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2017 foi muita coisa.

Foi o ano em que gravaram Aécio – senador da república – falando que ia matar o próprio primo. Foi o ano em que prenderam os últimos três governadores do Rio de Janeiro. Foi o ano em que Wladimir Costa tatuou o nome de Temer em seu próprio corpo. O ano em que Temer homenageou as mulheres e disse sermos astutas seguidoras do orçamento doméstico. Foi o ano em que prenderam Paulo Maluf (depois de 20 anos de inquérito!). Foi o ano em que o dinheiro de Geddel cresceu, foi morar sozinho e ganhou seu próprio apartamento. Foi o ano em que o presidente do Brasil disse: “Não sei como Deus me colocou aqui”.

Em 2017, entendemos 2016, o tal do golpe institucional.       

Descobrimos em 2017 que tudo aquilo aconteceu para que algumas medidas pudessem ser tomadas: aprovar a PEC do teto dos gastos públicos, que vai gerar um colapso no acesso à serviços públicos básicos como saúde e educação. Para aprovar a reforma trabalhista que desmonta a legislação que resguardava 40% da população brasileira. A aprovação da reforma da previdência de outro lado continua quicando no toma lá da cá que sustenta a governabilidade de Temer.

2017 foi o ano que escancarou o cinismo da política que temos e não foi pouco: os políticos mandaram a “modéstia às favas”, como diria Gilmar, e riram do povo brasileiro. Só faltou um “chora na cama que é lugar quente”.

Apesar da pouca vergonha dos políticos, em 2017 teve também o povo sem medo, uma frente de trabalhadores, intelectuais, artistas, mulheres, ninjas, negritude, sem-tetos, lgbt’s. Um grande encontro, colorido e esquerdista, no Brasil.  

Sem medo de debater, esse povo reuniu 100 mil pessoas no Vamos, uma plataforma política que unifica os corajosos de norte a sul do Brasil. Sem medo de lutar, esse povo arrancou vitórias ocupando o escritório da presidência da república. Sem medo de enfrentar a especulação imobiliária, construiu a maior ocupação da américa latina em São Bernardo do Campo. Sem medo de se contrapor às burocracias paramos as ruas na maior greve geral das últimas décadas no Brasil.

Sem medo.

Sem medo de reconhecermo-nos enquanto parte e não o todo de um processo de reorganização, cujo objetivo central é constituir um campo de unidade e diversidade, popular e de massas, que nos traga a esperança de ver nascer uma – tão necessária – nova esquerda brasileira.    

Essa nova esquerda está sendo gestada, nasce e se fortalece a cada passo de luta que finca o pé em direção ao novo.

Existe sim uma alternativa para o Brasil! Inclusive uma que pode ser melhor do que as que vieram, que não irá reproduzir os erros estratégicos dos governos petistas, sabe como? Nas bolas divididas tem que ficar com o povo, e não se abrir!

A grande lição do golpe de 2016 é que a desigualdade que assola o povo brasileiro não será combatida se não enfrentando de frente os privilégios das elites. Um país sem miséria não pode coexistir com o projeto dos coronéis, muito menos, estar aliado com eles.

O povo que não tem medo de coronéis também não teve medo de entender essas lições e não titubeou, ocupou as ruas, as praças e os nossos corações.

Vamos resgatar a esperança no futuro. Não apenas em 2018, mas nos próximos anos que estão por vir. Nada contra aqueles que preferem a opção mais “útil”. O medo tende a causar uma postura conservadora mesmo. Eu, contudo, fico com os que optam por fazer uma nova história nascer.

Guilherme Boulos, companheiro admirável e incansável nas lutas do povo brasileiro, é expressão autêntica e orgânica da resistência que cresce. É para nós, um tremendo orgulho estar hoje debatendo a possibilidade de sua candidatura. Pensa numa pessoa sem medo!  

As eleições de 2018 são um momento importante, no qual precisamos reafirmar diante de todo o povo brasileiro que existe alternativa e o nome dela é: CORAGEM.

Estamos diante do que poderá ser um novo passo, a construção de uma nova história, que nos levará a lugares próximos do futuro que esse nosso povo sem medo merece.  

         

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