Ninguém está sentindo medo? Sério!?

Foto: Reprodução

Quem é a próxima vítima do ódio? Eu? Você?

Uma das minhas tombou.

Ninguém está sentindo medo? Sério!? Porque eu temo a minha vida quando estou em lugares abertos ou superlotados. Quando entro no metrô também. Eu ando de janelas fechadas, prefiro carro de vidro fumê. Minha cadeira de rodas tem cinco níveis incríveis de velocidade, eu ando no cinco correndo para que eu não seja parada em momento algum, porque dependendo do lugar, eu tenho medo.

Não converso com todo mundo que me aborda. Se alguém me grita na rua eu aceno, às vezes. Nunca conversei, mesmo sendo a coisa que eu mais amo fazer, e já ia me esquecendo, também ando de cabeça baixa se estou sozinha.

Me esquivo de toques surpresas, e às vezes reajo mal, porque tenho medo que alguém queira me puxar. Se estou de joelhos na cadeira de rodas pra conversar, como sempre fico, quem me conhece sabe, prefiro que alguém fique próximo a mim, me sinto mais segura.

Quando algum macho hétero branco me elogia ou pede foto, fico receosa. Se daqui a algumas horas minha página ser bombardeada de ataques, idem. Quando tem muita gente no local e eu não consigo visualizar a saída, devido estar sentada e mais baixa, peço para alguém abrir caminho para que eu passe, não só por causa da acessibilidade, mas também porque consigo andar com mais agilidade para sair da multidão, nunca sei o que pode acontecer.

Estrelismo!? Parece neh? Antes fosse… Agora me dei conta que ser quem eu sou me torna um alvo fácil. Parece uma loucura, mas neste momento está muito mais palpável a insana brutalidade cega, disfarçada de posicionamento político alienado.

Meu país não é um lugar seguro para mim.

Welcome to Brazil.

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