Foto: Mídia NINJA

No 19º episódio do programa FUMAÇA DO BOM DIREITO, falamos das “Manifestações de junho de 2013 e da Marcha da Maconha”. Pela primeira vez, o programa convidou um pré-candidato: o vereador da cidade do Rio de Janeiro Renato Cinco. Como sou pré-candidato a deputado estadual, tive a iniciativa de divulgar o lançamento da pré-candidatura de Cinco para deputado federal.

Fizemos várias relações entre esses dois fenômenos sociais, começando pelo protagonismo da juventude, que vem para as ruas de forma horizontalizada, sem aquela maneira verticalizada das organizações, como os partidos políticos, sindicatos, entidades estudantis, em convocações por panfletos e palavras de ordem definidas em reuniões comandadas por dirigentes. A Marcha da Maconha voltou a crescer nos idos anos de 2006, através do Orkut e grupos de emails, mas ainda sem dispensar os panfletos. Já as manifestações de 2013 foram organizadas com a força das redes sociais.

Foi pela mobilização nas redes que, na terceira manifestação de junho de 2013, 100 mil pessoas tomaram a avenida Rio Branco. Uma manifestação da juventude de esquerda, que lutava contra o aumento das passagens, contra a repressão da polícia, atacava o governador Sérgio Cabral, denunciava o rombo da Copa e das Olimpíadas, o assassinato e desaparecimento de pobres e negros nas favelas pela polícia militar, quando gritava “Cadê o Amarildo?”. Os aparelhos tradicionais de esquerda, mergulhados na crise do sistema de representação, não poderiam imaginar que milhares de pessoas se mobilizariam sem um único panfleto!

Trata-se de uma reflexão importante que a esquerda precisa fazer, pois outras manifestações virão, lançando mão desses novos instrumentos de mobilização. Essa mesma informatização da sociedade que trocou pessoas por máquinas, como, por exemplo, trabalhadores substituídos pelos caixas eletrônicos, os mesmos instrumentos do neoliberalismo e do capitalismo cognitivo que precarizaram o trabalho e levaram ao desemprego milhões de jovens, também serviram à mobilização contra o próprio capitalismo financeiro sanguinário.

Foi na Marcha da Maconha de São Paulo, em 2011, que conheci a Mídia Ninja: ali nascia o midiativismo, com várias pessoas transmitindo ao vivo toda a repressão policial, o mesmo midiativismo que vai emergir muito forte e é uma marca das manifestações de 2013. Advogados também surgiram na Marcha da Maconha, assim como, em grande número, em 2013, impedindo a prisão de centenas de pessoas, lutando nas ruas pela garantia constitucional e humana da liberdade de manifestação.

É a juventude que vem de todas as partes da cidade, conectada, e sente na pele a repressão do sistema policial e a política racista de Estado. É a nova multidão que nunca se sentiu representada e vem para ação direta, tomando ruas, avenidas, praças e pontes das cidades. Mas, ao que parece, o sistema de representação não acordou. O capitalismo de fortunas da ordem de cem milhões, que só gera mais acumulação, aponta para mais desigualdade social e ainda quer conviver pacificamente em meio à miséria de milhões.

Levantamos a grave situação da juventude precarizada e escravizada na venda ilegal do comércio varejista de drogas nas favelas, onde os corredores da morte estão formados com o assassinato pela polícia, amparada pelo sistema judicial penal, de milhares de jovens, negros e pobres. É urgente abrir o debate acerca da legalização da venda da maconha nas favelas, como forma de reparação social e alternativa para quem está no trabalho ilegal armado.

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