Foto: Mídia NINJA

Por Alana Manchineri e Daniel Zen

A Sexta-feira da Paixão de Cristo calhou de cair, esse ano, no dia 19/04, coincidindo com o Dia do “Índio”, instituído em 1943 por intermédio do Decreto-lei n° 5.540.

O exemplo de Cristo entrou para a história. Mas, a Via Crucis dos Povos Indígenas prossegue até hoje: preconceitos, violações de direitos, retrocessos quanto à política de demarcação e tentativas de institucionalizar e legalizar a grilagem de terras indígenas fazem parte do calvário contemporânea de nossos povos originários.

Talvez você tenha notado que utilizamos a palavra “índio” entre aspas. Foi de propósito! No Brasil existem 225 povos diferentes, que se comunicam em de mais de 150 línguas maternas. Logo, não há a menor possibilidade de estereotipar uma diversidade de povos, culturas e formas de vidas tão diversas.

O Brasil não foi descoberto pelos portugueses como ainda hoje insistem em nos fazer crer na escola. Quando Cabral aportou pelas bandas de cá, milhares de povos originários já habitavam estas terras.

O mesmo Brasil que nos deseja “Feliz Dia do Índio” e que pinta os rostos das crianças de “índios” nas escolas (NÃO SOMOS FANTASIAS, SOMOS RESISTÊNCIA) nos nega o direito originário à terra. Isso é uma consequência do racismo estrutural, racismo perceptível em relação aos direitos já conquistados.

Quantos de nós já não ouvimos que existe muita terra para pouco “índio”? Quantos não internalizaram que os “índios” são um atraso em relação ao progresso do nosso país? O preconceito é uma forma esmagadora de reprodução do racismo institucional. Afinal, construir hidrelétricas ou impulsionar a mineração em terras indígenas é positivo do ponto de vista da “economia do país” na visão da elite brasileira.

Esse ponto é importante para que venhamos entender as investidas do governo Bolsonaro em relação aos povos indígenas e retirada dos nossos direitos, bem como a extinção das Unidades de Conservação. O Brasil possui uma vasta área de preservação ambiental e isso inclui os territórios indígenas. Entretanto, para os amantes do “progresso”, como é o caso do agronegócio, os territórios protegidos são um atraso.

É preciso que estejamos atentos, pois a movimentação dentro e fora do governo é um sinal iminente de mais um genocídio sofrido pelas populações indígenas, a exemplo das investidas do governo federal em extinguir direitos primordiais, como a demarcação de terras indígenas.

O pacote de maldades é vasto e nele entra a precarização da Fundação Nacional do Índio (Funai), as péssimas condições dos serviços de saúde pública para povos indígenas, entre tantas outras ações claras de que a galera ligada ao agronegócio ganhou força e está agindo contra nós, povos indígenas, e busca a todo custo surrupiar os nossos direitos.

Em meio a tantos retrocessos, os povos indígenas se unem e lutam por seus direitos, pois a luta é um movimento constante e transcende as gerações, que aprendem a ser vigilantes. No Brasil ser índio é sinônimo de resistência.

O dia 19 de abril é dia de visibilizar a nossa luta, luta dos povos indígenas! Não há o que se comemorar, nossos direitos e vida estão ameaçados e nós vamos resistir!

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