Foto: Reprodução / Facebook

O vereador Ricardo Nunes (MDB), vice-prefeito na chapa de Bruno Covas (PSDB), foi acusado de violência doméstica pela esposa e é investigado por superfaturamento no aluguel de creches conveniadas com a prefeitura.

Nunes foi acusado pela esposa de violência doméstica, ameaça e injúria. Segundo o boletim de ocorrência, obtido pelos jornalistas da Folha de São Paulo, foi registrado em 18 de fevereiro na 6ª Delegacia da Mulher, em Santo Amaro. Regina Carnovale afirmou na ocasião que viveu em união estável com Nunes por 12 anos, mas que eles estavam separados por causa dos ciúmes excessivos por parte dele.

O documento descreve que Ricardo Nunes não dava paz à Regina, “efetuando ligações proferindo ameaças, envia mensagens ameaçadoras todos os dias e vai em sua casa onde faz escândalos e a ofende com palavrões”, consta no boletim de ocorrência. A esposa de Nunes ainda teria afirmado sentir medo dele.

A reportagem ainda revelou que, nas redes sociais, há cinco anos, Regina fez publicações relatando que os dois tinham brigado por pensão alimentícia. Nos comentários, ela disse que tinha provas de ter sido agredida por ele. 

Ele também é alvo de um inquérito conduzido pela promotoria do Patrimônio Público e Social do Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP). O MP investiga indícios de superfaturamento no aluguel de creches conveniadas com a prefeitura.

Ao menos quatro reportagens da Folha de São Paulo relatam as suspeitas que envolvem o grupo político de Nunes com a chamada “máfia das creches”:

  1. Grupo de vice de Covas usa verba da prefeitura em lojinhas suspeitas na máfia das creches
  2. Teia de vice de Covas em creches da prefeitura envolve nomeações políticas, parentescos e empresa
  3. Grupo de vice de Covas fatura por ano ao menos R$ 1,4 milhão com aluguel de creches à prefeitura
  4. Promotoria apura irregularidades e elos políticos em creches terceirizadas

Em uma delas, o jornal mostra que sete dessas unidades conveniadas de educação e assistência rendem R$ 1,4 milhão por ano.

A Folha de São Paulo também noticiou que Nunes tem conexões políticas com responsáveis pelas entidades que gerenciam creches conveniadas da Prefeitura de São Paulo e com as empresas locatárias dos imóveis.

As denúncias incluem a possível relação do vereador com a Associação Amiga da Criança e do Adolescente (Acria) e com a Sociedade Beneficente de Interlagos (Sobei).

Bruno Covas tem adotado uma linha “paz e amor” em sua campanha eleitoral. Faz críticas à direita bolsonarista e, ao mesmo tempo, adota um discurso contra a esquerda. Porém, será que seu centrismo resiste a um olhar mais detido sobre seu candidato a vice prefeito, Ricardo Nunes? Numa pesquisa rápida, logo se vê que não. Ricardo Nunes é um conservador da bancada religiosa da Câmara Municipal, tem no currículo a campanha permanente contra os direitos das mulheres e das LGBTQIA+ e, pelo que tudo indica, é líder de um grave esquema de corrupção: a máfia das creches.

Vereador no segundo mandato e filiado ao MDB, Nunes foi emplacado como vice na chapa do PSDB por pressão de João Doria, que mira sua candidatura em 2022 contra Bolsonaro e quer disputar, desde já como presidenciável, a coligação do seu partido com o MDB e o “centrão”.

O vice de Covas indicado por Doria é parte da “bancada da Bíblia” na Câmara Municipal, fez oposição aberta à educação sexual e para igualdade de gênero nas escolas, surfando na campanha conservadora do projeto Escola sem Partido em 2015, em meio ao processo de aprovação do Plano Municipal de Educação. Não bastasse o grave fanatismo da campanha encampada por Ricardo Nunes contra projetos educacionais que podem combater a violência de gênero, ele próprio também foi acusado de violência doméstica, ameaça, injúria e falta de pagamento de pensão por sua esposa em 2011, fato que segue sem respostas na campanha de Covas.

O PSDB querer se diferenciar da extrema direita bolsonarista, adotando um discurso pró Lava Jato, Sérgio Moro e Rede Globo, mas pode esconder sua longa história de corrupção, desde a privataria tucana dos anos 90 até o escândalo da Alstom na construção do metrô em São Paulo, desde o desvio de dinheiro público no Rodoanel até a máfia das merendas. A máfia das creches envolvendo o tal vice de Covas, Ricardo Nunes, é mais um capítulo dessa novela.

Nunes parece bastante sintonizado com o modo tucano de governar: com base em dados do IPTU e outras documentações, reportagens recentes apontam que ele mantém uma rede de entidades e empresas que administram e alugam imóveis para unidades de creches públicas municipais. Os responsáveis dessas entidades entrevistados apontaram Nunes como seu “chefe”. À contratação das entidades e empresas de seus funcionários, ex-funcionários e parentes se soma a fatura de aproximadamente 1,5 milhão de reais em contratos com a prefeitura.

As creches públicas municipais são a demanda mais urgente e necessária na vida da maioria das mulheres mães e trabalhadoras da cidade de São Paulo. Um modelo de administração direta dos centros de educação infantil, que sirva para o atendimento pleno, integral e de qualidade para as crianças na primeira infância é um direito que antecede vários outros. O modelo tucano, que aposta na administração privada desse equipamento público fundamental para o desenvolvimento e a sociabilização de nossos filhos, é um terreno fértil para esquemas corruptos com empresas.

Apenas a administração direta – com a valorização das profissionais da educação, de conselhos democráticos e da participação da comunidade escolar – pode garantir a educação plena das crianças e a socialização dos cuidados em prol de mulheres mães numa cidade em que são, de longe, as principais responsáveis pelas crianças. Sabendo quem é o vice na chapa tucana, impedir um segundo turno nas eleições municipais entre Covas e Russomano se torna ainda mais necessário. O conservadorismo e a corrupção privatista são inimigos dos direitos das mulheres, das LGBTIQA+ e das crianças.

Por tudo isso, nós da Bancada Feminista do PSOL protocolamos uma representação no Ministério Público Estadual solicitando a investigação de possíveis benefícios a Ricardo Nunes na “máfia das creches”, além de informações sobre inquérito já aberto em 2019 referente ao caso. Se forem confirmadas as relações do vice de Covas com esse esquema, a chapa do tucano precisa se tornar inelegível.

Fontes: Folha de São Paulo, Yahoo Notícias e Agência Lupa

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