anitta

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O Brasil todo tem acompanhado a carreira de Anitta alcançar novos patamares. Quer um duo com uma outra cantora hype do Brasil? Tem Na sua Cara com Pabllo Vittar, com beat de ninguém menos que Major Lazer. Quer faixa em espanhol pra continuar avançando no mercado latino pós Sim Ou Não? Tem Paradinha gravada nos States. Música com cantora internacional? Toma Switch com Iggy, com direito a apresentação em um dos maiores programas da tv norte-americana.

O resultado tá nos números, a cantora emplacou singles em 3 idiomas diferentes no top 10 do Spotify, teve uma das suas músicas no #1 no Last.fm Global, onde hoje figura em 7º lugar no ranking de artistas internacionais e ainda por cima bateu o recorde de vídeo brasileiro mais assistido em 24h no YouTube com Paradinha. Música da qual todo mundo estava esperando uma apresentação no Brasil, que veio sábado na tv e depois ao vivo ontem, olha só:

Até aí tudo bem, fãs explodem ao ver que Anitta, não só entrega uma apresentação sólida, quanto posiciona justamente duas dançarinas fora dos padrões no seu balé. Vira moments no Twitter, matéria do Extra, no Glamour… Em todos os lugares muita gente comemorando e celebrando as dançarinas PLUS SIZE.

E antes que alguém fale alguma coisa – não é modinha do lacre (como se ser gordo hoje já tivesse no status de QUE TIRO, BICHO), a Anitta já tinha sido feito isso, ela se apresentou no Criança Esperança ano passado com um balé só de dançarinas gordas, cantando sobre ser bonita e gostosa, passa pelo refrão de Show das Poderosas e faz passos famosos de Bang.

Em 2016 ela também se apresentou com elas no Teleton, onde Silvio Santos destilou uma enxurrada de preconceitos como “Vai dançar com as gordinhas pra que?”, “(…) embora você seja negra, a única negra entre as brancas, mas é bonita”, “120kg também é fogo, hein?” e o maravilhoso “Quem casar contigo vai ter dois prazeres: um na hora do bem-bom e outro na hora que você sair de cima”.

Depois de superar esses absurdos, é hora de parar e pensar – O corpo de dança de 2016 e as dançarinas de hoje, Thais Carla e Tatiana Lima, são lindas, dançam bem e estão ali por que lutaram por isso, mas, mil perdões, nenhuma delas é plus size. Thais, que teve mais destaque, pesa 140 quilos. Não se encaixa nem no senso comum do que é ser plus size inclusive.

Desculpe te contar mundo, mas Thais e Taiana são GORDAS.

Não sei o que é mais triste aqui:

1) Perpetuar um termo que é extremamente nocivo, porque suporta um filão da moda onde impõe outros padrões pra corpos acima do peso, que pode ser gordo, mas não pode ter barrigas, dobras, estrias, celulite, manchas… É basicamente uma barbie inchada. Padrão que nenhum corpo gordo que eu conheci na vida consegue alcançar sem maquiagem, efeito de luz e retoque no photoshop.

2) Usar de novo uma expressão como demonstração de respeito porque o mundo clássica “gorda” como xingamento e “magra” como elogio. O título da matéria não é “Anitta convida bailarinas gordas para o seu time de dançarinas”, porque eles querem mostrar que gostam e respeitam as mulheres em questão. Pode trocar esse mesmo termo por fofinha, gordinha, cheinha, os nomes pra quando querem nos tratar com carinho são inúmeros.

Não são maiores claro, que a lista infindável de nomes para nos ofender. Inclusive, você acha inúmeros guias de “apelidos engraçados” para gordos no google, e o primeiro é Pudim de Banha, mas tem também barril, free willy, rolha de poço e o sonoro Chupeta de Baleia. Como Bernardo bem disse na sua coluna essa semana, nós gordos somos desumanizados o tempo todo e a linguística é só mais uma forma de chegar lá.

Peço então para que celebremos essas mulheres que são plenas, lindas e talentosas dando o adjetivo correto – gordas.

A própria Thais chama suas companheiras de dança de gorda.

E pelo amor da Deosa, vamos não encaixar elas de novo em outro padrão só pra que a sociedade consiga dormir em paz. Porque convenhamos, isso é só pra todo mundo se sentir melhor, já que não é uma gorda lá, é uma plus size. E assim, espero que a gente chegue a um dia em que nem esses predicados venham junto, onde dançarinas só sejam isso mesmo, dançarinas.

PS: To vendo vocês falarem das dançarinas da Anitta, as brancas que dançam aqui no Brasil, mas esquecendo da negra que APARECE NO CLIPE dela, viu? Racismo tá em todo lugar mesmo.

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