A JBS foi responsável por 11% de todas doações nas campanhas de primeiro turno em 2014. Parece muito, mais saiu barato.

Arte: Mídia NINJA

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Hoje as manchetes tratam de Temer e Aécio X JBS. Ontem, eram sobre Dilma e Lula X Odebretch e OAS. Passam-se os anos, entra presidente, sai presidente, e a pergunta permanece: Porque a corrupção não acaba?

A verdade que responde essa pergunta é dura.

A corrupção, no sentido da ilegalidade formal, ou seja, da utilização da máquina pública a serviço dos interesses de empresas e do mercado financeiro, não é um privilégio do governo Temer, Dilma, nem mesmo do de FHC.

O ciclo de relações promíscuas entre os políticos e os capitalistas é, foi e será perpetuado enquanto a linha que divide o que é público e privado for tênue.

É que os políticos que se rendem à lógica do sistema capitalista se transformam, em maior ou menor escala, em instrumentos dos interesses da iniciativa privada, verdadeiros “infiltrados” para operar na máquina pública e favorecer os interesses desta ou daquela empresa.

Ironicamente, para entender o problema da corrupção “ilegal”, devemos partir daquilo que é legal. A corrupção nasce do conteúdo político das leis, feitas pelos próprios políticos e, portanto, nada imparciais.

O ciclo do sistema político brasileiro inicia com a eleição dos representantes do povo: vereadores, deputados e senadores. Ora, na concretude do processo eleitoral é preciso imprimir panfletos, elaborar programas de TV e de pessoas para efetivamente fazer campanha, tudo isso custa dinheiro. Quem tem dinheiro no sistema capitalista? São eles mesmos, os empresários!

Por sua vez, o que buscam os empresários? Lucro! Não é difícil perceber que a legislação eleitoral brasileira existe para favorecer esse ciclo promíscuo, e não o contrário!

Ao permitir a doação privada de campanha, a legislação eleitoral abre uma margem gigante para interferência do setor privado nos rumos políticos do Brasil.

Os fatos, públicos e notórios, confirmam essa teoria. O próprio grupo JBS fez uma doação de 113 milhões de reais nas campanhas de 2014, sendo o grupo econômico que “doou” 11% do total de doações no primeiro turno. A Odebrecht não ficou atrás, fez uma doação de 150 milhões de reais para as campanhas em 2014.

Onde se lê “doação”, deve-se ler “investimento”.

Parece muito dinheiro pra você? Pra nós também, mas pra eles até que sai barato, viu?

O grupo JBS saltou seu faturamento total de R$ 4 bilhões em 2006 para R$ 170 bilhões em 2016. A Odebretch chegou a faturar 100 bilhões de reais em um ano. Ambas tiveram seu crescimento financiado com recursos públicos do BNDES.

A crise de poder que se abriu no Brasil gera inúmeras perguntas: Quantas chances a elite ainda dará a Temer? Se cair, qual o caminho apresentado pelos poderosos:  uma eleição indireta por um Congresso Nacional sem qualquer credibilidade aos olhos da população?

A tarefa do momento é ocupar as ruas e evidenciar a revolta com nosso sistema político. Levantar a bandeira das Diretas Já e contra as Reformas para pressionar a queda de Temer e, se não suficiente, pressionar os parlamentares pelas Eleições Gerais.

É preciso ter um programa propositivo, que inclua uma reforma política inflexível do ponto de vista da defesa dos direitos garantidos pelo poder público, da democracia ousada, direta e popular. Que derrube o financiamento privado de campanha.

Esse é o único caminho para que as vozes das ruas ecoem alto no parlamento brasileiro.

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