O “senso comum” manipulado como arma política produz fascismos!

Wagner Shwartz durante performance La Bête, no MAM.

O MBL está se especializando em produzir escândalos em cima do senso comum e de um imaginário do medo. Medo de estupro, medo de pedofilia, medo da nudez, medo do corpo de um homem nu! E encontrou um filão: a arte contemporânea, em que as obras que tratam ou expõe nudez, problematizam a vergonha e a negação do corpo, rompem com o senso comum e fazem avançar nossa percepção. Um campo incrível que tem obras disruptivas e tem toda uma história.

Basta TIRAR DO CONTEXTO que a imagem de uma criança agachada tocando a canela de um homem nu deitado, estático, em estado de paumolescência, sem nenhum tipo de conotação sexual, é considerado um ato de violação dos direitos das crianças e adolescentes e um incentivo a pedofilia.

A mãe, que estava presente na performance, e incentivou a criança de 5 anos a tocar a canela do performer é considerada irresponsável, deveria “perder a guarda” da criança e a obra, apresentada no MAM (Museu de Arte de São Paulo) punida, censurada, impedida de ser realizada.

Os Museus, os Centros Culturais, os espaços de exposição são frequentados por pessoas que estão dispostas a se expor as provocações e problematizações de obras e autores. Não são IGREJAS, não são lugares ‘privados”, são espaços públicos que tem uma FUNÇÃO e um propósito.

Obviamente que mesmo a arte e os museus e espaços culturais tem que estar atentos aos totens e tabus dos grupos sociais. Indicar, como fazem, a presença de nudez ou de cenas que podem constranger as pessoas sensíveis e a família brasileira (que Nelson Rodrigues tão bem descreveu, na sua loucura hipócrita)

Mas a cruzada patética do MBL CONTRA a arte contemporânea é uma guerrilha de marketing que na história da arte e do mundo já foi derrotada e faz tempo. Voltar a censura, alimentar tabus, é uma campanha obscurantista que não dá para em hipótese nenhuma relativizar.

E mães contemporâneas não têm medo de naturalizar a nudez masculina diante das crianças. Os estupros e violações começam DENTRO DE CASA, geralmente nas casas das famílias que bradam a favor da moral e dos bons costumes, que reprimem e censuram a nudez e a sexualidade. Mães e pais que tomam banho com seus filhos, que se expõem e expõem os corpos nus das crianças com naturalidade e que naturalizam a sexualidade não criam estupradores e obcecados com sexo.

É comum ver homens e mulheres parcialmente ou totalmente nus, tomando sol nos jardins, parques europeus. Ninguém se incomoda com os corpos nus expostos. No Brasil seria atentado ao pudor?

Em nota divulgada, o MAM destaca que a criança estava acompanhada da mãe e que a sala onde ocorria a performance estava “sinalizada sobre o teor da apresentação, incluindo a nudez artística”. O museu também sublinha que o trabalho, entitulado “La Bête”, não tem qualquer conteúdo erótico.

Criança não pode tocar o corpo de um homem nu? Criança não pode pegar no peitão da mãe? O corpo DESSEXUALIZADO existe!

Conheça outros colunistas e suas opiniões!

Mônica Horta

Moda não é arte. Mas pode ser
Ver agora

Márcia Tiburi

Ridículo Político: Imbecilizador Profissional
Ver agora

Colunista NINJA

Doria: A gente não quer só comida
Ver agora

Preta Rara

Preta Rara: Racismo na infância
Ver agora

Renata Mielli

Doria e a tática Trump, o uso do Big Data para ganhar eleições
Ver agora

Sonia Guajajara

Sônia Guajajara: Três reivindicações indígenas ao Parlamento Europeu
Ver agora

Ericka Gavinho

Ruralistas x Quilombolas: Terra a quem de direito!
Ver agora

Ericka Gavinho

Liberdade ontem, hoje e sempre!
Ver agora

Maria do Rosário

Maria do Rosário: Pela revisão da Lei da Anistia
Ver agora

Marielle Franco

Direitos fundamentais não estão à venda nas lojas
Ver agora

Leonardo Péricles

A luta política atual e a necessidade de construir uma alternativa de esquerda
Ver agora

Jandira Feghali

A volta do trabalho escravo no Brasil
Ver agora

Margarida Salomão

Conhecimento sem cortes, pelo bem do Brasil
Ver agora

Renata Mielli

Renata Mielli: Consumidores mirins, tecnologias e a infância perdida
Ver agora

Marcelo Freixo

Marcelo Freixo: Nudez não é pedofilia
Ver agora