Por Laura Samily da Silva – ativista, comunicadora, multiartista, pesquisadora e produtora cultural. Mulher negra, sapatona, nascida e criada no interior de Minas Gerais. Estrategista na ONG Think Olga (SP) e Diretora Geral da Coletiva Conecta (DF)

Não acredito em processos de cura sem relação alguma com rituais de conexão corpórea e espiritual. Não acredito em mindfulness, coach, pnl, ou qualquer um desses termos importados por quem não tem consciência do que é estar aqui, nesse corpo, nesse tempo, com essa carga ancestral.

Não acredito em floral, lítio, rivotril ou qualquer outra composição química que fornecem cura em copo d’água para tratar sintomas, sem a soma de caminhos outros de re-conexão. Não acredito, mas me entenda, não venho aqui para invalidar o seu acreditar. Acho que tudo é processual e individual e aqui onde eu estou, acredito cada vez mais que apenas o resgate de caminhos não colonizados, são capazes de estabelecer cura plena para indivíduos e sociedades adoecidos.

Precisamos olhar e cuidar de nossos corpos físicos e mentais, na mesma medida que olhamos e cuidamos de nossos corpos cósmicos. Nós, principalmente nós, que historicamente tivemos os mais diversos tipos de cuidados usurpados e negados, seja com nosso corpo, seja com nossas mentes, seja com nossos espíritos.

Acredito no poder dos pequenos cuidados, que trabalham na fricção das coisas simples que causam revolução.

Dormir o tempo que o corpo precisa para que possa descansar. Comer alimento que nutre sem agredir o corpo. Tomar sol na cara e vento nos cabelos. Inspirar ar puro e encher os pulmões de vida. Agradecer por tal fôlego.

Cheirar uma planta e banhar-se dela. Sentir o próprio rosto, a própria pele, os próprios pelos. Se tocar, se auto-abraçar, se fazer uma massagem, uma siririca. Deitar de barriga pra cima e sentir costas, braços e pernas tocando o chão. Fumar menos se puder, para conseguir respirar melhor. Eu sei, ansiedade às vezes é foda, mas pense, existem outras formas de lidar com essa safada, que estendem a vida.

Lembrar que é matéria experienciando o plano material, sem se esquecer que essa experiência faz conexão com outros planos. São carinhos possíveis que nossos corpos cansados merecem, sabe?

Qual a sua expectativa de vida bem vivida? De coração batendo forte com vontade de pulsar pra além do corpo?

Qual a sua expectativa de vida ativa, explodindo no mundo, se derramando, se descobrindo, se revivendo, dia-após-dia, SEM PARAR?

Eu quero que você viva muito, porque eu quero viver muito. E, pra mim, só faz sentido se estivermos experienciando essa jornada juntas. Sempre a caminho do novo, do desconhecido, daquele que sabemos que é possível, daquele que em outro tempo já vivemos. Um melhor que esse, que já está em curso, que nós mesmas, junto de nossas ancestrais, estamos construindo faz tempo.

Nosso corpo é nosso único lar. Te desafio a cuidar mais dessa casinha que é só sua, da mesma forma que venho me desafiando a cuidar um pouco melhor da minha.

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