Polícia reprime manifestação da greve geral no centro de São Paulo. Foto: Tuane Fernandes/Mídia NINJA

Polícia reprime manifestação da greve geral no centro de São Paulo. Foto: Tuane Fernandes/Mídia NINJA

Amanhã, vai ser maior!

Não é possível mais compactuarmos com a violência policial que assola o Brasil. Esta chegou, há muito, a níveis inaceitáveis para uma sociedade que se diga democrática e pretenda ter, nas forças policiais, apoio para garantia de seus direitos e não quem os viole.

Ontem, no Rio, na manifestação contra as reformas da previdência e trabalhista propostas pelo Governo Temer, a atuação da PM foi mais uma vez desastrosa. O ato, que estava marcado para começar às 18h na Cinelândia, mesmo antes de se iniciar foi totalmente desmobilizado pela violência da PM, que atacou deliberadamente as pessoas que exerciam o seu direito constitucional à manifestação.

Apesar disso, muitos resistiram e retornaram à Cinelândia. A manifestação estava transcorrendo, com as pessoas cantando o Hino Nacional, quando a polícia atirou bombas de gás lacrimogênio no meio da multidão, inclusive no palco.

Há vídeos, relatos e fotos nas redes sociais que desmentem a justificativa habitual da polícia de que agia para conter quem depredava os patrimônios público e privado.

Ainda que isto fosse verdade – e não o é –, foi totalmente desproporcional a ação da PM. Do mesmo modo, não é crível que, com todo aquele aparato de armas e homens, a polícia não conseguisse deter um pequeno grupo, necessitando atacar todos os outros milhares de manifestantes que lá estavam.

A mesma estratégia foi usada pela polícia em 2013, diga-se de passagem com apoio da ex-presidente Dilma Rousseff, que mandou seus homens da Força Nacional ao Rio de Janeiro.

Pelas ruas do Centro do Rio de Janeiro, repetiu-se a caçada aos cidadãos presentes ao ato, encurralando-os, sufocando-os e ferindo-os. Essa violência se estendeu a outros bairros como Lapa, Glória e Catete, horas depois dos primeiros ataques da polícia no Centro do Rio.

Ao identificar como a PM agiu novamente, à luz do dia e de câmeras, não há como deixar de associar tal prática aos costumeiros relatos de moradores de favelas sobre a atuação da polícia naqueles locais, sempre sob o pretexto de combate ao tráfico de drogas.

Ora, se agem assim em pleno Centro do Rio, imaginemos o que não fazem nos becos das favelas, onde já há uma diferença básica: ali, as balas não são de borracha.

Esse não é um fenômeno que se verifica apenas no Rio de Janeiro. Vejamos o caso do Matheus, em Goiânia, em que o comando da polícia local, diante da gravidade dos fatos, já admite ter havido excesso por parte dos policiais.

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O estudante Matheus é agredido com um cassetete em Goiânia.

Aqui no Rio, por toda a dificuldade que o Estado passa – em razão da atuação de verdadeiros vândalos que assaltaram os cofres públicos, como alega o Ministério Público Federal – é de se questionar os valores envolvidos na operação de repressão de ontem. Para pagar servidores, inclusive policiais, o Estado não tem dinheiro, mas para comprar bombas de gás lacrimogênio e balas de borracha as verbas estão sobrando. Inaceitável!

E, neste quadro tenebroso, temos a péssima cobertura de boa parte dos meios de comunicação tradicionais. Ao invés de bem apurar e denunciar a violência sofrida pela população, preferem dar destaque a atos isolados, contribuindo para o acirramento de posições políticas e fazendo com que nos tornemos ainda mais numa sociedade dividida, do nós contra eles, enquanto direitos duramente conquistados são violados todo o tempo.

Tristes tempos os nossos!

Mas é preciso resistir e eu aposto que a próxima manifestação será ainda maior.

Foi o que aconteceu em 2013. Quanto mais a polícia batia, mais os protestos cresciam, pois a injustiça é mobilizadora.

Em paralelo, é imprescindível que se aja contra essa atuação ilegal da PM, seja através de representações na Corregedoria da PM, no Ministério Público Estadual e até mesmo junto aos organismos internacionais de defesa dos direitos humanos.

Uma polícia sem controle é uma ameaça a toda sociedade! Espero que todos, entre ‘verde e amarelos’ e ‘vermelhos’, tenham essa compreensão.

Luta que segue! Amanhã, vai ser maior!

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