Por Beatriz Santos | Copa FemiNINJA

foto: reprodução

Um amor, um coração, vamos ficar juntos e tudo irá ficar bem… A seleção feminina jamaicana, sem investimentos da federação há 8 anos, só conseguiu chegar até o mundial da França por conta de Cedella Marley. Além de filha do cantor Bob Marley, Cedella é embaixadora global do futebol feminino na Jamaica. Esse relacionamento começou quando o filho mais novo de Cedella chegou da escola com um folheto, “Apoie as Reggae Girlz” e logo depois ela já assumiu um cargo na Federação de futebol na Jamaica.

Tudo começou em 2015. O time estava há 3 anos sem jogar e depois de uma boa campanha na Copa Ouro, preliminar as eliminatórias do mundial do Canadá, as meninas estavam à procura de patrocínio para continuarem em atividade. A partir de então, Cedella colocou a Fundação Bob Marley à disposição das Reggae Girlz, como patrocinador master da seleção. A embaixadora tem a certeza que o pai estaria orgulhoso dessa missão, pois Bob Marley era apaixonado por futebol e dizia até que se não fosse cantor, ele seria jogador de futebol.

O caminho até a França

O Reggae Girlz estão no 53° lugar no ranking do mundo e são a primeira equipe caribenha a se classificar para uma Copa do Mundo feminina. A seleção jamaicana terminou em terceiro lugar no Campeonato CONCACAF, perdeu apenas dois jogos: 2×0 para o Canadá e foi goleada pela equipe dos Estados Unidos, 6×0, e conquistou sua vaga no mundial depois de uma vitória bem dramática sobre o Panamá por 4 a 2. As Reggae Girlz foram lideradas pela atacante Khadija “Bunny” Shaw com 19 gols na competição e além disso elas tomaram apenas 14 gols, balançando as redes adversárias 53 vezes.

Mas antes disso, antes desse jogo da classificação, antes do Panamá, muita história rolou na vida da seleção feminina de futebol jamaicana. Nos anos 70, uma menina chamada Beverly Ranger, jamaicana, se mudou para a Inglaterra, quando tinha 12 anos, e começou a jogar futebol com os meninos em um parque perto do estádio de Wembley. Por ser diferenciada, logo foi notada e jogou no Watford e no Amershaw Town, ambos times ingleses. Quando foi para a Alemanha, em 1974, ficou conhecida como Black Pearl, a pérola negra, e seu talento ajudou a popularizar o futebol feminino na Alemanha e isso foi antes da criação da Bundesliga feminina, que só aconteceu na temporada 1990/91. Além disso, Beverly Ranger foi a primeira mulher a ser patrocinada pela Puma.

Não muito tempo atrás, nos anos 90, foi criada a Liga Feminina com apenas 6 times, e nos anos 80, tinha sido criada a Associação Jamaicana de Futebol. Em 1991, as Reggae Girlz fizeram seu primeiro jogo internacional contra o Haiti, uma derrota simples (1×0). Na Copa de Ouro feminina da Concaf, elas participaram seis vezes, sendo a de 2018 o melhor resultado quando conseguiram terminar em terceiro e garantiram uma vaga para o mundial desse ano da França.

A colaboração de Cedella Marley vai além do patrocínio master, pois ela também foi a responsável pela seleção jamaicana feminina ter um técnico de qualidade. Hue Menzies, nasceu na Inglaterra, cresceu na Jamaica e se mudou para os Estados Unidos nos anos 80. Ele foi apresentado a seleção por recomendação da embaixadora do futebol feminino da Jamaica em 2014.

Importância da Sherwin Willians para as Reggae Girlz

Vale ressaltar, o fato de a Sherwin Willians ser a única empresa, ao longo dos anos 2000, que investiu no futebol feminino da Jamaica. Com o seu suporte, é possível a transição das meninas dos campeonatos escolares para o grupo principal, além disso a empresa ajuda as atletas individualmente com bolsas de estudos, treinamentos de habilidades profissionais e oportunidades de emprego. Também há uma liga patrocinada pela empresa, a Sherwin Williams Women’s League, que deu um cheque de $500 mil para ajudar nos preparativos da participação da equipe feminina jamaicana no mundial da França.

Reggae Girlz x Brasileirinhas.

A seleção jamaicana é a primeira adversária da seleção brasileira, o confronto vai acontecer no domingo (9/06), às 10:30, horário de Brasília, em Grenoble. O grupo C ainda conta com Austrália e Itália.

Conheça outros colunistas e suas opiniões!

Juan Manuel P. Domínguez

“Não é apenas a religião que nos manipula”. Entrevista com a filósofa Viviane Mosé.

Daniel Zen

12 perguntas - sobre verdades inconvenientes - ao ministro e ex-juiz federal Sérgio Moro

Gabriel RG

Mitocracia: o cinismo como método de controle

Daniel Zen

Jair Bolsonaro e Gladson Cameli: o tiozão do churrasco e seu sobrinho dileto

Felipe Milanez

Assassinato de indigenista da Funai na Amazônia precisa de investigação federal

Daniel Zen

O que há em comum entre a Lava-jato e as milícias digitais de Bolsonaro

Eduardo Sá

Gabrielzinho do Irajá: talento da nova geração do samba no partido alto

Daniel Zen

Os 340 [que não são] de Esparta

NINJA

Projeto de lei torna o licenciamento ambiental exceção em vez de regra

Eduardo Sá

Toninho Geraes: “Sou a favor do grito de liberdade contra essa tirania que assola o país”

Estudantes NINJA

Um (quase) final de ano de tantos retrocessos

Eduardo Sá

“Não colem em mim esse discurso da meritocracia”, diz Conceição Evaristo

Preta Rara

A senzala moderna é o quartinho da empregada

NINJA

A criminalização do aborto e o feminicídio de Estado

Eduardo Sá

“O samba é a coisa mais importante na cultura brasileira”, ressalta Zé Luiz do Império