O filme ‘Tropa de Elite 2’ retrata o poder das milícias no Rio.

Há algo de podre no reino da Dinamarca. A célebre frase do clássico Hamlet, de Shakespeare, mais citada do que Zack Magiezi em card do Instagram, parece se aplicar ao Brasil de hoje e, também, ao Estado do Acre.

E não me refiro à lama que escorreu da barragem da Cia. Vale do Rio Doce, em Brumadinho-MG ou à cheia que leva as águas barrentas do Rio Acre a inundar os bairros periféricos de nossa capital Rio Branco, durante o “Inverno Amazônico”.

Refiro-me às relações promíscuas do Presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL) e de seu filho, Flávio Bolsonaro (PSL), Senador da República, com milicianos de Rio das Pedras-RJ, berço das milícias cariocas, por sua vez suspeitos do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e de seu motorista Anderson.

Tal envolvimento está sobejamente comprovado pelo fato do então deputado estadual Flávio Bolsonaro ter nomeado, em seu gabinete na Alerj, a mãe (Raimunda Veras Magalhães) e a esposa (Danielle da Nóbrega) de Adriano da Nóbrega, conhecido como chefe do “Escritório do Crime”, ele próprio, principal suspeito de ter efetuado os disparos contra Marielle e Anderson.

Aqui no Acre, na quarta-feira, dia 30/01, ao trigésimo dia de governo, veio à tona, em reportagem publicada no portal de notícias UOL, a revelação de que o novo secretário estadual de Polícia Civil estaria, supostamente, envolvido com uma das facções criminosas mais poderosas do Brasil, o Comando Vermelho (CV), em uma investigação que já havia levado à prisão um oficial do Batalhão de Operações Especiais (BOPE) da Polícia Militar do Estado, detido em dezembro de 2018, nos desdobramentos da Operação Sicário.

A matéria foi publicada no dia seguinte a divulgação de uma carta aberta de um Delegado de Polícia Civil em que o mesmo faz diversas críticas a conduta dos membros do governo recém empossado, com atuação na área de segurança pública.

Tal suposição respinga, diretamente, no núcleo mais íntimo do governo do Acre, por intermédio de seu Vice-Governador, Maj. PM RR Wherles Rocha (PSDB).

Afinal, o Vice-Governador avocou para si o título de “Homem da Segurança”, responsável por solucionar os problemas da área e autor das indicações de todos os nomes que integram a cúpula dos órgãos que compõem o Sistema Integrado de Segurança Pública (SISP) do Estado, incluindo o Secretário de Polícia Civil.

Além disso, todos ainda se lembram de reportagem publicada na imprensa local, em 2016, em que se noticiou a prisão de uma assessora parlamentar do então deputado federal Wherles Rocha (PSDB) e de seu esposo, por integrarem postos de relevo na facção CV. Naquela ocasião, fomos solidários ao então deputado federal e hoje Vice-Governador.

Eu mesmo, ainda que sendo seu adversário político, subi à tribuna da ALEAC e me pronunciei em defesa do colega parlamentar, afinal, ninguém pode ser responsabilizado pelos atos de outrem.

Domínio do fato, nunca mais. Nem mesmo contra os meus adversários.

Por enquanto, o Secretário não é formalmente investigado ou sequer indiciado. Não repousam sobre ele acusações ou suspeitas formais. Muito menos em desfavor do Vice-Governador. A ampla defesa, o contraditório e o devido processo legal devem, sempre, ser respeitados. A eles, o benefício da dúvida.

Contudo, enquanto assistimos às consequências do crime ambiental cometido em Brumadinho-MG; e enquanto nos distraímos com as arengas na vizinha Venezuela; as milícias e facções se aproximam, cada vez mais, do núcleo duro do Poder Executivo, respectivamente, no Brasil e no Acre. Esperamos que aquilo que aparenta ser – e, por enquanto, apenas aparenta – não se torne uma realidade: a de que milícias e facções já estariam, íntima e confortavelmente, infiltradas em ambos os governos. Ao governador do Acre, Gladson Cameli (PROGRESSISTAS), todo cuidado é pouco.

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