Foto: Rafael Sanchez-Fabres / Olympics Real Game Photo

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Infelizmente nossas polícias militares estão marcadas por um histórico de ações ilegais e crimes, que muitas vezes não são investigados, ou terminam impunes.

Os métodos empregados por essas instituições são exemplos mundiais de violência e violação dos Direitos Humanos, além de servirem como termômetro para demonstrar a incapacidade do poder público em lidar com problemas sociais, como a questão do racismo ou a das drogas.

Na última semana um jovem de 16 anos foi assassinado em Goiânia, dentro de sua residência, por um grupo de policiais à paisana. Sem mandado, os policiais apagaram as luzes da casa de Roberto Campos da Silva e invadiram a residência da família. Em depoimento, eles afirmaram que entraram na casa errada e que procuravam um traficante.

Os policiais que assassinaram o menino Robertinho agiram de forma ilegal e tragicamente executaram um adolescente, além de ferir gravemente o pai. Infelizmente o caso não é isolado. Segundo o Observatório de Direitos Humanos da UFG, esse padrão é endêmico e está institucionalizado.

Na mesma semana em que Robertinho foi assassinado, um jornal relembrou os 12 anos de impunidade em relação ao desaparecimento de um jovem após uma abordagem policial, também em Goiás. Se estivesse vivo, Murilo Soares Rodrigues teria 24 anos.

A dor de perder alguém para a violência é irreparável – principalmente se praticada por aqueles que deveriam nos defender.

A trágica violência a que estão submetidas essas famílias se intensifica diante da impunidade encontrada no sistema de justiça criminal.

Essa terrível sensação de não ver a Justiça agir como deveria é absolutamente prejudicial a uma ideia de Estado Democrático de Direito. A mãe de Murilo, já desacreditada das instituições, diz: “Não acredito em punição a PMs” e completa que “a impunidade, no caso do meu filho, fez com que a polícia continuasse matando. Quantos Murilos já se foram depois do meu?”

Situações como a de Robertinho e de Murilo ferem princípios básicos dos Direitos Humanos e da Constituição da República, além de não respeitarem tratados internacionais que dão diretrizes para a utilização da força e das armas de fogo.

Robertinho foi executado cruelmente.

Nada justificará o assassinato de um garoto que não oferecia risco, nem mesmo segundo os policiais. Murilo simplesmente desapareceu deixando a família desolada. Por eles e por tantos outros jovens mortos pelas mãos da polícia, é preciso parar com a violência policial e com o extermínio das juventudes! É preciso dar um fim aos atos de desvio de atuação e abusos de poder por parte da Polícia Militar.

Não acredito que esse cenário de crimes e horror possa deixar de existir com a PM nas ruas e agindo impunemente.

Realmente duvido que os procedimentos da PM deixem de amedrontar as camadas mais pobres da população. Não dá mais para vivermos amedrontados, sob a mira de uma polícia que não pensa duas vezes antes de matar.

Por isso, para que possam ser transgredidas as velhas práticas ilegais, o abuso de poder e a violência policial excessiva precisamos enfrentar esse modelo de estado e pedir, mais uma vez, o fim da Polícia Militar.

“Invadem sua casa sem um mandado oficial / Levam o pouco que você tem, te chamam de marginal” – Porcos Fardados, Planet Hemp

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