Nós somos o futuro

Somos os sonhos mais ousados de nossos ancestrais. Ocupamos as ruas, as redes e as mentes. Estamos presentes na música, da roda de samba ao funk. Na dança, da gafieira e samba-rock ao balé. Estamos nos esportes, nas quadras, nas piscinas, nas pistas, da várzea à copa do mundo. Somos malês, guaranis, nagôs e pankararus. Abandonados pelo poder público, queremos mostrar nosso valor.

O mês de novembro é conhecido como o Mês da Consciência Negra. Uma luta que é pela vida, por diretos e contra o genocídio, mas principalmente uma luta por liberdade. Queremos ser livres para viver e viver para sermos livres.

Por liberdade para amar e sermos nós

O Brasil é o país que mais mata homossexuais no mundo. Essas pessoas são assassinadas por amar quem amam, por serem quem são. Lésbicas, gays, bisexuais, transexuais, pessoas intersexo, que têm negado seu direito ao amor,  e viram ser retirados, muitas vezes através da violência, o seu direito de viver. Porém, essa juventude que hoje expressa seu amor pede vida. e  exige respeito.

Tire as mãos do meu cabelo!

A construção da autoestima de pessoas não brancas, em especial pessoas negras e indígenas, é um processo de dor e auto descoberta. Pessoas negras são ensinadas a odiar seu corpo natural, seu cabelo, sua pele, seus traços, na busca por um padrão de beleza branco. Apesar da estética negra ter ganhado espaço na mídia e entre algumas empresas, pessoas negras e indígenas ainda são vistas como exóticas, como minorías que devem ser tuteladas, quando na verdade são a maioria. Que o respeito à identidade étnica seja uma premissa nas relações de igualdade em nossa sociedade. Para isso, a introdução deste debate desde os primeiros anos escolares é fundamental. O papel das leis 10.639 e 11.645 é suscitar este debate, e vários outros, sobre uma ótica que desconstrua essa imagem negativa de pessoas negras e indígenas.

Mulheres negras são sinônimo de solidariedade

Mulheres negras são a base da pirâmide social. Estão nos piores postos de trabalho e são maioria nas piores condições de vida, sendo, muitas vezes, o pilar que sustenta famílias inteiras. Historicamente, isso as transformou em criadoras de novos modelos de organização social, de comunidades e coletivos. Como suas vidas são políticas, elas dão vida a políticas de solidariedade, redes de apoio e de trabalho. Durante a Pandemia, foram elas que garantiram a sobrevivência de suas famílias, se arriscando para colocar comida no prato ou organizando estratégias para que não faltasse comida no prato de outras famílias.

A arte na periferia representa vida

A periferia respira cultura. Cada canto da cidade é uma fábrica de talentos dos mais variados. Em São Paulo, cada baile funk equivale a um balé real, cada samba na laje abre alas para as escolas de Samba, cada grafite na parede da cidade é um pedaço em céu aberto do Museu de Artes Sacras. A Cultura da periferia, que é cultura negra, é pulsante, renovadora e precisa cada vez mais de incentivo. Perdemos talentos todos os dias para a violência, para a fome, para o abandono. Sem acesso à cultura, impedimos nossa juventude de viver. Para isso se faz necessária uma política de incentivo a construção de centros culturais, cinemas, teatros e aparelhos de lazer nas periferias da cidade, além da valorização dos projetos culturais que já existem.

Por dignidade e direito à moradia

A falta de moradia digna é um dos principais problemas sociais da cidade de São Paulo e o principal gerador de desigualdades. A maior cidade do país possui casas suficientes para abrigar toda a sua população sem teto, porém, em nome do lucro dos bancos, se naturalizou a pobreza.  Temos visto diversos casos de desabamentos motivados pelas fortes chuvas que, na última semana, causaram  a morte de um homem no bairro de Paraisópolis, além de deixar várias famílias desabrigadas. Este problema poderia ser resolvido se o Estado  cumprisse com seu dever de garantir condições dignas de moradia para a população. Prédios vazios devem possuir função social e não  contribuir com a especulação imobiliária.

O racismo também está no prato

A insegurança alimentar alcançou níveis nunca antes vistos no Brasil. Pessoas comem restos do lixo para garantir uma alimentação mínima. Os altos preços de insumos básicos, além dos preços absurdos das carnes hoje, fazem com que a população se sinta desesperada, sem saber se haverá comida no dia de amanhã. A fome e a miséria, que também tem cor e endereço, tomaram conta do país e na cidade mais rica da nação, vemos casos desesperadores. Encontramos ainda mais pessoas negras, que retornaram para a faixa da miséria durante os últimos 5 anos. É urgente um plano de alimentação que não apenas garanta a sobrevivência da população mais pobre, com saúde, sem veneno e pobreza nutricional.

Para além do luto, somos luta

O genocídio da população negra avançou durante os governos de Jair Bolsonaro, João Dória e Bruno Covas. Com a ausência de políticas públicas inclusivas, que visem diminuir as desigualdades sociais e garantir os direitos mínimos para a população mais pobre, que em sua maioria é negra, enfrentamos uma crise social. Massacres recentes, como a Chacina de Osasco e o Massacre de Paraisópolis são exemplos de como a polícia trata nossa juventude: como um problema a ser eliminado. Para a vida de cada jovem que morre, uma família inteira é destruída. Porém, cada vez mais esse luto tem se transformado em mobilização, organização popular, em luta. Não mais permitiremos que nossos jovens sejam mortos, seja pela bala, pela fome ou pela ausência de futuro. É urgente uma política de segurança pública que vá para além da polícia, que atue na educação, saúde, lazer e moradia, em defesa da vida e futuro da juventude negra que não se reduz às estatísticas de violência. Segurança pública se constrói com políticas sociais.

É por esses e tantos outros motivos que nós da Bancada Feminista do PSOL reconhecemos a importância de reafirmar nosso compromisso com a luta antirracista, construindo um forte mês de novembro, junto aos movimentos negros, nos somando às principais iniciativas e mobilizações, como é a tradicional Marcha da Consciência Negra no 20 de novembro. Estaremos em diversos territórios de São Paulo desenvolvendo atividades em parceria com moradores, ativistas, artistas, educadores, coletivos e movimentos, levantando a importância do combate ao racismo e ajudando a impulsionar a potência da juventude negra na nossa cidade.

Para saber mais, acesse e acompanhe nossas redes sociais. https://bancadafeministapsol.com.br/juventudenegravivaelivre

Bancada Feminista do PSOL – mandata coletiva na Câmara Municipal de São Paulo composta por Silvia Ferraro, Paula Nunes, Carolina Iara, Dafne Sena e Natália Chaves.

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