A maconha já está sendo legalizada no mundo. É a realidade de um movimento mundial.

Foto: Mídia NINJA

A primeira Marcha da Maconha na Terra aconteceu em 1998 em Nova Iorque, Estados Unidos. Trata-se de um movimento que ocorre em quase cem países, chamado internacionalmente de “Million Marijuana March”. No Brasil, a primeira Marcha da Maconha aconteceu em 2002 no Rio de Janeiro.

A Marcha da Maconha ocorre em diversas cidades do país. A primeira deste ano aconteceu no Rio de Janeiro, no dia 4 de maio, saindo pontualmente às 4:20 da tarde, horário internacional, do Jardim de Alah, Ipanema. A Marcha da Maconha de São Paulo, a maior do Brasil, que já reuniu 100 mil pessoas, sairá no dia 1º de junho de 2019. A data foi escolhida no intuito de pressionar o Supremo Tribunal Federal, que colocou na pauta de 5 de junho o julgamento que deve descriminalizar o consumo da maconha em todo o Brasil. Se for acompanhado o voto do Ministro Gilmar Mendes, a discriminalização pode ser ampliada para o consumo de todas as substâncias tornadas ilícitas. Se for acompanhado o voto do Ministro Luiz Roberto Barroso, será permitido ter 6 plantas fêmeas em casa para uso próprio e o porte de até 25 gramas de maconha será caracterizado como consumo.

Mas nem tudo são flores. O governo Bolsonaro desarquivou no Senado o terrível Projeto de Lei da Câmara n. 37. O PLC 37 causa enorme preocupação, pois dois relatores designados são senadores eleitos pela primeira vez, que eram policiais militares, fazendo parte da mesma linha dura do Ministro Osmar Terra do governo Bolsonaro. O referido ministro é autor do Projeto de Lei 7663, apresentado em 2010 na Câmara dos Deputados e encaminhado ao Senado, onde virou esse PLC 37.

A proposição original criava um Serviço Nacional de Informação sobre Drogas, um banco de dados nacional com o objetivo de vigiar e punir usuários e dependentes de drogas ilegais. Através da dedução de Imposto de Renda, o projeto visa arrecadar bilhões para financiar “Comunidades Terapêuticas Acolhedoras”, em todos os municípios do país. O custo de alguns milhares de reais por paciente multiplicado por milhões de internados vai gerar lucros bilionários a esse novo mercado. O tratamento nessas comunidades é a abstinência com a Bíblia na mão.

O lobista de tudo isso é o Ministro Osmar Terra, dono de clínicas desse modelo. É um verdadeiro ataque à luta antimanicomial e às políticas públicas de redução de danos focadas nos usuários e dependentes de drogas ilícitas. A grande maioria dessas clínicas antidrogas são financiadas com dinheiro público e o verdadeiro tratamento em muitas delas é através de solitária, trabalhos forçados e tortura, inclusive com choque elétrico.

É a volta da política manicomial apresentada no sensacional filme “Bicho de Sete Cabeças” de Laís Bodanzky em magnífica interpretação de Rodrigo Santoro.

O projeto visa internar usuários e dependentes de drogas apenas com a autorização de um médico, que pode ser até um ortopedista. Basta um familiar pedir a internação de um filho que fuma maconha e um médico concordar. E, na falta de um familiar ou responsável legal, um servidor público da área de saúde também poderá pedir a internação.

Vamos barrar esse terrível retrocesso. Maconheiras e maconheiros, uni-vos contra o PLC 37. Não tenha vergonha, venha participar da Marcha da Maconha.

Não tenha vergonha, 4 de maio é a Marcha da Maconha

Posted by André Barros on Tuesday, April 30, 2019

Conheça outros colunistas e suas opiniões!

Boaventura de Sousa Santos

Lula da Silva: a democracia entre o passado e o futuro

Renata Mielli

Que manchete um jornalista daria para essa notícia?

Manuela d'Ávila

Joice, eu sou sinceramente solidária a você porque sei o que você está vivendo

Mônica Horta

Moda contemporânea e seus múltiplos caminhos

Dríade Aguiar

Liberdade para todas as pretas

Colunista NINJA

Hey branquitude, o que você está fazendo para acabar com o racismo que você mesma criou?

Ivana Bentes

As cotas e a pesquisa do IBGE: conservador, não tem volta não!

André Barros

O porteiro do condomínio do Bolsonaro

Jean Wyllys

Carta a Dilma: Eu cuspi na cara dele por você, Dilma. Por nós.

André Barros

O fim do Bolsonaro

Daniel Zen

O equívoco liberal chileno

Victoria Henrique

Um (quase) final de ano de tantos retrocessos

Eduardo Sá

“Não colem em mim esse discurso da meritocracia”, diz Conceição Evaristo

Preta Rara

A senzala moderna é o quartinho da empregada

NINJA

A criminalização do aborto e o feminicídio de Estado