casal Gates à África, em 1993, despertou o desejo de se tornarem filantropos e a Fundação Gates foi lançada. Em 1994 casaram, após 7 anos de namoro e permaneceram juntos por 27 anos. Em 2006, o investidor Warren Buffett concordou em doar 80% de sua fortuna de bilhões de dólares para a Fundação Gates. Na ocasião declarou à revista Fortune que Bill é “muito inteligente, obviamente … mas em termos de ver o quadro completo, Melinda é mais inteligente”.

Em palestra no Grace Hopper Celebration, principal evento sobre mulheres em tecnologia no mundo, em 2017, Melinda French Gates usou sua experiência em programação para abordar problemas de como as mulheres são atualmente conduzidas a uma carreira em tecnologia e como melhoras a inclusão feminina em TI. Traduzi e reproduzo parte do conteúdo deste discurso, publicado no site do CNBC.

“No momento, muitos esforços de diversidade se concentram em mulheres entrando no chamado ‘pipeline’, mas esse pipeline não está produzindo mais do que um gotejamento e existe um monte de condicionais embutidos, muitas declarações ‘se-então’”, disse Melinda French Gates. Ela enfatizou como as mulheres estão sujeitas a uma quantidade absurda de restrições que não lhes permitem entrar com sucesso no mundo da tecnologia. Comparou essas restrições a um termo da linguagem de programação JavaScript denominado “declarações condicionais”, que se parecem com isto quando codificadas:

Os exemplos que Melinda French Gates deu sobre as condições na vida das mulheres incluem:

  • Se você fizer com que as meninas tenham as aulas certas de ciência da computação e matemática no ensino médio, elas terão sucesso nas aulas de ciência da computação na faculdade.
  • Se passarem na introdução, começarão seus cursos do segundo ano no prazo e se formarão em quatro anos.
  • Se fizerem isso, podem conseguir seu emprego no Vale do Silício.

Contudo, a cientista apontou que “nem todo mundo vai atender a essas condições e muitos não querem e não há razão para isso em primeiro lugar.” Propôs que a sociedade, em vez disso, partisse da “premissa de que as pessoas se interessam pela computação de maneiras diferentes, em momentos diferentes de suas vidas e por razões muito diferentes”.

“Ou, em termos de codificação, por que não parar de tentar fazer com que as meninas atendam às condições necessárias para cada declaração ‘se-então’ predeterminada e por que não começar a escrever uma série de loops for”, disse Gates, introduzindo mais um JavaScript prazo.

Os loops for do JavaScript se repetem essencialmente através de um determinado bloco de código um determinado número de vezes. Aqui está o exemplo de linha de código que Gates compartilhou durante sua apresentação:

Estas são as quatro etapas que Gates disse que gostaria de ver implementadas com mulheres:

*Alcance-os cedo
Para as meninas que estão crescendo, deve-se criar muitos caminhos para explorar a tecnologia dentro e fora da sala de aula.

*Tecnologia como ferramenta
Para as mulheres que já estão na faculdade, vamos deixar claro que a tecnologia é uma ferramenta para resolver problemas do mundo real.

*Combine computação
Para as mulheres que já estão se formando em alguma outra área, vamos oferecer programas que combinem computação com o resto de seus cursos e levem a diplomas em coisas como bioinformática.

*Não apenas quatro anos
Para mulheres que descobrem sua paixão por tecnologia em momentos e lugares diferentes, devemos abrir mais caminhos para o campo.

Pretendo com este artigo dar visibilidade a um modelo feminino em TI, mundialmente famoso, como exemplo do quanto é necessário ainda lutarmos por empoderamento e inclusão de mulheres em tecnologia, apesar de tantas personalidades incríveis no segmento atuais e do passado. Estamos exaustas em pandemia, mas é nossa vida, estamos contando nossas histórias, ocupando espaços tomados com violência.

Para ler: O momento de voar, de Melinda Gates.

Recomendo que leia:

O momento de voar – Como o empoderamento feminino muda o mundo (Melinda Gates)

Recomendo que assista:

O Próximo convidado dispensa apresentações com David Letterman (Netflix, temporada 2, 2019, entrevista com Melinda Gates)

Fontes de apuração para esta matéria:

https://www.cnbc.com/2017/12/06/how-melinda-gates-used-computer-science-to-help-solve-this-tech-issue.html

https://www.businessinsider.com/life-of-melinda-gates-2016-3#shortly-after-graduation-gates-was-recruited-by-microsoft-just-after-the-company-went-public-and-its-stock-began-to-soar-during-her-time-at-the-company-she-served-as-project-manager-of-microsoft-bob-microsoft-encarta-and-expedia-7

https://www.womenshistory.org/education-resources/biographies/melinda-gates

https://www.forbes.com/profile/melinda-gates/?sh=66352a7a7c2b#7f8650a37c2b

 

Salles for sale

Salles for sale

Ricardo Salles e Jair Bolsonaro. Foto: Antonio Cruz – Agência Brasil

“Excepcional ministro”! Assim reagiu Jair Bolsonaro à deflagração da Operação Akuanduba, pela Polícia Federal, para investigar a exportação ilegal de madeira ilegal (desculpem a redundância) promovida pelo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, o presidente do Ibama, Eduardo Bim, e outros detentores de funções de confiança da área ambiental federal. A operação foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, e não foi informada à Procuradoria-Geral da República, para evitar vazamentos. Bolsonaro elogiou Salles no Palácio do Planalto, logo após a operação, na presença dele e do diretor-geral da PF, Paulo Maiurino, aparentemente surpreso, mais perdido que cego em tiroteio.

A pedido de Salles e por ordem de Bolsonaro, Maiurino demitiu o delegado Alexandre Saraiva, da Superintendência da PF no Amazonas, por causa da apreensão de milhares de toras de madeira nativa extraídas ilegalmente de áreas públicas. O ministro empenhou-se na exoneração de Saraiva e na liberação da madeira, a pedido da AIMEX, associação dos grandes madeireiros sediada no Pará. No ano passado, Salles e Bim haviam editado um “despacho” para liberar a exportação de madeiras nativas sem comprovação de origem, no bojo das desregulamentações promovidas na área ambiental, para “passar a boiada”, conforme referência feita em reunião ministerial de abril de 2020.

Maiurino é tido como politiqueiro e é visto na corporação como alguém que conspira contra o profissionalismo da atividade policial e flerta com o uso político, ideológico e familiar que Bolsonaro vem fazendo da PF. Embora a operação tenha sido determinada por Moraes, em segredo de Justiça, tem sido lida como resposta da PF ao ato pusilânime do diretor-geral.

É nesse contexto que Maiurino propôs, sexta-feira passada (21), que seja retirada a autonomia dos delegados da PF em investigações que envolvam autoridades com foro privilegiado, cabendo, nesses casos, ao diretor-geral decidir sobre seus rumos, criando dois pesos e duas medidas e acochambrando politicamente as investigações que lhe interessem.

Moscas na sopa

Quando soube da operação contra Salles, Saraiva postou no Twitter o Salmo 96:12, da Bíblia: “Regozijem-se os campos e tudo que neles há! Cantem de alegria todas as árvores da floresta”. Em seguida, para ressaltar a resistência corporativa à interferência política, publicou: “as funções da PF (Art 144, CF) transcendem às pessoas, pois possuem padrões de comportamento recorrentes, valorizados e estáveis”. Em seguida, citou Raul Seixas: “e não adianta nem me dedetizar, porque você mata uma e vem outra em meu lugar…”

Mas a decisão de Alexandre Moraes foi além de autorizar a operação e suspendeu os efeitos do tal “despacho”, com que Bim e Salles liberaram a exportação ilegal. A PF identificou movimentação anormal de dinheiro pelo escritório de advocacia do ministro e quer saber se há conexão com propinas pagas por empresas madeireiras, a título de prestação de serviços jurídicos.

E o pior é que a operação da PF originou-se de uma denúncia vinda dos Estados Unidos, decorrente da apreensão pelas autoridades alfandegárias de lá de toras de madeiras nativas sem a devida documentação. Diante disso tudo, é de se perguntar que conceito fica de Salles para os interlocutores norte-americanos, como John Kerry, que negociam acordos sobre a questão climática e a proteção de florestas com o governo brasileiro.

A decisão de Moraes também afastou Bim e diversos outros assessores de confiança dos respectivos cargos, desmontando a burocracia policial recrutada por Salles. Não tem precedente o afastamento de um presidente do Ibama por crime ambiental, com suspeita de corrupção. A entropia operacional do órgão, que já era grande, tende a ser total. Na operação, sigilos telefônicos e fiscais foram quebrados e celulares e computadores foram apreendidos, inclusive os do ministro.

Para completar a cena, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) divulgou, na sexta-feira, a taxa consolidada oficial de desmatamento na Amazônia, entre agosto de 2019 e julho de 2020, 9,5% acima do salto de 45% já havido nos 12 meses anteriores. Mais 10,5 mil km2 foram derrubados, além da degradação causada pela extração de madeira. A taxa preliminar já havia sido divulgada no final do ano passado.

Além disso, abril deste ano teve o maior índice de desmatamento para esse mês, desde 2015, conforme o sistema Deter do Inpe, que não é responsável pela taxa oficial, mas apenas serve para subsidiar em tempo quase real operações de fiscalização do Ibama. Os dados disponíveis sobre os últimos meses indicam que a tendência de alta da destruição da floresta prossegue, portanto, desnudando Bolsonaro.

Quem está amando essa história é o vice-presidente Hamilton Mourão, escanteado por Bolsonaro da agenda amazônica e preterido na reunião de cúpula sobre mudanças climáticas convocada pelo presidente dos EUA, Joe Biden, em abril. Mourão disse que a contundência e a extensão da decisão de Moraes devem significar que ele dispõe de “indícios fortes” contra Salles. Na véspera da operação, Salles insinuou, em entrevista à Revista Exame, que o vice-presidente falhou na condução das operações de fiscalização na Amazônia.

A insolvência socioambiental do Brasil já impacta as negociações comerciais entre o Mercosul e a União Européia, para o acesso do país à OCDE e também repercutirá nas conversas iniciadas com o governo Biden sobre a questão climática. Situação que se agrava com a operação da PF e o novo recorde de desmatamento em abril.

Os excepcionais

Guerrilha na PF, acefalia no Ibama, vergonha diplomática, destruição das florestas, além das mais de 450 mil vítimas do negacionismo sanitário. Nada disso importa muito a Bolsonaro. A pressão externa certamente o incomoda, por isso se dispõe a ler qualquer discurso que lhe seja oferecido para ganhar tempo, enrolar dirigentes estrangeiros e chegar às eleições de 2022.

Bolsonaro tem toda razão quando diz que Salles é um ministro excepcional. Em pouco mais de dois anos, Salles implementou uma gestão policialesca, espalhou o medo, cerceou e desautorizou a atuação de funcionários, desestruturou as agências, os orçamentos e os fundos ambientais, liberou todo tipo de poluição tóxica e de crimes ambientais, além de atropelar as leis com uma boiada. Entre outras consequências, o desmatamento na Amazônia é o maior em 12 anos. Um desempenho excepcional mesmo!

Mas o estrago provocado pela dupla Bolsonaro-Salles vai além das fronteiras e traduz-se em aumento das emissões de gases estufa na atmosfera, na contramão dos esforços internacionais para ampliar as metas de redução já assumidas no âmbito do Acordo de Paris. Ainda há controvérsias técnicas para se medir os estoques de carbono em cada formação florestal, mas, tomando por base 499 toneladas por hectare (adotada pelo Fundo Amazônia), houve um aumento de 56% na média anual de emissões por desmatamento no atual mandato (5,23 gigatoneladas de CO2) em relação à média dos cinco anos anteriores (3,35 gigatoneladas).

A denúncia de que Salles anda se vendendo para facilitar a venda de madeira ilegal mundo afora é uma pá de cal na credibilidade do Brasil nas negociações internacionais em curso. Mas Bolsonaro não terá dificuldades para encontrar outro oportunista para o ministério. A própria bancada ruralista, que bancou Salles e o seu desgoverno, poderá oferecer nomes que atrapalhem menos a empulhação aos incautos. Porém não será fácil encontrar um predador tão ávido e determinado como Ricardo Salles.

Dificuldades terão a agricultura, para manter o ciclo de duas safras anuais; o sistema elétrico, para operar com represas vazias; e as grandes cidades, para garantirem o abastecimento de água; diante da tendência de redução do volume de chuvas por causa do aumento do desmatamento e da contaminação dos rios, muito agravados na gestão da dupla Bolsonaro-Salles.

Eles chamam de despejo; nós, de GENOCÍDIO

Eles chamam de despejo; nós, de GENOCÍDIO

As ocupações urbanas são alternativa de sobrevivência

Foto: Renata Ataide / Coletivo Interiorizar

Minas Gerais está à espreita de um novo despejo. Eles continuam ocorrendo em todo país, mesmo com as recomendações do Conselho Nacional de Justiça de que fossem suspensos durante a pandemia. Agora é a vez da Prefeitura de Sete Lagoas, com a cumplicidade do governo estadual de Romeu Zema, montando uma operação para despejar de forma violenta mais de 100 famílias que vivem na Ocupação Cidade de Deus na próxima quinta-feira, dia 27 de maio, em meio a pior crise sanitária da nossa história.

A ocupação Cidade de Deus surgiu no contexto de terra arrasada: uma conjunção histórica entre uma profunda crise política/econômica/sanitária, a completa ausência de políticas de habitação e a sanha de um estado que quer transformar todos os aspectos da vida (e até da morte) em mercadoria. Somos nós, mulheres negras, periféricas, mãe solo, que sentimos todo esse peso em nossos corpos. Somos nós que temos que providenciar teto, contra tudo e  contra todos.

Ignoradas e sem nenhuma expectativa de política pública há mais de um ano, mulheres se levantam por suas famílias, fazendo o que o estado se nega a fazer. A ocupação urbana é uma alternativa de sobrevivência. O direito à moradia digna, teto, proteção contra a Covid-19. É uma “política pública” de combate ao desemprego, à fome. Tecnologia desenvolvida pelo povo preto que sempre construiu nossas cidades.

Foto: Ocupa CDD

Se há falta de compromisso das prefeituras com o estatuto das cidades,  famílias erguem com as próprias mãos uma COMUNIDADE. Tem cozinha coletiva, horta agroecológica, espaço comum de educação popular e casas consolidadas com esforço de mutirão. Estamos falando de um território sem nenhum caso de Covid-19 graças às medidas adotadas pela própria comunidade. Um território que passou a ser considerado exemplo para bairro vizinho – de área que já foi botafora – agora é livre de qualquer ocorrência policial. Um território que tem demonstrado sua habilidade sem tamanho em atrair e desenvolver  a auto-proteção e a garantia de bem viver articulando uma rede ampla de apoio.

Se o despejo já é uma ação desumana em condições normais, em meio a pandemia é uma atrocidade genocida. Tirar o teto dessas pessoas é uma decisão desumana, injustificável e contraria todas as recomendações internacionais e nacionais. Tirar essas mulheres dos laços de proteção que construíram merece atenção nacional.

Foto: Renata Ataide / Coletivo Interiorizar

O pedido de reintegração de posse partiu da própria Prefeitura de Sete Lagoas, pois o terreno ocupado é terra pública municipal. Isso mesmo sendo promessa do atual prefeito de que não haveria desapropriação do local.

A prefeitura municipal, além de não apresentar nenhuma garantia de moradia digna às famílias, ainda tem atuado na venda do patrimônio municipal e colocou 106 terrenos públicos à venda. Garantir direitos constitucionais não pode, mas fazer especulação imobiliária com terras públicas pode?

A ordem para que as famílias sejam removidas na próxima quinta-feira segue. Eu estarei junto às famílias denunciando essa atrocidade da prefeitura de Sete Lagoas e o silêncio conveniente do governador Romeu Zema.

Coalizão Arco-Íris: quando os pobres se uniram contra a violência policial

Coalizão Arco-Íris: quando os pobres se uniram contra a violência policial

Coalizão Arco-Iris

Nos tempos de hoje, uma coisa que marca nossas vidas, não importa se você está no Brasil, nos EUA ou no Oriente Médio, é a violência do Estado, especificamente a policial, que é um problema e afeta principalmente as comunidades mais pobres. Muitas pessoas bem intencionadas, tentando achar soluções para mudar o que está acontecendo, acabam por encontrá-las numa política identitária dentro da lógica capitalista – o que também tem seus limites. É em tempos assim, que eu me volto para a Coalizão Arco-Íris e encontro esperança. Uma história sobre como nós podemos imaginar políticas identitárias baseadas na solidariedade em vez da divisão – o que já aconteceu no passado e foi revolucionário. Quando comunidades pobres se uniram contra a violência policial nos Estados Unidos.

No dia 4 de abril de 1969, um ano após o assassinato de Martin Luther King Jr. a Coalizão Arco-Íris foi anunciada por Fred Hampton na cidade de Chicago – a escolha desta data não foi uma coincidência. No início da carreira, King, juntamente com o Movimento dos Direito Civis, se focou num direito básico das comunidades negras: o voto. Depois que conseguiram essa pauta, a verdadeira essência do que eles estavam tentando mudar veio à tona, ficou mais evidente que era uma luta contra a pobreza para mudar realmente a estrutura da sociedade. King, antes de ser assassinado, havia anunciado Poor People’s Campaign, Campanha dos Pobres, com a intenção de unir diferentes grupos étnicos e raciais da classe trabalhadora. Os grupo que faziam parte da campanha eram negros, indígenas, porto-riquenhos, descendentes de mexicanos e brancos pobres. 

Quando Fred Hampton anunciou a Coalizão Arco-Íris, ele deu continuidade ao sonho de King numa escala local, em vez de nacional, tornando-o realidade em Chicago. Numa cidade profundamente segregada e desigual, com uma força policial repressiva e abertamente violenta, Hampton conseguiu unir grupos étnicos e raciais dos guetos para não só lutar contra a violência policial mas também cuidar das suas comunidades. Os três principais grupos que formavam a Coalizão Arco-Íris eram o Partido dos Panteras Negras, os Young Lords e os Jovens Patriotas – os dois últimos começaram como gangues de ruas e se transformaram em movimentos socialistas de luta por direitos civis. 

O Partido dos Panteras Negras, que era a liderança e a inspiração da Coalizão Arco-Íris, foi fundado em 1966 por Huey P. Newton e Bobby Seale em Oakland, Califórnia, como uma resposta para acabar com o assédio policial desenfreado e a brutalidade com que agiam na comunidade negra da cidade, bem como uma homenagem e perpetuação do legado do líder dos direitos civis: Malcolm X, que havia sido assassinado no mesmo ano. Talvez a parte mais radical do programa do Partido dos Panteras Negras, se a gente entende radical no espírito de Raymond Williams que significa tornar possível a esperança, em vez de se convencer do desespero, foi a transformação das próprias comunidades pela ação direta, criatividade e coragem de confrontar uma estrutura de poder muito mais poderosa e com tendência à violência. Além da presença de uma segurança armada – lembrando que nos EUA o direito à posse de arma está garantido pela constituição -, havia serviços como clínicas médicas, creches, alimentação, atividades extra-escolares, orientação jurídica e outros mais. 

Quando os Young Lords e Jovens Patriotas, gangues que haviam sido formadas com a intenção de proteger as suas próprias comunidades da violência policial e de outras gangues, se transformaram em grupos da esquerda organizada, a estrutura do Partido dos Panteras Negras foi a inspiração para eles e seria um dos pontos de encontro e base da Coalizão Arco-Íris.     

Os Young Lords era uma gangue de rua do bairro de imigrantes e descendentes de porto-riquenhos. O momento em que eles se radicalizaram foi quando o líder José Cha Cha Jiménez foi preso, após o assassinato de Martin Luther King, quando houve uma onda de protesto no país inteiro e a Guarda Nacional ocupou várias cidades, dentre elas Chicago. No seu tempo na prisão, Cha Cha Jiménez ouvia no rádio notícias sobre os Panteras Negras e se deu conta que a luta dos Young Lords era a mesma deles. A partir daí eles iriam começar a relação com o Partido dos Panteras Negras. 

Já a história da gangue dos Jovens Patriotas é talvez a mais importante por parecer inacreditável, quebrando a lógica do nosso sistema. A partir do início do século XX, houve um boom na migração interna de comunidades brancas pobres oriundas da região do Appalachia devido ao declínio da indústria de carvão. A população branca que já estava estabelecida em Chicago, a grande maioria descendente de imigrantes europeus que chegaram no final do século XIX e começo do XX, desprezava os brancos pobres que chegaram na cidade. Por exemplo, nos jornais da época, Uptown, o bairro onde residiam os brancos pobres, era frequentemente descrito como uma comunidade caipira e incestuosa, perigosa e cheia de racistas. Além disso, a polícia também agia com muita violência lá. Neste bairro, de onde vem os Jovens Patriotas, era bem comum entrar em um salão de bilhar e ver uma bandeira da confederação pendurada na parede ilustrando uma identidade cultural distinta. 

Inclusive, a própria gangue usava a bandeira dos confederados como símbolo. 

A bandeira dos confederados é um símbolo de ódio e está associada ao sul dos EUA durante a Guerra de Secessão, com o lado que queria manter a escravidão. Até hoje a associação a esse regime escravocrata persiste, e numa tradição da supremacia branca. Porém, no caso dos Jovens Patriotas, é mais complexo. 

(Antes de continuar a história, gostaria de deixar claro que eu não estou defendendo o uso do símbolo.) 

É mais complexo porque o uso começou como uma resposta à opressão de outros brancos e uma tentativa de manter uma identidade local e regional – de um grupo que havia chegado num lugar, mas não se sentia parte da cidade – principalmente pelas condições limitadas financeiras e o abuso dos policiais. Os Jovens Patriotas, se apropriaram deste símbolo num jeito que inverteu esse signo de ódio em símbolo de orgulho, em muitos casos dissociados de uma consciência histórica. O que é um problema. 

Após o evento, Lee deu abertura e começou um diálogo com os membros dos Jovens Patriotas. Posteriormente, os apresentou a muitas das ideias englobadas pela ideologia do Partido dos Panteras Negras, e também o resultado do que eles já haviam conquistado em suas comunidades, num período de tempo relativamente curto. Ele também os apresentou a Fred Hampton. Não demorou muito para os Jovens Patriotas reestruturarem sua organização com base nas ideias e práticas do Partido dos Panteras Negras. Eles reproduziram os programas na sua comunidade como café da manhã grátis para as crianças de Uptown e outras formas de apoio.

Se por um lado, eles mantiveram o símbolo da bandeira confederada, por outro eles incorporaram o punho que simbolizava o poder negro à bandeira. Eu acho que depois do convívio com os Partido dos Panteras Negras eles usaram esse símbolo como uma forma de causar choque e ao mesmo tempo para destruir conceitos iconoclastas, para inverter e confundir o jeito que o símbolo era usado. Em muitos sentidos era só pra mostrar que era só um símbolo e que, no final das contas, a aliança com os irmão que também estavam sofrendo repressão e violência do Estado era a coisa mais importante. 

Uma coisa que eu acho marcante é o fato dos Panteras Negras terem feito uma aliança e não demandarem a retirada do símbolo, mostra a potência do que é o inimaginável.

Infelizmente, no dia 4 de dezembro de 1969, a polícia de Chicago invadiu o apartamento de Fred Hampton com um mandado de busca e apreensão de armas. Fred Hampton, de 21 anos, e Mark Clark, outro membro do Partido, que tinha 18 anos, foram assassinados no ataque. Logo depois começou uma onda de repressão da esquerda dos EUA que forçou o Partido dos Panteras Negras à clandestinidade, desmontando a Coalizão Arco-Íris – o que não significa que não foi revolucionária, só mostra para nós que não foi forte o suficiente para contestar o poder do Estado. Por isso, o único jeito que o mundo pode repensar nossas próprias comunidades é pensar como podemos criar uma Coalizão Arco-Íris numa escala global e o começo disso é vendo o que temos em comum com os que estão perto e a isso ser a base das nossas relações. 

A gente tem muito mais coisas que nos une do que nos separa. 

Para saber mais sobre a geografia social da cidade de Chicago e o contexto do final dos anos 60 na cidade em que nasceu a Coalizão Arco-Íris, tem um vídeo no meu canal