Foto: Mídia NINJA

Somos maioria nos presídios, nas favelas e nas gavetas do IML…

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nós, pretos e pretas, somamos 52% da população do país, portanto poderíamos eleger um presidente da nossa cor, em vez de estarmos servindo de bucha de canhão para os mesmos candidatos brancos de sempre, que utilizam da situação social vulnerável do nosso povo, com o intuito de sempre serem eleitos com os votos da miséria.

E que fique explícito, digo isso sem excluir nenhum partido político, só para exemplificar, dos setenta e sete Deputados Estaduais do estado de Minas Gerais, apenas um é negro. Essa situação não muda muito na bancada federal, e piora, quando analisamos a nossa representatividade no Senado Federal. Dito isso, feitos os cálculos, sabemos que não possuímos representatividade real nas instâncias de decisão de nossa sociedade.

É evidente que existem problemas que não são específicos de pretos e pretas, porém são comuns na quebrada. Tais situações não são problemas difíceis de resolver, a meu ver. A título de exemplo: o esgoto a céu aberto desde a eleição passada, a escola da quebrada que continua zoada do mesmo jeito, a gravidez precoce das minas aos 14 anos e o genocídio dos manos antes da maioridade, são, na verdade, a prova da ausência do Estado Brasileiro na periferia.

Daí, portanto, podemos concluir que, por experiência, tal ausência é reflexo da falta de representatividade do povo periférico, e mais: podemos inferir que tais contextos são na verdade criados pela estrutura política hegemonicamente branca do nosso país, ou você acredita que o candidato branco vai resolver os problemas de preto e periférico?

Não sejam displicentes, pretos e pretas e periféricos em geral, quanto mais treta, melhor. Dessa forma, os brancos sempre irão brotar na sua quebrada, com as mesmas ideias de sempre, sem falar dos “pretos” que trabalham para os políticos brancos, que usam isso para legitimar e afirmar suas ações brancas. Kralho, fico de bobeira observando essa treta esse papo de “somos todos humanos” não vira, é muito “tilelê”.

Não me leve a mal, precisamos de uma presidenta preta estilo uma rainha nagô, liderança tipo nossa saudosa Nzinga, acompanhada de uma forte bancada de parlamentares pretos e pretas, lotados em todas as instâncias: vereadores(a), prefeitos(a), deputados(a), governadores(a) senadores(a), para que dessa forma possamos ter voz e governança para minimamente amenizar as mazelas que o povo preto e periférico sofre.

As eleições estão aí, aproveite, vamos praticar o voto preto e periférico.

Quando a casa grande queimar, todos que estiverem dentro dela irão queimar juntos!!!

Salve Malcolm X

Conheça outros colunistas e suas opiniões!

Monique Prada

Monique Prada: Pode a puta de luxo falar?

Renata Mielli

Fake News: A apologia da verdade como instrumento de censura

Ivana Bentes

Museu Nacional: Não é acidente, é barbárie!

Lindbergh Farias

Lindbergh Farias: Globo não me representa

Israel do Vale

Israel Do Vale: O que será da Folha nas mãos do irmão que sempre cuidou da área comercial?

Laio Rocha

Como frear o encarceramento em massa no Brasil e nos EUA?

Pastor Ariovaldo

Pastor Ariovaldo: Trabalho como estímulo para o progresso da comunidade

Ericka Gavinho

Ericka Gavinho: Em que sociedade nos transformamos?

Renata Mielli

Caso Bolsonaro: vamos conversar sobre fascismo e ódio?

Gabinetona

Plano diretor e a luta pela gestão democrática das cidades

Tulio Ribeiro

Mattis e o roubo do século

Tulio Ribeiro

A dolarização e o neocolonialismo

André Barros

Paes é Cabral. Cabral é Paes

André Barros

Criminalização racista da maconha

Jean Wyllys

Jean Wyllys: 6 perguntas para Jair Bolsonaro