Foto: Fabio Pontes

Por Fabio Pontes

Com a intensificação do período de seca na porção sudoeste da Amazônia – quando as chuvas ficam escassas, a umidade relativa do ar em níveis de deserto e temperaturas elevadas – o fogo encontra o ambiente perfeito para proliferar. São nestes meses do chamado “verão amazônico” que os produtores rurais aproveitam para realizar queimadas e, assim, deixar seus roçados “limpos” para o próximo plantio.

O problema é que muitas destas queimadas saem do controle, entram na floresta e causam impactos irreversíveis ao ambiente. A saúde humana também é afetada com a piora do ar respirado, já que a fumaça toma de conta das zonas rural e urbana.

Apenas nestes primeiros 10 dias de agosto, 5.190 focos de incêndio foram registrados no Acre pelos satélites do Programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). A capital Rio Branco lidera o ranking entre os 22 municípios acreanos: 727 focos.

Logo em seguida estão os municípios dos Vales do Purus e Tarauacá/Envira, região que concentra as áreas mais bem preservadas de Floresta Amazônica do Acre. Nestes 10 dias de agosto, Feijó registrou 671 queimadas, seguido por Sena Madureira (672), Tarauacá (571) e Manoel Urbano (443).

Os números destes primeiros dias de agosto superam todo o acumulado de julho; mês passado, o Inpe detectou 1410 focos no Acre. Os dados também impressionam quando se compara com os 10 primeiros dias de agosto do ano passado: 440; aumento superior a 1000%.

O alarmante crescimento nos focos de queimada no Acre vem acompanhado do de desmatamento. De acordo com o último boletim do desmatamento elaborado pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), o total de área de floresta nativa destruída, em junho de 2019, cresceu 300% quando comparado com junho de 2018.

Ambos os crescimentos ocorrem no novo momento do governo acreano, com o governador Gladson Cameli (Progressistas) defendendo o agronegócio como principal motor de desenvolvimento do estado, além de fazer críticas às políticas ambientais. O governador defendeu que agricultores multados pelo Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac) não paguem as multas aplicadas pelo órgão.

“Quem for da zona rural, e que o seu Imac estiver multando, alguém me avise porque eu não vou permitir que venham prejudicar quem quer trabalhar. Avise-me e não pague nenhuma multa porque quem está mandando agora sou eu. Não paguem”, disse Gladson durante ato político em Sena Madureira no primeiro semestre deste ano.

O Imac é, justamente, o órgão do estado responsável por fiscalizar e aplicar multas a quem faça o uso do fogo em áreas além do permitido.

Diante da gravidade da situação das queimadas, o governo já decretou situação de alerta ambiental no Acre. O decreto deverá ser publicado na edição de segunda-feira (12) do Diário Oficial. A Secretaria de Meio Ambiente ficará responsável por elaborar um plano de ação para conter o avanço das queimadas.

Leia mais sobre o meio ambiente do Acre no blog do Fabio Pontes

Conheça outros colunistas e suas opiniões!

Felipe Milanez

Assassinato de indigenista da Funai na Amazônia precisa de investigação federal

Mônica Horta

Moda democrática e o novo mundo

Estudantes NINJA

O Brasil está em chamas e a rua te chama

Benedita da Silva

Benedita da Silva: Bolsonaro imita Nero

André Barros

Não se combate o tráfico na favela

NINJA

Toninho Geraes: “Sou a favor do grito de liberdade contra essa tirania que assola o país”

NINJA

O escândalo das eleições gerais em Trinidad & Tobago

NINJA

“Precisamos ter voz para acabar com essa onda da extrema direita”, alerta Teresa Cristina

NINJA

Feminismo nas igrejas: "não queremos tomar o poder dos homens, mas destituí-lo"

Liana Cirne Lins

Brasil abaixo de fezes, cocô por cima de todos

Estudantes NINJA

Um (quase) final de ano de tantos retrocessos

NINJA

“Não colem em mim esse discurso da meritocracia”, diz Conceição Evaristo

Preta Rara

A senzala moderna é o quartinho da empregada

NINJA

A criminalização do aborto e o feminicídio de Estado

NINJA

“O samba é a coisa mais importante na cultura brasileira”, ressalta Zé Luiz do Império