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Imagem de acervo.

Em 2016 me candidatei a vereador por Goiânia em uma campanha construída sobre os princípios da diversidade, igualdade, juventude e cultura. Isso graças ao PSOL, partido no qual sou filiado justamente por estar alinhado com todas essas agendas progressistas do século XXI. Um dos motes da campanha – construída em colaboração com amigos e parceiros – foi o de que “Ninguém luta pela igualdade sem antes lutar pela diversidade”.

Essa igualdade tão almejada só vale se existir para todas as pessoas e se elas participarem da construção. Porém esse horizonte só se tornará cada vez mais real à medida em que for construído da forma mais plural e multicultural possível – isso é parte da espinha dorsal de uma sociedade inclusiva. Por isso as lutas devem ser inclusivas – para que as conquistas sociais sejam para todas as pessoas e não para os mais privilegiados.

Wladmir Safatle, em seu trabalho “A esquerda que não teme dizer seu nome”, discorre sobre questões que podem orientar o pensamento na definição das pautas de uma esquerda renovada. A defesa é a de que se a primeira dimensão do igualitarismo diz respeito à luta contra a desigualdade econômica, a segunda se refere às demandas de reconhecimento na vida social. Por isso a esquerda deve ser “indiferente às diferenças”.

A esquerda e as lutas progressistas no Brasil devem ser inclusivas ao ponto que, quando qualquer pessoa for alvo de injustiça – tendo afinidades conosco, ou não – devemos nos posicionar contra a opressão em questão. O que está em jogo e deve ser impedido, onde não há equidade, é a mão do agressor, do opressor homofóbico, do patrão que comete assédio moral durante a entrega daquilo que deveria ser uma “homenagem”, da crítica amarga a uma mulher negra que assinou uma linha de bolsas, do homem machista em rede nacional ou do assassino de Dandara. Julgar qualquer indivíduo nessas situações, se merecem ou não sofrer aquela pena, fica fora de questão. Nosso papel é lutar pela igualdade.

Portanto se um dos desafios da esquerda é “resistir e reexistir”, ela deve partir do princípio da igualdade em seu projeto de futuro. A única maneira de barrar o pensamento reacionário é reorganizar a política e estruturar o campo social a partir da diversidade e da universalidade, sem qualquer exigência identitária. As possibilidades de escolha de cada pessoa são o trampolim para o futuro que queremos.

Nossos corpos, nossas vidas e nossas diferenças podem conviver ao mesmo tempo!

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