Quando o consumo e o mercado estão na frente dos conservadores em termos de comportamento.

Foto @barbiestyle

Depois de ter sido astronauta, médica, cozinheira, sereia, mulher-objeto, ter sido acusada, justamente aliás, de sexismo e associada aos padrões de beleza do capitalismo, os fabricantes da Barbie (já lançaram Barbie negra, Barbie muçulmana e com o hijab, o véu, etc), buscam, em termos de comportamento e estética, adaptar a moça para os novos tempos da diversidade e para a revolução dos corpos e mentes com os movimentos LGBTQI…

Barbie tem sido hackeada por todo tipo de ativismo e agora está expandindo seus relacionamentos para além “daquele amor de plástico” com Ken!

Tem quem ache irrelevante, mas para os que amam os signos e o simbólico, tudo é anunciação!

“Uma foto de Barbie ao lado da boneca Aimee foi publicada pelo perfil oficial do Instagram Barbie Style. As duas aparecem em clima romântico usando uma camiseta com as palavras Love Wins (“O Amor Vence”) escritas. Love Wins foi usado pelos grupos pró-casamento gay nos Estados Unidos e o termo ganhou o mundo como sinônimo das lutas da comunidade LGBT.”

Será que no Brasil vão queimar e hostilizar a boneca? Afinal Barbie pode ser tão ou mais perigosa que Judith Butler e mostrar para as criancinhas, para as meninas e para os meninos, que não tem nada de errado com os afetos diversos. Barbie, uma nova propagadora da temível “ideologia de gênero” : )

Ou simplesmente o mercado constatando o óbvio, se tem uma força que não dá para barrar é essa do desejo, que tem se imposto apesar de séculos e séculos de repressão, criminalização, caretice etc. Como diz Canclini, em consumidores e cidadãos. O consumo se apropria dos desejos, mesmos os mais disruptivos e perturbadores, mais rapidamente que o Estado e outras instituições lentas produzem direitos e institucionalidade para os muitos.

P.S. Ainda em torno da Barbie-objeto que desgosta o feminismo, Barbie também caiu no ENEM 2017 pelos motivos opostos em uma questão que tratava sobre o impacto dos brinquedos na vida das crianças. Barbie e suas medidas irreais que produzem padrões de beleza inatingíveis, apontada como uma formatadora de corpos e mentes, uma “figura cuja cintura não é capaz de conter um rim de um ser humano de tamanho natural”. Pois é, bom saber que a nova Barbie tem mais jogo de cintura. Mas a loura causa e tem causado estragos subjetivos. E ela vai ter que se desconstruir muito muito mais!

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