Foto: Mídia NINJA


Nós somos importantes, além de sermos muitos e muitas neste país que historicamente cresce ao custo de nos explorar, de nos tratar de forma desigual, de nos conter a partir de violência direcionada ao nosso povo.

Ainda assim, repito, somos muitas pessoas e precisamos valorizar o significado dessa potência, buscando encontrar uma forma coletiva de nos observar, de nos proteger e nos fortalecer nacionalmente, a partir de nossas ações locais, mas também, nos eixos interestaduais.

O eixo sul-sudeste deste país, controlado de forma exploradora por famílias de políticos/as e empresários/as, concentra renda e comunicação nas mãos destas poucas pessoas da elite, que em momento algum estão preocupados conosco, muito menos com as pessoas fora desse eixo sul-sudeste, que são ignoradas como Brasil.

Nós que moramos dentro desse eixo -sulsudeste, que somos vocês do Brasil que este sistema tenta invisibilizar, somos violados também. Vemos nosso genocídio acontecendo o tempo inteiro através de várias justificativas hipócritas, racistas e covardas, como a chamada “guerra às drogas” que só acontecem nas áreas mais pobres, financeiramente falando.

Para essa elite privilegiada, não existe diferente entre nós, favelados e faveladas, de maioria norte-nordeste, indígena e preta aqui no sudeste. Somos explorados e violados do mesmo jeito, a diferença é que habitando aqui no sul-sudeste, conseguimos chamar um pouco mais de atenção, por estar dentro desse do coração da de quem nos explora.

Eu vivo em um Brasil de 26 estados e um distrito federal, onde no máximo 5 estados são mostrados como “resumo” de Brasil, enquanto todo o restante é ignorado, jogado a própria sorte, por diversos fatores.

Eu vivo em um país rico de recursos naturais; água doce, alimentos e um solo fértil. Lugar de poucas ou nenhuma catastrofes como terremotos e furacões. Mas vejo nossa população passar fome, sede e não tendo um teto neste vasto território nacional, porque uma minoria com grande quantidade de capital acumulado na história do derramamento de nosso sangue, é dita como dona de territórios, que por exemplo, desde sempre estiveram ocupados por povos indígenas.

Eu vivo em um país rico culturalmente, mas que prefere copiar a cultura de fora, de colonizadores, enquanto exterminam a tiros a cultura local; Um país que tentou ao máximo manter meus irmãos e irmãs de Áfrika como escravos até hoje. O que só não aconteceu, porque nosso povo ancestral lutou bravamente por sua liberdade; um país que assiste em silêncio o genocídio dos povos originários indígenas.

Tudo isso que falei, somos nós, que seguimos na UTI da história, respirando por aparelhos e temendo uma queda de luz. Tendo apenas incertezas, diante de uma crescente desigualdade que aumenta por segundo nesta nação Brasil, ou Pindorama como chamavam os indígenas que habitavam aqui deste sempre.

Só tem um porém nisso tudo…

O remédio que solucionaria esse esculacho somos nós mesmos, cada indivíduo indígena, quilombola, favelado e perferica, em união, mostrando a potência das 26 nacões-estado e distrito geral, focando o sistema dominador dito democrático, uma imprença racista dita democrática e um falso eixo sul-sudeste que explora todo este país, para manter o privilégio de uma minoria, enquanto nós, com fome, com sede, sem teto, ainda vemos nosso corpo ser furado, nosso sangue escorrer, como significados das políticas públicas de segurança que não nos incluem.

Para fazer isso, em coletivo, precisamos fortalecer nossas trocas culturais, dar visibilidade as nossas artes e culturas, mas também as violações que acontecem todos os dias de forma nacional. Precisamos fortalecer nosso povo através de compartilhamento de saberes diversos sobre quem somos e quem fomos na ancestralidade. Sei que isso já acontece, mas acredito que precisamos encontrar formas de tornar isso ainda mais concreto, a partir de uma união geral, contra todos aqueles e aquelas que nos vêem como menos e nos exploram todos os dias.

Só a união nacional, para fortalecer as bases estaduais, poderão construir um eixo de mudança no significado atual de um Brasil tão violento e desigual para nós.

Somos o centro de tudo, precisamos nos unir!

[[as nossas vidas importam]]

Nosso povo precisa saber, acreditar e lutar por isso….
E quem nos viola ou pensa ao contrário, não podemos deixar que esqueçam!

Nós,
Por nós!

Conheça outros colunistas e suas opiniões!

Felipe Milanez

Assassinato de indigenista da Funai na Amazônia precisa de investigação federal

Mônica Horta

Moda democrática e o novo mundo

Estudantes NINJA

O Brasil está em chamas e a rua te chama

Benedita da Silva

Benedita da Silva: Bolsonaro imita Nero

André Barros

Não se combate o tráfico na favela

NINJA

Toninho Geraes: “Sou a favor do grito de liberdade contra essa tirania que assola o país”

NINJA

O escândalo das eleições gerais em Trinidad & Tobago

NINJA

“Precisamos ter voz para acabar com essa onda da extrema direita”, alerta Teresa Cristina

NINJA

Feminismo nas igrejas: "não queremos tomar o poder dos homens, mas destituí-lo"

Liana Cirne Lins

Brasil abaixo de fezes, cocô por cima de todos

Estudantes NINJA

Um (quase) final de ano de tantos retrocessos

NINJA

“Não colem em mim esse discurso da meritocracia”, diz Conceição Evaristo

Preta Rara

A senzala moderna é o quartinho da empregada

NINJA

A criminalização do aborto e o feminicídio de Estado

NINJA

“O samba é a coisa mais importante na cultura brasileira”, ressalta Zé Luiz do Império