Foto: Fernando Tatagima

Por Rachel Daniel / Mídia NINJA

Me causa risada quando um homem diz: “as feministas cristãs estão querendo impor uma ditadura feminista na igreja.”

Veja bem amigas, pelo contrário, denunciamos uma ditadura patriarcal dentro da igreja. Imposta em nome de um Deus que nós não conseguimos acessar e por isso o conhecemos de forma mediada – e adivinhem? Mediada por homens.

Tenho que dizer também que as igrejas, no modelo que conhecemos hoje, são projetos de poder. Política. Não seria nossa pretensão disputar esse poder e tomá-lo dos homens. Nós estamos para destituir esse poder e caminhar ao lado de quem sofre nas suas mãos (e não só nós, mas todes que lutam por uma fé cristã plural e para todes).

A teologia feminista é marginal e por isso não possui projeto de poder, não espera ser hegemônica e nem impositiva. Ivone Gebara já disse: “Não percebem [teólogos hegemônicos] que a igualdade que queremos não se reduz à cópia do modelo masculino de clérigo, conquistador ou soldado, mas ao direito de existir como cidadãos iguais nas diferentes instituições”, igualdade e diferença são de fato duas faces da mesma moeda.

Estamos sonhando e caminhando na direção de comunidades plurais, em que as mulheres sejam livres também a partir da sua fé. Para que elas se reconheçam indivíduos de direitos, que não se submetam a nenhum tipo de violência e silenciamento e que também tenham acesso direto e livre a Deus.

É por isso que continuamos avançando, denunciando esses poderes e quebrando as correntes dos olhos e dos corações. Foi pra liberdade que Cristo nos libertou, para que ninguém, NINGUÉM, se submeta a julgo de escravidão.

Infelizmente ainda precisamos falar o óbvio.

Fiquem na paz ✌🏽

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