Foto: Mídia NINJA

“Eu já servi à Pátria amada!”. Eu só queria dar esse abraço apertado em Jean Wyllys nesse momento em que, vivendo sob escolta policial e ameaçado de morte ele tomou a difícil decisão de abandonar a vida pública e sair do Brasil, deixando do seu mandato como Deputado Federal. É muito triste para o país, para as lutas e para a democracia. Mas Jean será uma voz no exílio de combate a política mafiosa que se apodera do Brasil.

Como milhares de pessoas participei de todas as campanhas de Jean Wyllys com empolgação e entusiasmo desde que apareceu na cena política, como o primeiro parlamentar brasileiro a se assumir gay e travar todas as lutas contra o obscurantismo!

Jean foi um dos mais combativos e corajosos parlamentares de nossa instável democracia.

Com uma trajetória surpreendente e imprevisível, literalmente “hackeou” a mídia e os mecanismos de visibilidade máxima da TV e da cultura de massa, saindo de um programa de entretenimento como Big Brother Brasil para chegar no Congresso brasileiro e subverter o conservadorismo mais tacanho e propor outras pautas. Jean não fazia a diferença simplesmente, ele era a diferença. Sua causa passa pela sua vida, toda implicada nas lutas que trava.

Jean Wyllys tem a cara de uma nova geração de políticos: antenado com seu tempo, pop, com uma presença forte e diária nas redes sociais, interagindo com qualquer um, e que abraça as causas mais impopulares e as mais difíceis, no campo do comportamento e das diferenças.

Era um contrapeso no Congresso para Felicianos, Bolsonaros, Malafaias e Sarneys e tudo o que temos de mais atrasado! É preciso ter muita convicção e crença para lutar, com as armas da democracia representativa tão combalida, pelo que acreditamos. Num pais em que nos ensinaram a ter “horror” a política.

Nesse momento sai do Brasil ameaçado pelas mesmas forças e milícias associadas a morte de Marielle Franco. Uma mulher negra da periferia e um parlamentar gay! Uma assassinada e outro ameaçado de morte pelos mesmos poderes fáticos e odiosos, pelo lodo que se subiu para a superfície!

Na Folha de São Paulo de hoje expõe suas razões: “De acordo com Wyllys, também pesaram em sua resolução de deixar o país as recentes informações de que familiares de um ex-PM suspeito de chefiar milícia investigada pela morte de Marielle trabalharam para o senador eleito Flávio Bolsonaro durante seu mandato como deputado estadual pelo Rio de Janeiro.”

“Me apavora saber que o filho do presidente contratou no seu gabinete a esposa e a mãe do sicário”, afirma Wyllys. “O presidente que sempre me difamou, que sempre me insultou de maneira aberta, que sempre utilizou de homofobia contra mim. Esse ambiente não é seguro para mim”, acrescenta.’

Jean adora música e fala por música. Só lembrei de Raul Seixas, nesse momento: “Mamãe, não quero ser prefeito/ Pode ser que eu seja eleito/ E alguém pode querer me assassinar/Eu não preciso ler jornais/ Mentir sozinho eu sou capaz/ Não quero ir de encontro ao azar/ Papai não quero provar nada/ Eu já servi à Pátria amada/ E todo mundo cobra minha luz/ Oh, coitado, foi tão cedo/ Deus me livre, eu tenho medo/ Morrer dependurado numa cruz”

Jean Wyllys queremos você vivo! Volte logo! Volte com a democracia! Todo nosso amor e apoio nesse momento!

Não tenho dúvida que serão as Marielles e os Jeans que vão derrotar os governos mafiosos. Com suas ideias!

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