Publicado originalmente nas redes sociais.

Agorinha saía de um lugar e uma senhora começa a gritar: “meu Deus, como é feia, como é feia, como é feia”.

Pobre Deus, sendo chamado para debater feiúra num mundo em que milhares de mulheres são violentadas sexualmente e mortas.

Ontem uma amiga escreveu um texto sobre o livro e relatava que saia de um show comigo e alguém disse: “não sei porque gostam dela, nem bonita é”.

Talvez porque no concurso que eu concorri, chamado eleições, eu fui a que mais projetos apresentou.

Antes de ontem recebi uma mensagem aqui: “você é gorda por dentro, sua vagabunda horrorosa”. Entendi na hora o que ela quis dizer com gorda por dentro. Sabendo que fui gorda, ela quis dizer: “você pode até ter ficado não gorda por fora, mas por dentro você segue”.

E gorda, ser mulher gorda é o oposto do que uma mulher pode querer ser nessa sociedade gordofóbica em que somos estimuladas a retaliar o corpo pra tirar cada dobrinha “excedente”.

Nunca participei de concurso de beleza.

E também nunca me senti tão bonita como me sinto aos 37, com os cabelos ficando grisalhos, lutando e vencendo as lutas para aceitar meu corpo, encarando de frente meu transtorno de imagem, deixando meu braço balançar por aí e sorrindo a vida e tatuando as lembranças.

Mas o fato é que o nosso corpo, o corpo das mulheres, é tão objetificado que a imensa maioria das críticas que recebo são sobre … estética.

Quantas vezes você quer divergir de uma mulher e diz que ela está gorda, feia, velha?

Conheça outros colunistas e suas opiniões!

Boaventura de Sousa Santos

Lula da Silva: a democracia entre o passado e o futuro

Renata Mielli

Que manchete um jornalista daria para essa notícia?

Manuela d'Ávila

Joice, eu sou sinceramente solidária a você porque sei o que você está vivendo

Mônica Horta

Moda contemporânea e seus múltiplos caminhos

Dríade Aguiar

Liberdade para todas as pretas

Jean Wyllys

Carta a Dilma: Eu cuspi na cara dele por você, Dilma. Por nós.

André Barros

O fim do Bolsonaro

Renata Mielli

Já dizia minha mãe sobre desculpas, não dá pra atirar e pedir desculpa pro morto

Tainá de Paula

A milícia é a primeira prefeita da cidade do Rio de Janeiro

Daniel Zen

O equívoco liberal chileno

Daniel Zen

O equívoco liberal chileno

Estudantes NINJA

Um (quase) final de ano de tantos retrocessos

Eduardo Sá

“Não colem em mim esse discurso da meritocracia”, diz Conceição Evaristo

Preta Rara

A senzala moderna é o quartinho da empregada

NINJA

A criminalização do aborto e o feminicídio de Estado