Brasília – Manifestantes pró (à direita) e contra (à esquerda) o impeachment ocupam a Esplanada dos Ministérios durante o processo de votação na Câmara dos Deputados Foto: Juca Varella/Agência Brasil

Brasília – Manifestantes pró (à direita) e contra (à esquerda) o impeachment ocupam a Esplanada dos Ministérios durante o processo de votação na Câmara dos Deputados Foto: Juca Varella/Agência Brasil

Eu estava de um dos lados daquele muro erguido no dia 17 de abril, há um ano atrás, na Esplanada dos Ministérios. Triste símbolo da radicalização política e social promovida no Brasil. Eu estava do lado dos que lutavam pela democracia, contra o golpe que iria retirar uma presidenta eleita com 54 milhões de votos do poder com a farsa de um impeachment sem crime e sem provas. Eu estava com mulheres, meninas, homens, meninos de todos os cantos do Brasil, gente pobre e rica, negros, indígenas, LGBT, a frente popular, o povo sem medo que decidiu resistir. Um ano se passou e tenho orgulho.

Eu estava e quero continuar do lado certo da história.

O domingo fatídico de um ano atrás, quando deputados envolvidos com denúncias de corrupção e perdedores da última eleição realizaram o mais hipócrita dos espetáculos do Congresso ainda dói no peito. Mas nós, estudantes, fizemos desde então o que nos cabe: resistir e combater os retrocessos que viriam. A UNE está no mesmo lado que sempre esteve, seja durante o combate aos fascistas na Segunda Guerra Mundial, seja nas trincheiras da luta contra a ditadura militar, em qualquer momento em que o curso da história apontou para um caminho obscuro. Nossa luz segue acesa.

Um ano depois, chegou a hora de derrubar todos os muros. Não há como aceitar as ações desse governo sem voto que recaem sobre toda a população e massacram principalmente os mais pobres. Não há muro que separe o conjunto dos estudantes que vai perder com o desmanche de programas como o Prouni, a cobrança de mensalidades nas universidades, o fim do Ciência Sem Fronteiras, a reforma que na verdade deforma o ensino médio e retira a qualidade de ensino da juventude.

Não há muro que separe o sofrimento dos brasileiros e principalmente das brasileiras que vão ser escravizadas com essa Reforma da Previdência, vendo suas aposentadorias indo embora enquanto poucos seguem privilegiados. Não há muro que separe o medo de quem vê se aproximar uma Reforma Trabalhista e a Lei da Terceirização que acabem com seus direitos mais básicos. Não há muro que separe o gosto da injustiça para a população pobre que vê o congelamento dos investimentos na Saúde, na Educação, na Segurança por inacreditáveis 20 anos enquanto o mercado financeiro lucra horrores com a máquina pública.

O Brasil já sabe o que está acontecendo e não é hora de radicalizar as cobranças nem os dedos na cara sobre o que se passou. Precisamos é derrubar as divisões, com urgência, para seguir com força contra os absurdos que são hoje votados no Congresso do nosso país. Temos um encontro marcado no próximo dia 28 de abril, com a maior Greve Geral já realizada em nossa história. Estamos um ano do lado de cá. Queremos que este seja, na verdade, o lado de todas e todos que acreditam no Brasil.

Vamos à luta.

 

Conheça outros colunistas e suas opiniões!

Cleidiana Ramos

Com inserção na literatura, ialorixás ensinam caminhos de resistência

Fátima Lacerda

Os Deuses estão em festa: Gilberto Gil em Berlim!

Daniel Zen

De aerolula a aeroína: as falhas na segurança institucional do presidente da República

Tainá de Paula

Não há mídia isenta, meus caros

Juan Manuel P. Domínguez

Ave Terrena: “a cultura enriquece debates quando as instituições os empobrecem”

Sâmia Bomfim

Reforma da Previdência: a luta não acabou

Jorgetânia Ferreira

Tenho depressão, quem não?

Daniel Zen

As mensagens secretas da Lava-jato: medidas antidemocráticas pairam no ar

Colunista NINJA

'A única coisa que salva um país é a cultura', afirma Moacyr Luz

Mônica Horta

Moda autoral brasileira presente!

Mônica Horta




Criadores autorais do Brasil... cadê vocês?

Fátima Lacerda

Milton e Gil fazem do verão berlinense, uma Delicatessen musical

Dríade Aguiar

Amarelo como o futuro que nós construímos pra nós mesmos

Fátima Lacerda

Por que, Berlim?

André Barros

Aperta a pauta, Toffoli