Todo ano sempre surge aquela típica problematização sobre o Big Brother Brasil ser coisa de gente alienada, perda de tempo e etc.

Essa condenação em cima do entretenimento, me assusta muito porque parte dela vem de um elitismo branco- hetero- masculino- colonial. Onde, tudo o que foge do aval dos “grandes pensadores detentores do conhecimento” não é visto como válido.

Isso também serve para analisarmos o elitismo acadêmico, por exemplo. Antes da aprovação das Políticas Públicas de Política de Cotas Raciais  do Governo PT, as universidades Públicas estavam acostumadas a receberem apenas pessoas brancas de classe média alta para cima, fazendo pesquisas com referênciais teóricos voltados para pensadores Homens- brancos-cis Europeus. 

Após a inclusão das Políticas Públicas, o perfil universitário das universidades públicas começou a mudar, consequentemente as pesquisas, os referenciais teóricos e o que poderia ser considerado pensamento/cultura/pesquisa válida. Principalmente, pessoas negras/indigénas/LGBTQIAP+ começaram a sair desse lugar de “objeto de pesquisa’’ e se tornaram pesquisadores.

Ignorar o BBB como algo válido até mesmo para uma análise social, é ignorar o pensamento popular! Muitas pessoas que já passaram por ali, refletem o que boa parte da população brasileira pensa, às vezes são pessoas de fora de nossas bolhas sociais agradáveis onde todo mundo pensa igual.O programa em si é uma pequena amostra de algumas pessoas para uma análise completa, até porque o próprio programa não tem esse objetivo. 

A edição de 2021, é a primeira edição com mais  pessoas negras em  número e não apenas como cota. Em menos de 24h, debates raciais e de gênero foram pautados no programa de uma forma didática. 

Inclusive, o próprio Gilberto, doutorando em Economia, representa muitas pesquisadoras e pesquisadores da nossa geração, falando sobre as gambiarras que precisou fazer para a bolsa render, dar conta da pesquisa, da vida, família, boletos. Temos também Lumena, falando sobre o sonho de trabalhar com Arte, sendo recuperado por agora depois de ter que entrar em outras profissões para pagar suas contas e sobreviver.

Veja bem, desde 2020, estamos vivendo em um momento de pandemia, isolamento social, milhares de mortes. Além disso, no Brasil, ainda temos o desgoverno genocida do Bolsonaro negando a gravidade do Covid- 19, disseminando Fake News sobre a vacina, gastando 15 milhões em leite condensado e outros absurdos.

Querer que as pessoas não busquem formas de relaxar e aliviar a cabeça diante desse cenário caótico que vivemos, é arrogância. Tem gente que se “aliena” com futebol, lutas, videogame, séries, filmes, livros, dormindo….

Eu vou seguir bem próspera assistindo BBB e isso não irá me fazer menos pesquisadora, mestranda, escritora, Youtuber…. Melhorem. Até a próxima.

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