Arte: Gilmar / Design Ativista

A semana que se encerrou trouxe, entre tantas atrocidades do governo Bolsonaro, duas lives particularmente alarmantes.

Na tentativa de estabelecer comunicação direta com a população brasileira, o Presidente, em uma ocasião, noticiou seu decreto inconstitucional liberando o porte de armas pela população, fazendo com as mãos o sinal de “arminhas”, acompanhado nesse histrionismo por diversos parlamentares sem-noção.

Em outro momento, assistiu a seu Ministro da Educação noticiar o corte dos recursos “discricionários” de financiamento das Universidades Federais usando bombons para explicar erradamente a proporção dos cortes. Excluída a hipótese de que o Professor Weintraub ( do campus de Osasco da UFABC) não saiba calcular percentagens, ficamos diante da tentativa de passar desinformação em doses cavalares.

O “contingenciamento” operado nos orçamentos das Universidades Federais de fato corresponde em média a 30% de seus gastos de custeio: segurança, limpeza, energia, telefonia, insumos para laboratórios e atividades docentes, manutenção da assistência estudantil. A essa mutilação somaram-se outras notícias horríveis, com destaque para a suspensão de bolsas da CAPES, atingindo alunos matriculados em Mestrado e Doutorado, alguns fazendo seus estudos fora do Brasil.

Para usar as imagens de gosto do Presidente, essas mediadas são artilharia pesada contra estudantes, professores, técnicos, contra toda a comunidade universitária.

Em outros momentos de sua breve história ( comparada com a tradição quase milenar da Universidade européia e com a tradição pentassecular da Universidade nas Américas), a Universidade brasileira já enfrentou escassez e restrições a seu financiamento. Dificuldades conjunturais que não se comparam à presente ofensiva, que é deliberada e programática.
Não podemos permitir que “esse bando de doidos”, na expressão contundente e apropriada do Presidente Lula, imponha ao Brasil sua agenda obscurantista, claramente lesiva aos interesses da nossa soberania .

É impossível conceber um projeto nacional de desenvolvimento que não considere como recurso crucial o sistema nacional de educação superior, constituído pela rede de Universidades e Institutos Federais.

Por isso, toda a população brasileira está convocada a defendê-la, e, ao fazê-lo, defender o Brasil.

Todos à rua no dia 15 de Maio pela Democracia e pela Educação brasileira!!

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