Investigação diz que 12 milhões foram investidos por empresários para divulgação pelo app

Foto: Alessandra Angelis

Jair Bolsonaro (PSL) está recebendo investimento de empresários para campanha contra o PT no whatsapp, de acordo com investigação do jornal Folha de S. Paulo divulgada nesta quinta-feira, 18. Segundo o periódico, o candidato teria recebido em torno de 12 milhões para a campanha, prática que é considerada crime eleitoral.

A reportagem ainda indica que na próxima semana, que antecede as eleições, os empresários estão planejando uma ofensiva em massa, tanto para divulgação de Bolsonaro, quanto para campanha contra o PT.

A intensa e milionária movimentação no whatsapp mostra como a rede é importante para a construção do eleitorado bolsonarista: pesquisa do Datafolha, publicada no último dia 02/10, mostrou que 61% dos eleitores do militar acompanham informações sobre política no app, e 40% compartilham essas notícias.

Além disso, a distribuição de boatos e notícias falsas já marcam a eleição, tanto porque analistas apontam que o TSE falhou em contar a onda de mentiras distribuídas pelo whatsapp, quanto pela influência delas no resultado final das eleições.

Entre os grupos empresariais que estariam investindo na campanha de Bolsonaro, está a Havan, de Luciano Hang, notório apoiador do militar nas redes sociais, e que chegou a ser acusado de coagir funcionários da rede a votarem em seu candidato.

Eles compram um serviço chamado “disparo em massa”, usando bases de usuários tanto comprados em agências, quanto do próprio Bolsonaro. As agências que realizam os envios conseguem segmentá-lo por território e por classe social dos usuários.

O custo de envio varia, conforme o dono da lista. Se a lista for do próprio contratante, cada disparo fica de R$ 0,08 a R$ 0,12. Se a base for da agência, o custo vai de R$ 0,40 a R$ 0,50. Em alguns casos, as bases são vendidas clandestinamente por funcionários de empresas de telefonia.

A legislação permite o envio de informações apenas para bases construídas voluntariamente, ou seja, quando o eleitor dá o seu número. Em todos os outros casos a prática é ilegal.

As empresas que, conforme informa a investigação, estão prestando serviços para os disparos são a Quickmobile, Yacows, Crock Services e SMS Market.

Na prestação de contas da campanha de Jair Bolsonaro, consta apenas a empresa AM4 Brasil Inteligência Digital para a comunicação, no valor de R$ 115.000,00 para mídias digitais. Sendo assim, caso se confirme, o candidato estaria fazendo caixa dois, o que se configura como crime eleitoral.

Tanto Hang, dono da Havan, quanto as agências e a AM4 negam as acusações, alegando que o alcance das publicações são orgânicos, e não houve investimento ilícito para promover os conteúdos.

Conheça outros colunistas e suas opiniões!

Colunista NINJA

HIV, prevenção, cura e políticas públicas: uma jornada a ser trilhada

Daniel Zen

Pequenos movimentos sociais de novo tipo

Anielle Franco

Anielle Franco: A luta continua

Jean Wyllys

Jean Wyllys: Suas ideias continuarão vivas

Dríade Aguiar

Mamãe da Putaria

Gabinetona

Uma carta para Marielle

Benedita da Silva

Benedita da Silva: Quem mandou matar Marielle Franco?

Renata Mielli

Renata Mieli: A morte de Marielle Franco, o discurso de ódio e a desinformação

Maria do Rosário

Maria do Rosário: Quem mandou matar Marielle Franco?

Daniel Zen

A Reforma da Previdência de Bolsonaro

Macaé Evaristo

Macaé Evaristo: Levante por Marielle

Raull Santiago

Raull Santiago: Um ano

Joana Mortagua

Joana Mortágua: O país que Marielle voltará a pisar

Daniel Zen

Daniel Zen: Julgamento honesto e eficaz para Marielle

Liana Cirne Lins

Discutir porte de armas em meio à tragédia não é palanque; é responsabilidade