Exatamente como se estivéssemos sequestrados pelo governo atual, muitos de nós vínhamos nos perguntando: “Até quando isso vai durar? Quando vamos nos livrar desses caras?”. Para essas perguntas, vínhamos pesquisando sobre os prováveis candidatos à presidência em 2022 e vendo o que diziam as pesquisas de intenção de votos para o cargo. Até a tarde de segunda-feira, para todos os eleitores do campo progressista, o cenário era muito desanimador. A Paraná Pesquisas, há quatro dias atrás, colocava Bolsonaro liderando com média de 33% de intenção de votos e, no segundo lugar, um empate técnico entre Haddad, Moro e Ciro, com média de 10% de intenção de votos. Porém, para o levantamento do Ipec, realizado antes da decisão do STF que torna Lula elegível, 50% dos entrevistados disseram que votariam, com certeza, ou poderiam votar em Lula, se ele pudesse se candidatar, e 44% afirmaram que não o escolheriam de jeito nenhum. Já Bolsonaro aparece com 12 pontos a menos que Lula, no potencial de voto (38%), e 12 a mais na rejeição (56%).

Sim, somos a favor de todas as autocríticas do governo de esquerda, e consideramos Belo Monte, da forma que foi feita, um enorme erro ecológico e achamos que os líderes indígenas deveriam ter sido mais ouvidos, dentre muitas outras coisas. Mas seria loucura comparar o Brasil, com o protagonismo no Mundo que Lula entregou; com o país de hoje, desmontado e estraçalhado pelo governo atual. Ao se interessar por spray israelense, cloroquina e desestimular o uso de máscara, o governo atual está fazendo política com nossos corpos.

O Brasil, que já foi modelo para erradicação da fome em diversos países, hoje é visto pelo Mundo como um enorme laboratório de novas cepas, uma ameaça mundial. E infelizmente, hoje, somos mesmo. Num caso recente, o rapaz perdeu a mãe e o pai para a covid-19. “Em outro país, teria sido diferente”, ele disse. “Se o mais alto cargo do Brasil, nosso funcionário mais caro, diz que a máscara não é eficaz, e meus pais o obedecem e morrem, não posso abrir uma ação contra esse funcionário, que carrega responsabilidades administrativas?”, perguntou. Não pode. Mas podemos nos unir para retirá-lo legalmente desse cargo em 2022!

O auxílio emergencial hoje, mesmo reduzido, vale como fator positivo para a popularidade de Bolsonaro, como foram os direitos trabalhistas para Getúlio, dadas as devidas proporções. Lula foi o personagem político mais atacado pela imprensa na história desse país. Lula promete desarmar a população. Grande parte da população quer se armar e vem se armando. Temos muitos desafios pela frente. Mas como as notícias catastróficas, somadas ao vírus, têm sido frequentes, como as enchentes no Acre e a autorização para a exploração de petróleo em santuários próximos a Fernando de Noronha; estamos também nocauteados. Estamos preocupados com os que estão contaminados e com as pessoas mais próximas das que morreram. Mas estamos também com muita vontade de nos libertar dessa administração criminosa. Não sabemos qual será o destino dos processos de Lula e não somos ingênuos sobre isso. Mas acreditamos que temos hoje, uma nova oportunidade para derrubar o obscurantismo e o desmonte que arrasa nossa terra!

Seguiremos lembrando, nas redes e nos grupos familiares, o que de fato aconteceu juridicamente com Lula e Haddad, este segundo, também absolvido há poucos dias pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, por falta de provas pela parte acusadora. A imprensa foi tímida ao noticiar a absolvição de Haddad. Seguiremos nos articulando para que possamos nos unir e eleger um presidente do campo progressista em 2022. Essa não é nossa prioridade atual mas já é nossa maior meta para outubro do ano que vem! Pelos 268 mil mortos pela covid-19, pelos 10 milhões de brasileiros que voltaram a passar fome, pelos 14 milhões de desempregados, pelo desmonte e aparelhamento criminoso nos setores da Educação, da Saúde, do Meio Ambiente, da FUNAI e da Cultura, pela sobrevivência dos povos originários, pelos que deveriam estar vivos e não estão mais, unamo-nos!

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