O projeto ‘Alimento para todos’ cumpre mais um papel de costura política, alinhando os interesses do agronegócio, igrejas e empresariado, do que a função de ‘erradicação da fome’.

.

As últimas semanas não foram de muitas alegrias para a gestão de João Doria. Mesmo apostando em suas peças de marketing para promover as decisões do Executivo, a aprovação de sua gestão na prefeitura de São Paulo declinou novamente, de acordo com a Folha de São Paulo em matéria publicada no Domingo (08).

Apoiando-se no slogan “AceleraSP”, João Trabalhador prometeu ao paulistano comprometimento com a cidade, principalmente com as regiões mais carentes, jamais aplicado por qualquer outro prefeito.

Contudo, segundo a Folha, os picos de aprovação da nova administração se encontram entre os bairros mais ricos, enquanto que as reprovações se concentram em regiões mais periféricas de São Paulo. Nada de novo sob o Sol, afinal, o que esperar de um prefeito que se reuniu mais com seus amigos empresários do que com os movimentos sociais nesses nove meses?

Doria que tanto tenta se distanciar da figura do “político tradicional”, utilizando-se do personagem “João Trabalhador”, porém, está na mesma vala comum dos prefeitos anteriores tanto nas pesquisas, quanto nas questões mais tangíveis para a população.

As reclamações seguem sendo as mesmas: os semáforos inoperantes, as vias todas esburacadas e remendadas, a falta de zeladoria na cidade, a falta de transparência (principalmente no que tange às “doações”), entre outros.

Aparentemente, a estratégia de se utilizar das redes sociais para mostrar seus feitos à frente da prefeitura, consolidar o personagem de trabalhador, e se destacar na disputa à presidenciável pelo PSDB, talvez, esteja se revertendo contra João Doria.

Para a população, os vídeos disponibilizados nas redes de Doria servem mais para a promoção da figura do prefeito, do que pautar, de fato, a cidade. Bem como suas viagens pelo Brasil e pelo mundo, a expressão disso é que a maioria das pessoas entrevistadas pela Folha acham que as viagens do prefeito trazem prejuízos para a cidade, e benefícios pessoais ao prefeito. 58% quer que Doria permaneça na prefeitura e se preocupe mais com São Paulo.

A última jogada de mestre por parte da sua equipe de comunicação foi a publicidade da chamada ‘Ração Humana’. É absurdo que um prefeito se utilize da pobreza e vulnerabilidade dos cidadãos como uma peça de marketing.

O projeto ‘Alimento para todos’ cumpre mais um papel de costura política, alinhando os interesses do agronegócio, igrejas e empresariado, do que a função de ‘erradicação da fome’.

Esta questão, amplamente debatida com os especialistas da área, se relaciona com a falta de distribuição dos alimentos, portanto, a política pública mais efetiva se baseia na expansão dos restaurantes populares e incentivo à agricultura familiar.

Pelo visto, para João Doria, vale tudo na disputa eleitoral.

Doria é mais um político: governando para si e seus pares da elite paulistana. Mais preocupado com sua carreira no cenário de 2018, do que com os diversos problemas que enfrentamos cotidianamente nas escolas, hospitais, transportes, etc.

Conheça outros colunistas e suas opiniões!

Raull Santiago

O privilégio não aguenta ver um preto da favela no topo!

Daniel Zen

A prisão de Michel Temer

André Barros

Quem mandou o vizinho do presidente da República matar Marielle?

Colunista NINJA

HIV, prevenção, cura e políticas públicas: uma jornada a ser trilhada

Daniel Zen

Pequenos movimentos sociais de novo tipo

Movimento dos Pequenos Agricultores

Mulheres camponesas, resistência e as políticas do governo Bolsonaro

Gabinetona

Uma carta para Marielle

Benedita da Silva

Benedita da Silva: Quem mandou matar Marielle Franco?

Renata Mielli

Renata Mieli: A morte de Marielle Franco, o discurso de ódio e a desinformação

Maria do Rosário

Maria do Rosário: Quem mandou matar Marielle Franco?

Daniel Zen

Comitiva brasileira se porta como uma república de bananas em terras de Tio Sam

Preta Rara

Quando a dor é preta, não viraliza

Macaé Evaristo

Macaé Evaristo: Levante por Marielle

Raull Santiago

Raull Santiago: Um ano

Joana Mortagua

Joana Mortágua: O país que Marielle voltará a pisar