Foto: reprodução do livro “Os fuzis e as flechas” de Rubens Valente

Por Célia Xakriabá, professora e ativista indígena do povo Xakriabá em Minas Gerais.

Os povos indígenas vem sofrendo dia após dia os novos revézes do governo de Jair Bolsonaro, e após a declaração de que o dia do golpe militar deveria ser comemorado, Célia Xakriabá relembra que os indígenas  já vivem há anos lutando e resistindo. São mais de 500 de ditadura imposta pela tentativa de genocídio indígena.

Na invasão deste país,
Fomos vítimas nesta trama
Não sei se chamo de Brasil
Ou se chamo pindorama.
São lutas e muitas dores
Que ficaram marcadas na memória
Seja negro ou indígena
Protagonista nesta história.

A primeira intervenção militar foi em 1500
E não em 1964 na época da ditadura,
Nós indígenas resistimos a tudo isso,
Porque a final somente quem tem cicatrizes sabe o remédio que cura.

O Brasil não é apenas verde e amarelo
É também cor de terra, é vermelho,
Quando na ditadura derramaram sangue de nossos povos, que do Brasil são os primeiros.

Muita história foi recoberta
Da violência cometida aos nossos povos guerreiros,
Somente veio a tona o massacre dos povos indígenas
Da denúncia pelo relatório Figueiredo.

Resistimos 519 anos
Porque somos um povo que na espiritualidade acredita,
Recontamos a história recoberta
De que a miscigenação não foi pacífica.

O plano da ditadura da supremacia branca
Estratégia de extermínio da diversidade
Aquele que não fosse civilizado
Não tinha lugar nesta sociedade.

Assim traquinava o extermínio linguístico
Era um plano de emboscada
Não era considerada língua
Aquela que não fosse civilizada.
Suicidaram muitas línguas
Impostas por forasteiros
Neste plano de civilização
Tem privilégio o estrangeiro.

Plano religioso
Seguido pela catequização
Dizia que não tinha alma
Aquele que não fosse cristão.

Demonizavam os rituais
Não respeitavam nossa crença
Junto como projeto de modernidade
Também dizimaram nosso povo com doenças.

Seguindo este projeto de sociedade
Foi projetado o plano da economia
Gerenciada pelo capitalismo
Foi o extermíno da harmonia.

Nós fazemos a diferença
Na luta nós somos fermento,
Nós sofremos o primeiro golpe no ano de 1500

O Plano mais perigoso
Culmina-se no plano político
Da ditatura de um governo
Do país ter um domínio.

Da herança desta história
Do projeto de colonização
Atualmente sofremos outro extermínio
Chamado golpe a democratização

Conheça outros colunistas e suas opiniões!

Cleidiana Ramos

Com inserção na literatura, ialorixás ensinam caminhos de resistência

Fátima Lacerda

Os Deuses estão em festa: Gilberto Gil em Berlim!

Daniel Zen

De aerolula a aeroína: as falhas na segurança institucional do presidente da República

Tainá de Paula

Não há mídia isenta, meus caros

Juan Manuel P. Domínguez

Ave Terrena: “a cultura enriquece debates quando as instituições os empobrecem”

Sâmia Bomfim

Reforma da Previdência: a luta não acabou

Jorgetânia Ferreira

Tenho depressão, quem não?

Daniel Zen

As mensagens secretas da Lava-jato: medidas antidemocráticas pairam no ar

Colunista NINJA

'A única coisa que salva um país é a cultura', afirma Moacyr Luz

Mônica Horta

Moda autoral brasileira presente!

Mônica Horta




Criadores autorais do Brasil... cadê vocês?

Fátima Lacerda

Milton e Gil fazem do verão berlinense, uma Delicatessen musical

Dríade Aguiar

Amarelo como o futuro que nós construímos pra nós mesmos

Fátima Lacerda

Por que, Berlim?

André Barros

Aperta a pauta, Toffoli