Por Marina Borges | Copa FemiNINJA

Se por um lado a torcida brasileira ficou apreensiva com a ausência de Marta, por lesão, na estreia da Copa do Mundo, por outro, Cristiane fez tudo parecer muito fácil na manhã deste domingo (9). Diante da Jamaica, o Brasil se mostrou determinado e ofensivo, criando chances desde os primeiros minutos de jogo. O placar final poderia ter sido mais elástico, é verdade, mas a vitória canarinha por 3 a 0 foi o suficiente para Cristiane levar a bola do jogo pra casa e ainda pedir música – como é de costume na TV Globo, em um quadro do programa Fantástico. A canção escolhida para narrar os gols da atacante foi “Jogadeira”, “é uma música das meninas, da Cacau, que joga no Corinthians, elas fizeram essa música pro futebol feminino. Já descemos do ônibus cantando”, explicou Cristiane em entrevista à TV Globo. “Qual é, qual é, futebol não é pra mulher? Eu vou mostrar pra você, mané, joga a bola no meu pé”, cantou.

A 11 do Brasil se tornou a jogadora mais velha da história a conseguir três gols na competição – entre homens e mulheres –, superando Cristiano Ronaldo. A brasileira conseguiu o feito com 34 anos e 25 dias, e o português conseguiu com 33 anos e 130 dias.

Os três gols marcados garantiram outro recorde pessoal para a atacante, que se tornou a primeira jogadora a marcar mais de uma vez na mesma partida em três Copas diferentes. Além dos três gols anotados contra a seleção jamaicana, Cristiane foi às redes mais de uma vez contra Guiné Equatorial, em 2011, e contra a China, em 2007. Além dessa marca, a camisa 11 é a terceira jogadora canarinha a marcar o famoso “hat-trick” em uma partida de Copa do Mundo. As outras duas a conseguirem o feito foram Pretinha e Sissi, marcando os três gols na mesma partida: na goleada de 7 a 1 do Brasil sobre o México, na Copa do Mundo de 1999, nos Estados Unidos.

Diante da Jamaica, Cristiane marcou gol para todos os estilos: de cabeça, para os fãs de bola aérea; de carrinho, para os que não dispensam raça e, por último, de falta, para os amantes do futebol arte. O que poucos sabem é que esse combo anotado pela brasileira quase não teve nem chance de acontecer. A atleta revelou recentemente que sofreu de depressão após a seleção ser eliminada nos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro. Em 2017, após a demissão da técnica Emily, Cristiane optou por não jogar mais com a amarelinha, já que passava por um período conturbado e sentia que não conseguiria mais ajudar de forma completa, como sempre buscou fazer desde que começou a vestir o uniforme verde e amarelo, com 15 anos de idade.

Cristiane Rozeira de Souza Silva, 34, nascida em Osasco (SP), atualmente joga pelo São Paulo, mas já acumulou passagens por times da Alemanha, França e China ao longo da carreira – vitoriosa por sinal. Em 2012, a atacante tornou-se a maior goleadora do futebol feminino da história dos Jogos Olímpicos e, em 2016, atingiu um feito ainda maior nas Olimpíadas do Rio de Janeiro: alcançou a marca de 14 gols, tornando-se, assim, a maior artilheira de futebol da história da competição, independente de gênero. Além disso, Cristiane já chegou muito perto de vencer o prêmio de melhor jogadora do mundo em duas ocasiões: nos anos de 2007 e 2008, quando ficou em terceiro lugar – quem venceu foi outra brasileira, a recordista do troféu, Marta. Agora, a expectativa que fica é para ver as camisas 10 e 11 jogando lado a lado pela última vez em uma Copa do Mundo.

Conheça outros colunistas e suas opiniões!

Daniel Zen

As mensagens secretas da Lava-jato: crime e castigo

Tainá de Paula

Execução por no mínimo 15 tiros não pode ser tipificada como crime banal

André Barros

Moro contra Lula

Laio Rocha

Taça das Favelas coloca futebol de várzea no centro

Copa FemiNINJA

Um amor, um coração: Reggae Girlz unidas por um sonho

Colunista NINJA

'A única coisa que salva um país é a cultura', afirma Moacyr Luz

Mônica Horta

Moda autoral brasileira presente!

Daniel Zen

É a economia, estúpido!

André Barros

Marchas da Maconha foram maiores que atos de Bolsonaro

Colunista NINJA

Mosquito e Inácio Rios: “A gente respeita o samba autêntico”

André Barros

Aperta a pauta, Toffoli

Colunista NINJA

“Fazer samba é uma resistência e está totalmente ligado à política”, afirma Júlio Macabu da nova geração

Cleidiana Ramos

#15M: Uma lição para esperança e vigilância

Margarida Salomão

Balas e Chocolates: o ataque de Bolsonaro à Universidade brasileira

Fatine Oliveira

Sinto muito, Damares. Meu lugar é na universidade federal