Marielle foi uma mulher negra, vinda da favela, que se forjou lutadora de causas sociais e dos Direitos Humanos. A população brasileira exige postura e coragem do parlamento brasileiro.

No Congresso Nacional, Deputada Maria do Rosário cobra justiça pelo caso da execução de Marielle e Anderson. Foto: Mídia NINJA

Neste dia 14 de março, completa-se um ano do brutal assassinato de Marielle Franco, vereadora do PSOL pelo Rio de Janeiro, e de seu motorista Anderson Gomes. A investigação deste crime começa a apontar os caminhos tortuosos que deram fim à vida de Marielle e Anderson, e a máscara que escondia o rosto de seus algozes começa a cair.

Uma pergunta continua a ecoar no Brasil: quem mandou matar Marielle Franco?

A prisão dos ex-policiais Elcio Vieira de Queiroz, piloto do carro em que partiu os tiros contra Marielle e Anderson, e Ronnie Lessa, que puxou o gatilho da arma, é um importante passo, ainda que tardio. Os ex-policiais que puxaram o gatilho neste crime não são os policiais honestos que protegem pessoas. São aqueles que abusam de autoridade, viram criminosos e assassinos de aluguel. Estes usam a farda e a arma do Estado, mas traem seus colegas e a sociedade. Estão entre os piores bandidos.

Contudo, a prisão destes executores é apenas a ponta da lança de uma trama que ainda não foi toda revelada. Urge que se apurem todas as possibilidades, inclusive um possível envolvimento oculto de atores políticos na morte de Marielle Franco e Anderson Gomes. Cabe recordar que o assassino é vizinho de Jair Bolsonaro e que o filho do presidente nomeou, em passados recente, assessores parlamentares ligados às milícias do Rio de Janeiro.

Essas milícias têm histórico de violência e assassinatos contra as pessoas que defendem os Direitos Humanos.

Este assassinato, antes de qualquer coisa, foi um crime político que tirou a vida de uma parlamentar. Uma possível proximidade do presidente da República ou de seus familiares com estes criminosos que ceifaram a vida de Marielle e Anderson precisa ser investigada. Nesse sentido, é fundamental o envolvimento de organismos internacionais como a Corte Interamericana de Direitos Humanos, a Organização das Nações Unidas e o grupo Anistia Internacional nos esforços investigativos sobre as motivações e os mandantes da execução de Marielle, bem como sobre a atuação dos milicianos no Estado do Rio de Janeiro.

A Câmara dos Deputados deve reafirmar seu compromisso com a Democracia, a Constituição e com os Direitos Humanos. Para tal, a primeira tarefa é que se instaure imediatamente a comissão parlamentar de inquérito sobre as milícias.

Enquanto as atitudes necessárias não forem tomadas, seguirá reverberante a dor da perseguição da covardia e do ódio político. Sem verdade não há memória, e sem memória nunca haverá justiça.

Hoje, seus algozes políticos perguntam: — Antes de sua morte, quem era Marielle Franco?

Eu respondo. Marielle foi uma mulher negra, vinda da favela, que se forjou lutadora de causas sociais e dos Direitos Humanos. A população brasileira exige postura e coragem do parlamento brasileiro. Aqueles que faltam com respeito, riem, ou quebram placas com seu nome não valem o chão que Marielle pisou.

Mas há ainda uma pergunta mais importante e urgente que precisa ser feita todos os dias: quem mandou matar Marielle Franco?

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