Foto: Thais Marinho/ Mídia NINJA

Na última terça, representantes da mineradora Vale e do Ministério Público se reuniram com mais de 400 vítimas do crime ocorrido em Brumadinho. A resistência da mineradora em atender as demandas das famílias vitimadas pela lama transformou a assembleia em um palco de tensão e troca de ofensas.

Frente aos pedidos de assistência emergencial, os funcionários da Vale – Edvaldo Braga, Vítor Libânio e Humberto Pinheiro – diziam não ter autonomia para decidir sobre tais demandas e, ressaltaram que, primeiramente, seria necessário identificar quem teria ou não direito aos benefícios e, posteriormente, ajustarem as condições de recebimento.

Vítimas presentes criticaram tal posicionamento e, em meio aos gritos reativos e emocionados da plateia, ouviu-se uma senhora questionar aos prantos: “Vocês mataram meu irmão em 10 segundos e agora vão esperar quantos meses para amenizar o que minha mãe está sentindo?”. Em resposta aos diversos problemas levantados, Edvaldo Braga, executivo da mineradora, repetidamente dizia apenas que lamentava.

A reunião foi mediada pelo MP, representado pelo promotor estadual André Sperling, que em momentos pediu que a Vale não usasse de respostas fáceis e deixasse de picaretagem, enfatizando que a população precisa de respostas e ações rápidas para amenizar a crise instalada pelo crime. Como ressaltado por uma das vítimas presentes aos representantes da mineradora, “Para matar vocês são rápidos”.

REIVINDICAÇÕES

Ao final da reunião com a Vale S.A. (06/02) os representantes da ALCOPAPA (Associação de Moradores do Parque da Cachoeria, Parque do Lago e Alberto Flores) endossados pelo Defensoria e Ministério Público defenderam as reivindicações que, mesmo após cinco reuniões, ainda não foram negociadas pelo representante da Vale S.A. junto a comunidade:

– Pagamento de R$ 5.000,00 para cada família das comunidades associadas;
– Quitação de dívidas contraídas pelos agricultores, por exemplo, junto ao PRONAF;
– Pagamento de 2 salários mínimos/mês por família até que se reestabeleça a ordem na comunidade;
– Construção de uma cozinha comunitária.

A Vale tentou se esquivar da questão alegando a dificuldade na comprovação das necessidades de cada família. No entanto, os próprios representantes da associação afirmaram que é do interesse deles contribuir para que ninguém se aproveite da situação e que todas as declarações têm como ser comprovadas.

O promotor avaliou que as demandas colocadas pela comunidade do Parque da Cachoeira “são razoáveis, chegam a ser modestas” e estabeleceu um prazo até sexta-feira (08/02) para que a Vale S.A. dê uma RESPOSTA às reinvindicações, que são de caráter emergencial. Entretanto, até o momento, não ouve qualquer posicionamento da mineradora quanto ao cumprimento das demandas acima.

NOVAS ALERTAS

Prefeitura emite aviso de evacuação e suspende atividades no dia 8.

Nesta madrugada, 08/02, dois municípios de MG foram evacuados devido ao risco de rompimento de barragens de rejeitos. As mineradoras, Vale e ArcelorMittal, responsáveis pelas atividades nas regiões evacudas, informaram por meio de nota que a retirada de moradores das regiões se deu exclusivamente por motivos de prevenção.

Residentes de comunidades de Barão de Cocais foram surpreendidos pela sirene de alerta de rompimento de barragem à 01h00 da madrugada e evacuaram suas casas. A prefeitura local informa que mais de 500 pessoas foram direcionadas ao ponto de acolhimento no ginásio da cidade e estão sendo auxiliadas de forma emergencial.

Em informe, a Vale, proprietária da barragem, comunicou que o alerta de evacuação na região da mina Gongo Soco deu-se de forma preventiva após a empresa de consulturia Walm negar a emissão de Declaração de Condição de Estabilidade da estrutura analisada. Adicionalmente, a Vale informa que nova empresa foi chamada para fazer análise da barragem nos próximos dias. Entrentanto, questiona-se o motivo pelo qual o alerta foi dado em meio à madrugada, o que sugere que não seria apenas uma situação de prevenção e aponta a gravidade da situação.