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27 de abril, Dia Nacional da Empregada Doméstica, a data mulhenageia (igual homenageia só que no feminino) a Zita que foi empregada doméstica aos 12 anos na Itália e que após a sua morte foi canonizada como Santa Zita que é a padroeira das domésticas.

Estamos nessa ano mega conturbado politicamente, indo dormir perdendo direitos e acordando perdendo direitos.

E não temos nada a comemorar a não ser a existência da vida dessas mulheres que se dedicam ao máximo para cuidar de família que não são delas é poucos às valorizam.

O Brasil tem a maior população de empregados domésticos do mundo, uma estimativa [próxima] de 7 milhões de empregados, que segundo o diese de 2013 78,8% são mulheres pretas. É esse não pode ser o único lugar de trabalho para nós.

Criei a página e a hashtag Eu Empregada Doméstica em julho de 2016 e ainda continuo recebendo relatos atuais de assédio, agressão física e verbal e várias outras atrocidades.

A honestidade das trabalhadoras são testadas diariamente é patroa que coloca dinheiro debaixo do sofá pra ver se a doméstica vai devolver, somos acusada de roubo e continuamos passando fome na casas dessa elite brasileira.

Em seis anos da Pec das Domésticas ainda tem trabalhadora sem direito as férias, licença maternidade e registro em carteira.

Trabalham em situação precária sem equipamentos de segurança, ainda se debruçando em sacada e janelas e perdendo a vida como aconteceu recente com a Maria Augusta dos Santos de 59 anos que caiu do nono andar em São José do Rio Preto.

Vivemos sobre uma ditadura que usa a veste da democracia que atende pelo nome de um presidente que não nos representa, que votou contra a PEC das Domésticas em 2013 com um argumento enojado dizendo que aumentaria o desemprego, foi o único deputado federal na época que votou NÃO pela equiparação dos direitos das trabalhadoras domésticas.

Vale lembrar que o trabalho domésticos só foi reconhecido como um trabalho regularizado em 1972 que passou a ser obrigatório o registro em carteira. Porém eu trabalhei por sete anos e não tive registro nenhum, pois não à fiscalização em todos os lares.

Em entrevista para a Agência Brasil, o presidente do Instituto Doméstica Legal, Mário Avelino falou sobre a Pec o que se viu desde a entrada em vigor da atual legislação – “que tirou a categoria de uma cultura escravagista à base de subemprego” – foram crescimentos tanto da formalidade como da informalidade.

É fato que hoje em sua grande maiorias a informação sobre direitos trabalhistas está chegando aos poucos para as trabalhadoras doméstica, através das organizações, entidades, mídias alternativas para que se exija e garanta os direitos que já foram conquistados e vivemos em extrema ameaça de perder.

A senzala moderna continua sendo o quartinho da empregada e de lá estão escutando a nossa voz que rompeu o silêncio da casa dos patrões.

De todos os relatos que eu recebi através da página, estou organizando e escrevendo o livro Eu Empregada Doméstica que lançará ainda nesse semestre, que trará a narrativa da minha história entrelaçada com relatos da minha vó e da minha mãe, falando que o trabalho doméstica foi por muito tempo hereditário para as mulheres pretas e trazendo mais de duzentos relatos da real vida das trabalhadoras domésticas nessas casas bonitas das “famílias perfeitas”

Com o livro eu espero dar uma chacoalhada ainda maior nessa estrutura racista colonial Escravocrata resquício de uma Abolição não conclusa, afim de gerar incômodo pra se ter mudança nessa relação de trabalho que ainda está longe de ser humanizada.

Lendo relatos diariamente desde 2016 eu percebo que os relatos do final do ano para os dias de hoje são ainda mais perversos, com requinte de crueldade e ameaça de morte se as trabalhistas denunciarem, tudo reflexo da corja política da bancada que manda matar e depois vai pra igreja orar.

O livro será uma grande pedra no sapato em quem sempre viveu do lado de lá e nunca quis saber como é o lado de cá, de trabalhar oito horas e não pode usar o banheiro porque no apartamento não tem banheiro de empregada, de ter que preparar o almoço mas não pode almoçar a comida deles; de ser estuprada pelo patrão engravidar e ser expulsa da casa sem emprego, sem dinheiro e sem afeto.

E desse lugar que sairá o livro e é essa importância que terão essas histórias sendo escrita e protagonizadas por pessoas que viveram tudo isso.

Estamos na luta por dias melhores de garantir nossos direitos trabalhistas até sermos respeitadas dentro do nosso local de trabalho, em busca de relações trabalhista no qual humanizam nossa existência.

Relembrar minhas dores e vivenciar as dores das trabalhadoras em cada relato que leio diariamente é um dolorido profundo, porém necessário fazer a nossa voz ecoar.

Mulheres trabalhadoras domésticas desse Brasil, foi tão difícil chegar até aqui, quantas de nós perdemos a vida dedicando a nossa existência em prol de pessoas que querem somente a nossa força de trabalho.

Existimos e resistiremos cobrando nossos direitos. ✊🏿

Grande abraços a todas as domésticas do Brasil.

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