Montagem das barracas na ocupação realizada em Carapicuíba com cerca de 200 pessoas do Movimento. Foto: Mídia NINJA

Montagem das barracas na ocupação realizada em Carapicuíba com cerca de 200 pessoas do Movimento. Foto: Mídia NINJA

Na madrugada deste sábado, 03, o Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto realizou três novas ocupações em pontos diferentes em São Paulo: Chácara Sonho Azul, Zona Sul; e nas regiões metropolitanas Carapicuíba e Guarulhos.

“As ocupações são parte de uma pressão do movimento para que sejam liberadas as moradias que já conquistamos [pelo programa Minha Casa Minha Vida], mas que permanecem bloqueadas pela burocracia”, afirmou Guilherme Boulos, coordenador do movimento.

Na Zona Sul

Em área localizada na Chácara Sonho Azul, zona Sul de São Paulo, cerca de 400 famílias ocuparam o terreno que a mais de 30 anos estava abandonado. Foto: Mídia NINJA

Em área localizada na Chácara Sonho Azul, zona Sul de São Paulo, cerca de 400 famílias ocuparam o terreno que a mais de 30 anos estava abandonado. Foto: Mídia NINJA

O terreno Chácara do Sonho Azul, sem função social há cerca de 40 anos, de acordo do o advogado do MTST, foi ocupado com cerca de 400 pessoas, muitas oriundas de outra ocupação na região, a Palestina. Os moradores argumentam que o local virará desova de corpos e agora passa a servir de moradia para trabalhadores.

“Essa é uma área particular e a ideia é que aqui sejam construídas moradias. As pessoas que aqui estão são extremamente carentes, sem a mínima condição de financiar uma casa própria”, afirmou Jussara, coordenadora do MTST que acompanha a ocupação.

Carapicuíba

Dezenas de famílias se instalaram com sucesso no terreno público da Cohab, abandonado há anos pelo descaso do estado. Foto: Mídia NINJA

Dezenas de famílias se instalaram com sucesso no terreno público da Cohab, abandonado há anos pelo descaso do estado. Foto: Mídia NINJA

A ocupação realizada em Carapicuíba contou com cerca de 200 pessoas do Movimento, a maior parte de outra ocupação na cidade, a Carlos Mariguella.

O terreno pertence à COHAB e é público. A Polícia Militar, de acordo com os acampados, tem histórico de acirrar as relações, no entanto, dialogaram com as lideranças e não tentaram reprimí-los dessa vez.

“A periferia é a que mais sofre com a falta de moradia. Ocupamos essa área para lutar por dignidade para esse povo”, explicou Luizinho, acampado no terreno.

Guarulhos

Famílias ocuparam terreno abandonado nesta madrugada em Guarulhos, região metropolitana de São Paulo. Foto: Mídia NINJA

Famílias ocuparam terreno abandonado nesta madrugada em Guarulhos, região metropolitana de São Paulo. Foto: Mídia NINJA

A cidade de Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo, também teve um terreno ocupado. Mais de 300 famílias entraram numa área de 50 mil metros quadrados, no Jardim Centenário em Guarulhos. Esse é o segundo que o MTST ocupa para dar função social na região, além de outras três na periferia Zona Leste, que são mais próximas.

É com a força de trabalho desses acampados que eles conseguiram montar centenas de barracas. Assim como nas outras ocupações, o diálogo com a PM ocorreu sem maiores incidentes, visto que a ocupação já estava consolidada.

Guarulhos tem um déficit habitacional de 100 mil pessoas sem moradia digna o que corresponde a cerca de  quase 10% da população já que a cidade tem 1.2 milhões de habitantes.

“A gente está no MTST porque esta muito difícil conseguir moradia. 700 reais de aluguel, e com pouca possibilidade de trabalhar. O povo brasileiro está sofrendo muito, com fome e com dificuldade”, contou a acampada Rosa Lima.

Próximos passos

Primeira assembleia da nova ocupação na chácara Sonho Azul, Zona Sul de São Paulo. Foto: Mídia NINJA

Primeira assembleia da nova ocupação na chácara Sonho Azul, Zona Sul de São Paulo. Foto: Mídia NINJA

Uma vez estabelecidas, as ocupações devem realizar assembleias para criar comissões que levem para a população dos bairros próximos a novidade, a fim de que mais pessoas possam se integrar à luta.

Essas pessoas, em geral, tem muita dificuldade para pagar aluguéis, frente à crescimento no valor e ao desemprego que assola a população periférica.

“Agora temos que chamar todos para cá. Explicar que esse é um movimento organizado, que tem 20 anos, que não cobra nenhum real de ninguém para conseguir sua moradia. O que o movimento cobra é que todos que participem e acreditem no que estão fazendo, com o suor e o trabalho de todos para conquistar a moradia”, destacou Natalia Szermeta, na primeira assembleia da ocupação em Carapicuíba.

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