Manifestante pula cerca que divide protesto contra e a favor do presidente Lula em frente ao Fórum da Barra Funda. Foto: São Paulo

Manifestante pula cerca que divide protesto contra e a favor do presidente Lula em frente ao Fórum da Barra Funda. Foto: São Paulo

Chegou a hora da Política!

Esta coluna de estreia tinha outros vieses, mas veio a divulgação de parte do conteúdo das delações dos executivos da Odebrecht. Ainda há muito mais por ser revelado! Não nos desgastemos em disputas que serão desconstruídas em muito pouco tempo. Passou da hora de praticarmos a serenidade.

Não sou daquelas que considera delação verdade (mesmo quando o delatado é alguém distante do meu esquadro de afinidade política), eis que a própria legislação, que regula esse novo instrumento de tentativa de combate à crimes, notadamente, de corrupção, exige a apresentação de outras provas que corroborem suas informações privilegiadas. Além disso, é imprescindível considerar o direito à ampla defesa e ao contraditório a todo e qualquer acusado, sendo que a efetividade destes últimos direitos é imprescindível a qualquer Estado que se diga de Direito.

Ainda assim, não dá para passar imune a essas recentes revelações.

A sensação que tenho é que as delações, que atingem a todos, indistintamente, já eram por todos pressentidas (alguém, mais atento aos meandros da política brasileira, alguma vez, teve dúvida da influência das empreiteiras brasileiras nas decisões do Estado brasileiro, assim como do agronegócio e/ou dos bancos?), mas poucos poderiam supor dos seus montantes (vide o que se apresenta em relação ao ex-governador do RJ, Sérgio Cabral) e da sofisticação da forma como se davam (dão) essas operações. Não me parece razoável crer que a relação promíscua entre público e privado, no Brasil, tenha se alterado após o início da Operação Lava Jato.

Dito isto, passo a um dos vieses que pensei, desde sempre, tratar em minha coluna de estreia aqui na Mídia Ninja. Até para já deixar um limite bem definido do que considerarei como bom e necessário debate de ideias e do que não tolerarei.

O Brasil passa por um momento delicadíssimo. Certamente, um dos mais dramáticos de nossa História recente. Portanto, quem pousar de dono da verdade (a repetição da palavra é proposital) estará sendo, no mínimo, hipócrita, sendo mais acertado dizer irresponsável.

Diante do quadro, é urgente que o diálogo seja reestabelecido. A polarização, até aqui havida, não nos levou a qualquer lugar, nem nos levará.

É preciso dar novo sentido à Política (sim, com P maiúsculo). Demonizar a Política nos levará necessariamente à barbárie e à guerra. A História já nos mostrou isso.

Inteligências, que nos sobram (ainda bem!), dos mais diferentes matizes haverão de ser convocadas para pensar saídas estruturantes para essa crise.

E o nosso povo, com sua criatividade contagiante (inteligência sofisticadíssima), terá de ser seduzido a participar desse novo momento nacional.

Precisamos todos sentar à mesa para pensar e trabalhar o Brasil. O sistema faliu! Ruiu! É verdade!

É imprescindível, exatamente por essa constatação, unir as forças que acreditam no nosso país, no nosso povo, e que queiram construir um projeto de desenvolvimento nacional, com protagonismo para a educação, para sairmos desse grande impasse.

Só com um real compromisso com o Brasil é que resolveremos questões graves que ainda nos assolam, como a desigualdade brutal, o analfabetismo, o não acesso universal à saúde, além de outras tantas mazelas, que precisamos superar para, finalmente, podermos nos considerar um país minimamente civilizado.

Eu, em minha atuação profissional, já vi acordos impensáveis serem realizados, porque, depois de tanto brigarem e quase exaurirem as suas forças, as partes litigantes terminam por se convencer que o melhor para todos é buscar um consenso.

Por isso, eu insisto que passou da hora de pararmos de polarizar e buscarmos uma saída para o nosso país.

Chegou a hora de pensarmos no Brasil!

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