Há anos a China cresce a proporções impressionantes com um papel pesado do Estado para induzir a eficiência na área de tecnologia, fomentar a oferta de crédito e qualificar a mão-de-obra.

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Nos EUA, o presidente Trump, em plena guerra comercial com os chineses, saiu de acordos multilaterais de livre-comércio, aplicou gigantescas barreiras tarifárias para garantir a produção com conteúdo nacional e lançou um mega programa de desonerações fiscais, e também tem conseguido garantir baixo desemprego e crescimento.

Em Israel, que é o país economicamente mais avançado no Oriente Médio, o Banco Central não mantém o câmbio flutuante, as tarifas de importação são pesadas e o Estado não só tem forte papel indutor na economia como é também administrador de boa parte de setores importantes, como transportes, infra-estrutura, energia etc.

No Brasil, entretanto, nossa situação é de demonização das opções em economia que estes países fizeram. Aqui, há tempos, economistas “”liberais”” – os únicos ouvidos pela imprensa em suas entrevistas, em todos os telejornais – se convenceram de um receituário diferente. Ou foram convencidos por ponto eletrônico para agradar seus patrões.

Para eles, nosso futuro estaria destinado à agropecuária (onde eles veem vantagem comparativa nas nossas relações de comércio); nossas empresas estatais deveriam ser leiloadas sem nenhum planejamento ou estudo prévio sobre o impacto, a toque de caixa, como se fossem maltrapilho; os bancos estatais que ampliam a oferta de crédito deveriam ser repassados para os concorrentes no setor privado que praticam cartel; e as máfias de transportes, como o Clube do Tatu (em SP) e dos Barata (no RJ), e de empreiteiras (como o Clube das Empreiteiras, liderado pela Odebrecht) funcionam como exemplo de eficiência do setor privado na administração de serviços que antes eram públicos.

Ainda não temos notícia de nenhuma fórmula melhor para acabar com cabides de emprego, os tais cargos de indicação, do que concurso público. Com uma avaliação padronizada, fica com a vaga o mais qualificado, independentemente de puxa-saquismos, do racismo ou de qualquer coisa. Mas aqui sabiamente economistas “”liberais”” (que expressam suas opiniões com ponto eletrônico nos ouvidos) conseguiram maquiar todo funcionário público como um vagabundo, sugerindo que seria melhor para todos nós que eles se tornassem funcionários da iniciativa privada (na modalidade pós-reforma trabalhista, sem direito a quase nada). Assim também abrem caminho para que os novos donos das nossas estatais também possam empregar livremente seus parentes em cargos que antes estavam à disposição de todos os brasileiros.

Se ao menos a fórmula deles desse certo, se houvesse tantas vagas de funcionários públicos para serem distribuídas para quantidade de preguiçosos e parentes que esperam se beneficiar delas com privatizações, não haveria problema e não precisaríamos tocar sempre neste assunto. Ocorre que já há dois anos um governo que não foi eleito pelo voto aplica este receituário, com medidas inclusive draconianas, como a PEC do Teto de Gastos, e não há nenhum sinal de melhora. Não baixa o desemprego, não sobe a renda, não cai o preço do custo de vida. Eles aplicam, aplicam… chegam a competir pra ver quem é o mais radical (será Guedes ou será Levy ou será Pedro Parente?), e tudo que acontece são caras de paisagem quando saem os resultados. Que são, por sua vez, sempre lidos com a mesma cara de paisagem pelos jornalistas “”liberais”” que defendem (de ponto eletrônico nos ouvidos) os interesses de curto prazo dos grandes anunciantes dos jornais. E os brasileiros mais pobres, é claro, é que pagam o pato.

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